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José Ricardo da...
Daria para escrever um livro sobre este artigo, mas me chocou a frase "As jornadas de trabalho com carga horária reduzida funcionam muito bem em inúmeros países", principalmente porque deixa implícita uma pergunta: "Bem para quem?". Trabalho intermitente (zero-hour contract) funciona bem apenas para profissões muito bem remuneradas (profissionais liberais, como regra) e, mesmo assim, nem sempre. Conquanto se possa imaginar esta forma de trabalho para pessoas que estão ingressando no mercado de trabalho e que já sairam (aposentados que buscam uma renda extra), bem como para periodos de transição entre empregos ou profissões, o problema é que os empresários buscam adotar esta forma precária de trabalho como padrão do mercado. Se você vive em uma sociedade em que os custos são fixos (aluguel, água, luz, alimentação, etc.), mas a renda variável (trabalho intermitente), o resultado é um pesadelo para o trabalhador e um sonho para o empresário (que olha não para uma pessoa, mas para um "fator de produção" e um item numa planilha de custos), embora a análise da eficiência econômica desta modalidade fique bonita em um artigo de um estudante de economia.