Lia Baker Valls Pereira

Pesquisadora da área de Economia Aplicada da FGV/IBRE e Professora da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ. Principais áreas de interesse e publicações: acordos comerciais e a agenda brasileira; relações econômicas bilaterais do Brasil no campo do comércio e da economia política; o Brasil no comércio mundial de mercadorias e serviços; Sondagem da América Latina; balança comercial e indicadores; politica comercial dos Estados Unidos; e China.

A batalha comercial China-Estados Unidos

Donald Trump cumpriu sua promessa e iniciou em 2017 três frentes de “batalha comercial” contra a China através da abertura de investigações sob o amparo da legislação de comércio exterior dos Estados Unidos. Os resultados das investigações foram anunciados e as medidas adotadas divulgadas entre janeiro e abril. A China respondeu pedindo a abertura de 2 painéis de solução de controvérsias na OMC (Organização Mundial de Comércio), ainda em negociação, e com o anúncio de uma possível imposição de sobretaxas de importações oriundas dos Estados Unidos.

Abertura comercial e produtividade: a economia política de uma reforma tarifária

O Ministério da Fazenda encaminhou para a Camex (Câmara de Comércio Exterior) uma proposta de redução das tarifas de importações incidentes sobre bens de capital e de informática. No caso de bens de capital, o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério chamou atenção que enquanto a média da tarifa de importação incidente sobre bens de capital no mundo é 4%, no Brasil é de 14%.

Quais são as consequências da decisão de Trump de elevar tarifas sob a égide da Seção 201?

Em artigo publicado na Revista Conjuntura Econômica de novembro de 2017, tratamos das investigações iniciadas no governo Trump que representavam os primeiros testes do viés protecionista do seu governo e estavam direcionadas principalmente para a China. A investigação sobre transferência de tecnologia (Seção 301) foi tratada aqui em post de 13/11/2017 e até o momento não foi concluída.

É questionável que aumento de exportação de automóveis em 2017 se deva à maior competitividade

As exportações de automóveis cresceram 43% e contribuíram com 6% para o aumento das exportações entre 2016 e 2017. O desempenho levou a que os automóveis ocupassem o quinto lugar na lista dos principais produtos exportados, o que não ocorria desde 2007. Essa expansão reflete ganhos de competitividade? O que mostram os dados?

Em 2017, balança tem recorde e aumenta dependência por commodities. E 2018?

A balança comercial fechou o ano de 2017 com superávit de US$ 67 bilhões, o maior valor jamais registrado. Diferentemente de 2015 e 2016, quando os superávits foram obtidos pela queda mais acentuada nas importações do que nas exportações, o de 2017 foi acompanhado pelo aumento das exportações em 18% e das importações em 9,6%. Os superávits de 2015 e 2016 foram o resultado da recessão econômica que levou ao recuo das importações, o de 2017 foi liderado pelas exportações.

Trump manda investigar a China no tema de transferência de tecnologia: conflito comercial à vista?

O Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, sigla em inglês) acatou, em agosto, o pedido do Presidente Trump para iniciar uma investigação sobre a China no contexto da Seção 301 que integra a legislação de comércio exterior dos Estados Unidos. O governo dos Estados Unidos acusa a China de atuar de forma “não razoável, discriminatória e onerosa” em relação aos interesses comerciais dos Estados Unidos no campo dos direitos de propriedade intelectual e transferência de tecnologia.

Sondagem Econômica da América Latina*: a distância da região em relação ao mundo

O Indicador Ifo/FGV de Clima Econômico da América Latina (ICE) – elaborado em parceria entre o Instituto alemão Ifo e a FGV[1] - referente ao mês de julho e divulgado no dia 10/08 mostrou que a distância entre o indicador para a região e o mundo permanece. Enquanto o ICE para a América Latina recuou entre abril e julho e está numa zona desfavorável (abaixo de 100 pontos), o ICE do mundo ficou estável e numa zona de avaliação favorável (acima de 100 pontos).

Cochilo de Meirelles na Cúpula do Mercosul pode ser visto como uma metáfora

Por ocasião da 50ª Reunião do Conselho do Mercado Comum e da Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, em 21 de julho, a imprensa destacou o “cochilo” do Ministro da Fazenda do Brasil, Henrique Meirelles, durante discurso do presidente Michel Temer. A agenda atribulada para lidar com uma das piores crises da economia brasileira foi apontada como uma das razões para que o ministro cerrasse os olhos, no que pareceu uma sucessão de breves lapsos de sono, durante o evento.

Deixamos de ser global traders?

Após o déficit de US$ 4 bilhões em 2014, a balança comercial foi superavitária em 2015 e 2016. A melhora se deveu a uma queda nas importações, associada a uma retração no nível de atividade, superior ao recuo das exportações. A novidade esse ano é que o superávit resulta de um aumento das exportações (19%) superior ao das importações (7,3%) na comparação entre os períodos de janeiro a junho de 2016 e 2017, o que levou a um saldo comercial positivo de US$36 bilhões no acumulado do ano até junho.

Crise pode abortar tênue melhora de expectativas sobre o Brasil

A América do Sul parece ter eliminado um dos problemas que no passado levaram a processos inflacionários que fugiam do controle: bancos centrais descompromissados com a preservação do valor da moeda. É o que mostra a pesquisa realizada pela Sondagem Econômica da América Latina Ifo-FGV no mês de abril.É o que mostra a pesquisa realizada pela Sondagem Econômica da América Latina Ifo-FGV no mês de abril. Falta de credibilidade em relação à política do banco central não é um problema relevante para os países da América do Sul. Em especial, o indicador para o Brasil é melhor do que o da região. As boas notícias para o Brasil, porém, param por aqui. Na região, a Sondagem mostrou que o país tem os piores indicadores na agenda de problemas a serem enfrentados. Além disso, a comparação desses resultados com o clima de expectativas otimistas que havia no mês de abril já sinalizava a fragilidade da situação atual do país.

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