Avanço da subocupação reforça projeção de retomada lenta do mercado de trabalho

18/08/2017

Nos últimos meses a taxa de desemprego tem caído acentuadamente. A desocupação, que estava em 13,7% em março, apresentou queda significativa, chegando a de 13,0% em junho (Gráfico 1).

O ritmo mais acelerado da queda do desemprego vem aumentando o otimismo dos analistas em relação à perspectiva de uma recuperação mais forte do mercado de trabalho.

No entanto, os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), parecem reforçar uma visão menos otimista acerca do ritmo de retomada do mercado de trabalho. Na verdade, as novas informações, que oferecem uma perspectiva mais detalhada do comportamento do mercado de trabalho brasileiro, parecem corroborar a tese, que vem sendo defendida pelos analistas do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de que a retomada do emprego não irá ocorrer em ritmo acelerado. Pelo contrário, a recuperação do mercado de trabalho deverá ser lenta e gradual.

Uma análise do comportamento da taxa de subutilização da força de trabalho ajuda a ilustrar o argumento, defendido pelos analistas do IBRE/FGV, de que a retomada do emprego tende a ser lenta e gradual. A taxa de subutilização é composta não apenas pelo desemprego, mas também pela subocupação e pela força de trabalho em potencial. Logo, um acompanhamento da trajetória da taxa de subutilização, desagregada pelas suas categorias constitutivas, permite realizar uma análise mais detalhada do comportamento do mercado de trabalho nos últimos meses.

A evolução da taxa de subutilização da força de trabalho, fornecida no Gráfico 2, apresenta um cenário surpreendente. 

Fica evidente que houve uma queda do desemprego entre março e junho (fato que já era conhecido pelos analistas desde julho, mês em que o IBGE divulgou a taxa de desemprego agregada para junho). O desemprego caiu 0,7 pp entre março de junho deste ano (saindo de 12,9%, em março, para 12,2%, em junho).[1] No entanto, quase toda a queda do desemprego, observada no período, se deveu ao avanço da subocupação, que apresentou crescimento de 0,5 pp (saindo de 4,8%, em março, para 5,3%, em junho). Assim, apenas uma pequena parcela da queda do desemprego 0,2 pp ocorreu em virtude de um aumento da ocupação em postos de trabalho de maior qualidade.

O quadro apresentado acima sugere que grande parte da acelerada retomada do mercado de trabalho, observada nos últimos meses, está sendo decorrente de um aumento na subocupação. Esta parcela da retomada tende a ser mais instável justamente por estar baseada na criação de empregos que não satisfazem os trabalhadores. Já a parcela da recuperação que tende a ser mais sustentável, baseada na criação de empregos de maior qualidade, que costumam atender às demandas dos trabalhadores de forma mais satisfatória, está ocorrendo em ritmo muito menos intenso. Portanto, o IBRE/FGV mantém a sua projeção de que a retomada do mercado de trabalho será lenta e gradual.


[1] Os números da taxa de desemprego apresentados no Gráfico 2 consideram parte da população não economicamente ativa (tanto no numerador quanto no denominador) e, por isso, diferem dos fornecidos no Gráfico 1, que não incluem estes dados referentes à população não economicamente ativa.

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