A recessão pode não ter sido a maior, mas a retomada é a mais lenta da história

08/12/2017

O resultado do PIB do terceiro trimestre indica um crescimento de 1% este ano, puxado pela agropecuária. As projeções do IBRE para 2018 apontam nova expansão, próxima de 3%, só que puxada por serviços e indústria. Essa trajetória encerra a grande recessão de 2014-16, cujas causas e consequências ainda serão objeto de grande debate na literatura econômica e histórica do Brasil.

Independentemente das conclusões ao final do debate, a recuperação em curso já pode ser comparada com episódios anteriores de nossa história, de modo a verificar sua velocidade. Ao fazer isso, percebe-se que, apesar de a recessão de 2014-16 não ter sido a maior de nossa história, a trajetória de recuperação esperada para 2017-18 pode ser a mais lenta já observada.

Com base no PIB per capita calculado pelo IPEA e pelo Banco Central do Brasil (BCB), a figura 1 apresenta a trajetória atual em comparação com o que ocorreu após:

  1. A grande depressão dos anos 1930
  2. A crise da dívida externa dos anos 1980
  3. A crise do governo Collor dos anos 1990.

O critério para escolha desses episódios foi a ocorrência de três anos consecutivos de queda do PIB per capita. Em todos os casos o valor do ano anterior ao início da recessão foi definido como 100, para facilitar a comparação visual.

Figura 1: PIB per capita em quatro recessões-recuperações do Brasil

Fonte: Fonte: IPEADATA para 1928-33, 1980-85 e 1989-94, BCB para 2013-16 e cenário de crescimento de 1% do PIB em 2017 e 3% em 2018, com população aumentando 0,7% aa.

Em termos absolutos, a recessão de 2014-16 foi menor do que a da crise da dívida externa, mas 1 ponto percentual maior do que a ocorrida durante o governo Collor. Já a recuperação atual, caso se confirme a expectativa de 1% de crescimento em 2017 e 3% em 2018, será a mais lenta de nossa história recente. Para que a recuperação atual supere o ocorrido nos anos 1980, é necessário que o PIB per capita cresça mais de 4% em 2018. Isso é possível, mas dependerá da evolução do cenário político e internacional, bem como da condução da política econômica.

Comentários

Jackson Vasconcelos
É a mais lenta, sem dúvida, em razão do cenário político. Um fato é relevante na análise: o impeachment do Presidente Collor colocou na presidência da república alguém com credenciais de liderança bem melhores do que as que tem o sucessor da Presidente Dilma. Sem bons qualificativos, o Presidente Temer ainda passou por uma onda de contestações institucionais significativas.
Walter Rodrigues
Primeiramente a expectativa de 1% para 2017 e 3% para 2018 é muito otimista. O números mais recentes divulgados pelo IBGE mostram uma economia ziguezagueante onde até em aparentes boas notícias temos detalhes importantes que são um balde de água fria para os otimistas esclarecidos. O Mercado de trabalho é um bom exemplo onde o poco de melhora na taxa de desocupação é tragado e estragado pela informalidade e pela redução das horas. trabalhadas
Antonio Madeira
Caro senhor Barbosa, faltou detalhar as causas da lenta recuperação da economia. Na minha opinião, elas estão relacionadas ao desmonte da Nova Matriz Econômica que teve inicio em 2015. Os estragos macroeconômicos e microeconômicos dessa malvada politica foram muito elevados e de difícil correção.

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