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Braulio
MrP: em primeiro lugar, o ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, vendeu sua parte da sociedade na LCA para os demais sócios-proprietários (dentre os quais não me incluo) em 2007, quando foi nomeado para o banco. Ele fez isso justamente para evitar acusações envolvendo conflitos de interesses. Em segundo lugar: minha análise não exime de culpa, na explicação das causas da desaceleração/recessão recente, as muitas decisões equivocadas de política econômica tomadas de 2012 a 2014. Mas chama a atenção para outros fatores que também contribuíram para isso, muitas vezes menosprezados ou subestimados pela narrativa que dominou esse debate nos últimos anos. Como diz aquela frase famosa: "para todo problema complexo, sempre existe uma solução elegante, simples e completamente errada". Eu nunca acreditei em soluções/explicações simples, especialmente quando o assunto envolve o fenômeno econômico, complexo por natureza. Mas a narrativa dominante encontrou uma explicação simples e elegante, o "espantalho" NME. Não acho que essa explicação seja "completamente errada", mas minha análise sugere que o tamanho da culpa é menor do que aquele atribuído pela maioria. Por fim, gostaria de lembrar que há alguns pesquisadores e economistas que fizeram parte de diversos governos, trabalham ou trabalharam como assessores de políticos, são ou foram filiados a partidos, mas nem sempre deixam isso transparente. De minha parte, o full disclosure é o seguinte: nunca trabalhei para nenhum governo ou político, não sou nem nunca fui filiado a nenhum partido e nunca apoiei explicitamente nenhum partido ou movimento político.