André Braz

Mestre em Economia pela Universidade Federal Fluminense e Finanças e Economia Empresarial pela EPGE/FGV. É economista e pertence ao staff da Superintendência Adjunta para Inflação desde 1989, onde trabalha como coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da FGV.

Preços administrados reduzem a chance de IPCA abaixo de 3% em 2017

O comportamento recente dos preços administrados promete acelerar a inflação no último trimestre de 2017. Segundo o Monitor da Inflação da FGV, o IPCA de outubro poderá subir 0,51%. Se confirmada, esta será a maior taxa registrada pelo índice oficial em 2017. Parte importante desse resultado se explica por aumentos registrados em preços controlados, cujos destaques para outubro são: tarifa elétrica (+3,7%), gás de botijão (+4,0%) e gasolina (+0,6%). Juntos, esses itens devem responder por 40% do resultado do IPCA de outubro. 

Alimentos reduzem inflação das famílias de baixa renda

Os preços dos gêneros alimentícios vêm registrando importante declínio nos últimos meses. Segundo o IPC-C1[1]/FGV, índice de inflação voltado às famílias mais pobres, os itens componentes da cesta básica registraram queda de 5,3% entre agosto de 2016 e julho de 2017. Entre os destaques, vale citar o comportamento dos preços de alimentos essenciais: batata (-56,8%), feijão carioca (-48,3%), leite (-23,9%), banana (-15,5%) e arroz (-1,75%).

Cenário bom para a inflação não é só no curto prazo

A expectativa do mercado para inflação de 2017 – segundo pesquisa Focus do Bacen – registrou recuo de 1 ponto percentual no primeiro trimestre, passando de 4,7% para 3,7%. Esse ajuste, promovido em curto espaço de tempo, foi o mais forte dos últimos 12 meses.

Motivação não falta para a construção de um cenário mais otimista para a inflação no curto prazo. Todos os indicadores que procuram captar a tendência dos preços – desconsiderando distúrbios temporários – só confirmam a desaceleração da inflação. 

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