Lia Baker Valls Pereira

Pesquisadora da área de Economia Aplicada da FGV/IBRE e Professora da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ. Principais áreas de interesse e publicações: acordos comerciais e a agenda brasileira; relações econômicas bilaterais do Brasil no campo do comércio e da economia política; o Brasil no comércio mundial de mercadorias e serviços; Sondagem da América Latina; balança comercial e indicadores; politica comercial dos Estados Unidos; e China.

Trump manda investigar a China no tema de transferência de tecnologia: conflito comercial à vista?

O Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, sigla em inglês) acatou, em agosto, o pedido do Presidente Trump para iniciar uma investigação sobre a China no contexto da Seção 301 que integra a legislação de comércio exterior dos Estados Unidos. O governo dos Estados Unidos acusa a China de atuar de forma “não razoável, discriminatória e onerosa” em relação aos interesses comerciais dos Estados Unidos no campo dos direitos de propriedade intelectual e transferência de tecnologia.

Sondagem Econômica da América Latina*: a distância da região em relação ao mundo

O Indicador Ifo/FGV de Clima Econômico da América Latina (ICE) – elaborado em parceria entre o Instituto alemão Ifo e a FGV[1] - referente ao mês de julho e divulgado no dia 10/08 mostrou que a distância entre o indicador para a região e o mundo permanece. Enquanto o ICE para a América Latina recuou entre abril e julho e está numa zona desfavorável (abaixo de 100 pontos), o ICE do mundo ficou estável e numa zona de avaliação favorável (acima de 100 pontos).

Cochilo de Meirelles na Cúpula do Mercosul pode ser visto como uma metáfora

Por ocasião da 50ª Reunião do Conselho do Mercado Comum e da Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, em 21 de julho, a imprensa destacou o “cochilo” do Ministro da Fazenda do Brasil, Henrique Meirelles, durante discurso do presidente Michel Temer. A agenda atribulada para lidar com uma das piores crises da economia brasileira foi apontada como uma das razões para que o ministro cerrasse os olhos, no que pareceu uma sucessão de breves lapsos de sono, durante o evento.

Deixamos de ser global traders?

Após o déficit de US$ 4 bilhões em 2014, a balança comercial foi superavitária em 2015 e 2016. A melhora se deveu a uma queda nas importações, associada a uma retração no nível de atividade, superior ao recuo das exportações. A novidade esse ano é que o superávit resulta de um aumento das exportações (19%) superior ao das importações (7,3%) na comparação entre os períodos de janeiro a junho de 2016 e 2017, o que levou a um saldo comercial positivo de US$36 bilhões no acumulado do ano até junho.

Crise pode abortar tênue melhora de expectativas sobre o Brasil

A América do Sul parece ter eliminado um dos problemas que no passado levaram a processos inflacionários que fugiam do controle: bancos centrais descompromissados com a preservação do valor da moeda. É o que mostra a pesquisa realizada pela Sondagem Econômica da América Latina Ifo-FGV no mês de abril.É o que mostra a pesquisa realizada pela Sondagem Econômica da América Latina Ifo-FGV no mês de abril. Falta de credibilidade em relação à política do banco central não é um problema relevante para os países da América do Sul. Em especial, o indicador para o Brasil é melhor do que o da região. As boas notícias para o Brasil, porém, param por aqui. Na região, a Sondagem mostrou que o país tem os piores indicadores na agenda de problemas a serem enfrentados. Além disso, a comparação desses resultados com o clima de expectativas otimistas que havia no mês de abril já sinalizava a fragilidade da situação atual do país.

O aumento no preço das commodities não é suficiente para garantir ciclo expansivo das exportações

O preço da cesta das principais commodities exportadas pelo Brasil, após queda de 48% entre maio de 2014 e fevereiro de 2016, voltou a crescer e registrou aumento de 37% entre os meses de fevereiro de 2016 e 2017. Essa melhora está associada aos estímulos do governo chinês ao investimento e ao aumento no nível de atividade nos Estados Unidos e na Europa. Na cesta IBRE, destacam-se os aumentos das commodities metálicas e de energia (minério de ferro com 150%, e petróleo e derivados com 95%, entre os meses de fevereiro), pois as agrícolas cresceram abaixo de 30%.

Acordos comerciais: uma nova agenda para o Brasil?

Em junho de 2015, foi lançado o Plano Nacional de Exportações, em que acordos comerciais eram apresentados como instrumento para alavancar o crescimento das vendas externas brasileiras. A paralisia das negociações na Organização Mundial de Comércio, o anúncio das negociações dos mega-acordos (Transpacífico e Transatântico) liderados pelos Estados Unidos e a perda de participação das manufaturas brasileiras nas exportações motivaram o lançamento desse plano que foi apoiado pelos setores empresariais.

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