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Fernando
Becker e Woessmann entendem que a acumulação de capital humano seria por causa da alfabetização. Essa alfabetização assim abstrata - que geralmente se entende apenas por ler e escrever - é insuficiente como principal causa de desenvolvimento humano. A leitura bíblica é a causa bem mais provável já que era essa a finalidade da alfabetização. É uma idéia impopular no meio acadêmico e talvez por isso Becker e Woessmann usaram "alfabetização" como codinome para "leitura e prática do que é ensinado na Bíblia". "Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens..." "Quem trabalha a sua terra terá fartura de alimento, mas quem vai atrás de fantasias não tem juízo." "O preguiçoso deseja e nada consegue, mas os desejos do diligente são amplamente satisfeitos." "Tudo posso naquele que me fortalece." "Todo trabalho árduo traz proveito, mas o só falar leva à pobreza." "Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês", diz o Senhor, "planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro." "Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos." Se dia após dia, semana após semana, as pessoas lêem e recebem esse tipo de instrução de como se comportar, de como trabalhar, é óbvio que isso produz desenvolvimento. Essa idéia provavelmente explica a falta de diferença entre cidades alemãs católicas e protestantes identificada por Davide Cantoni. No mundo real as coisas não são assim tão distintas que se possa dizer "países católicos têm concepção tradicionalista do trabalho, enquanto calvinistas têm trabalho como um fim em si próprio". É bem possível que os católicos alemães, por influência indireta e competição protestantes, passaram a ler mais a Bíblia e assim conseguiram os mesmos resultados.