Lia Baker Valls Pereira

Pesquisadora da área de Economia Aplicada da FGV/IBRE e Professora da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ. Principais áreas de interesse e publicações: acordos comerciais e a agenda brasileira; relações econômicas bilaterais do Brasil no campo do comércio e da economia política; o Brasil no comércio mundial de mercadorias e serviços; Sondagem da América Latina; balança comercial e indicadores; politica comercial dos Estados Unidos; e China.

Crise pode abortar tênue melhora de expectativas sobre o Brasil

A América do Sul parece ter eliminado um dos problemas que no passado levaram a processos inflacionários que fugiam do controle: bancos centrais descompromissados com a preservação do valor da moeda. É o que mostra a pesquisa realizada pela Sondagem Econômica da América Latina Ifo-FGV no mês de abril.É o que mostra a pesquisa realizada pela Sondagem Econômica da América Latina Ifo-FGV no mês de abril. Falta de credibilidade em relação à política do banco central não é um problema relevante para os países da América do Sul. Em especial, o indicador para o Brasil é melhor do que o da região. As boas notícias para o Brasil, porém, param por aqui. Na região, a Sondagem mostrou que o país tem os piores indicadores na agenda de problemas a serem enfrentados. Além disso, a comparação desses resultados com o clima de expectativas otimistas que havia no mês de abril já sinalizava a fragilidade da situação atual do país.

O aumento no preço das commodities não é suficiente para garantir ciclo expansivo das exportações

O preço da cesta das principais commodities exportadas pelo Brasil, após queda de 48% entre maio de 2014 e fevereiro de 2016, voltou a crescer e registrou aumento de 37% entre os meses de fevereiro de 2016 e 2017. Essa melhora está associada aos estímulos do governo chinês ao investimento e ao aumento no nível de atividade nos Estados Unidos e na Europa. Na cesta IBRE, destacam-se os aumentos das commodities metálicas e de energia (minério de ferro com 150%, e petróleo e derivados com 95%, entre os meses de fevereiro), pois as agrícolas cresceram abaixo de 30%.

Acordos comerciais: uma nova agenda para o Brasil?

Em junho de 2015, foi lançado o Plano Nacional de Exportações, em que acordos comerciais eram apresentados como instrumento para alavancar o crescimento das vendas externas brasileiras. A paralisia das negociações na Organização Mundial de Comércio, o anúncio das negociações dos mega-acordos (Transpacífico e Transatântico) liderados pelos Estados Unidos e a perda de participação das manufaturas brasileiras nas exportações motivaram o lançamento desse plano que foi apoiado pelos setores empresariais.

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