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Marco Bittencourt
Muito interessante e teria vários comentários a fazer - e espero fazê-los a conta gotas. Vou adiantar um: o período da república velha. Seus dados mostram que havia um modelo funcionando e bem. O modelo assentado na agricultura. O que dou falta é de um modelo e aqui vai uma observação: correlações são observações importantes e sugestivas. Mas devem ajudar a compor um modelo e não serem usadas como quase tautologias. Imagino que um modelo seria por exemplo o de meeiros com contratos assimétricos (fácil imaginá-lo). O problema é construir um modelo passível de teste. De qualquer forma, teríamos um modelo (uma história que junta os personagens em seus interesses recíprocos). Observo ainda que o modelo poderia retratar parte da dinâmica. No caso da república velha há que se destacar a destruição urbana - verdadeira pilhagem que enriqueceu um segmento importante e certamente teve um efeito na taxa de investimento. Algo que desconheço como a literatura trata. Mas vou ao ponto que me interessa: parabenizá-lo pelo entendimento de duas questões fundamentais: a dinâmica da economia e a necessidade de reformas estruturais que tem como foco o acerto definitivo no orçamento. Aqui, falarei apenas da dinâmica da economia e creio que seja isso que você pensa: “Dada a dinâmica das economias modernas, a questão da produtividade vem de forma óbvia. Podemos imaginar a economia dividida em três setores: agricultura, indústria e serviço e comercio. Podemos imaginar ainda uma relação para cada um dos setores de 1 para 1 entre participação % no PIB = Participação % emprego. Agora, tem-se o retrato do capital humano: 12 a 15% da população empregada tem nível superior. O resto tem nível médio para baixo. Então a questão da produtividade baixa é óbvia: depende fortemente do setor dinâmico e seu efeito sobre o setor serviço e comercio. Então a questão óbvia sobre crescimento seria: quais atividades dinâmicas (provavelmente indústria e parte de serviços) condicionam o crescimento no setor de serviços e comercio? Algo na linha dos estudos sobre complexidade ou insumo-produto ajudariam a responder a questão. Aproveitando o momento da pandemia, passo para a seguinte questão: Qual seria o efeito o efeito da pandemia sobre as atividades consideradas dinâmicas (atividades complexas e de alta produtividade que pode estar na indústria, parte em serviço e parte na agricultura) no setor de serviço e comercio (afetar a empregabilidade no setor serviço e comercio de forma quantitativa e qualitativa)? Abs e espero ter contribuído para o debate.