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Braulio
Marcelo, a cada momento do tempo, o IBGE estima o PIB nominal em R$ bilhões, tomando por base o PIB do ano anterior. O PIB nominal de um ano T é igual ao PIB de T-1 multiplicado pela variação nominal entre os dois períodos. Não estou questionando essa variação nominal, já que ela respeita a variação nominal dada pelas pesquisas estruturais. Logo, não parece haver problema na estimação do tamanho do PIB brasileiro, em R$ trilhões correntes. Não obstante, a cada momento do tempo, essa variação nominal embute uma variação de preços (deflator implícito) e uma variação de quantidades. Se, para uma dada variação nominal do PIB, estou superestimando a variação do deflator (preços), consequentemente estou subestimando a variação em volume (e vice-versa). Isso acontece porque, na estimativa definitiva do PIB, quem dá o limite da variação do PIB é a variação nominal, que tem embutida preços e quantidades. Dada a variação nominal do PIB, o IBGE deveria estimar o volume deflacionando esse valor por índices de preços adequados (como é a recomendação internacional), obtendo o índice de volume (e a variação “real”) implicitamente, por resíduo. Mas, com exceção de alguns poucos produtos (Intermediação Financeira e alguns serviços), o IBGE faz o oposto: divide o valor nominal pelos índices de quantidades (obtidos a partir das pesquisas conjunturais) e, assim, obtém o deflator implicitamente. Acontece que esse deflator obtido por resíduo mistura variações genuínas da inflação com mudanças de mix e de qualidade dos produtos. Por isso acaba correndo sistematicamente por cima do IPCA, mesmo na comparação item a item. Desse modo, o problema não está no nível do PIB, em R$ trilhões correntes. E sim na divisão, ano a ano, daquilo que é preço e daquilo que é quantidade. Abs, Bráulio