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Inflação é a grande notícia positiva da economia brasileira

07/07/2017

No cenário econômico atual, com a crise política predominando, talvez a única notícia positiva é a inflação baixa, que vem permitindo ao Banco Central baixar os juros. Ilan Goldfajn assumiu a presidência da autoridade monetária em junho de 2016. Nessa época, a Selic estava em 14,25%, a inflação acumulada em 12 meses em 8,8%, e as expectativas desancoradas. Hoje, a Selic está em 10,25%, a inflação dos últimos 12 meses terminados em junho, em 3,0%, com as expectativas ancoradas novamente. A mediana das expectativas de mercado, de acordo com o último Boletim Focus, prevê juros em 8,5% e inflação em 3,5% no fim do ano. Já a mediana do Focus - Top 5 de curto prazo projeta a inflação em 3,0% no fim de 2017.

Alguns fatores levaram à essa baixa inflação. Entre outros, a recessão, pior dos últimos 120 anos, que produziu os mais de 14 milhões de desempregados, contribui para isso. Mas a melhora das expectativas de inflação, com a mudança da diretoria do Banco Central em junho de 2016, e a queda brutal da inflação de alimentos (peso de 17% na inflação total) também contribuíram para a inflação chegar nesse patamar. O Gráfico 1 mostra a evolução da mediana das expectativas de inflação (Focus) para 2017, e o Gráfico 2, a evolução da inflação de alimentos acumulada em 12 meses.

Outra questão relevante é que constantemente, nos últimos meses, a inflação tem surpreendido para baixo. Desde setembro de 2016 até junho deste ano, somente em março a inflação veio maior do que o esperado. A taxa de variação mensal de junho, por exemplo, foi de -0,23%, enquanto que o último dado da mediana do Focus estava em -0,15%. O Gráfico 3 mostra a evolução das surpresas inflacionárias (dado observado – mediana do Focus). 

Para julho, de acordo com a mediana da Focus, a taxa de variação mensal da inflação deve ser de 0,18%.

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