As boas surpresas de 2017 e os riscos à espreita em 2018

09/01/2018

O evento econômico mais importante do ano recém-terminado foi a calma com que os mercados financeiros absorveram o desastroso acontecimento político de 17 de maio de 2017. Temer saiu vitorioso, mas com grande desgaste do seu cacife político, que resultou no adiamento da reforma da Previdência. Não obstante esse revés, o câmbio e o risco país mantiveram-se relativamente calmos em 2017.

Outro fator de destaque foi a surpresa desinflacionária tanto na economia americana quanto no Brasil, onde o IPCA  de 2017 deverá ficar abaixo dos 3%. Aproximadamente 4/5 dessa surpresa brasileira na inflação derivou da queda dos preços dos alimentos, como consequência da excelente safra. O resto proveio de uma desinflação de serviços 0,9 p.p. acima da esperada. Com esse resultado, o Banco Central poderá praticar juros mais baixos por um tempo maior do que o originalmente antevisto. E se a proposta minimalista de reforma da Previdência que se encontra no Congresso for aprovada em 2018, será finalmente uma surpresa positiva na área propriamente fiscal, que aliviará o custo do primeiro ano do próximo governo.

Para 2018, o IBRE projeta crescimento do PIB brasileiro de 2,8%. A inflação deve fechar 2018 por volta de 3,5% a 4%, com os preços administrados na casa de 7% e os livres em torno de 3,0%.

Um dos principais riscos para a economia brasileira em 2018 está condicionado a se o mercado terá ou não a paciência de esperar pela política. Uma primeira faceta desse risco está na economia global. Em 2017, o mundo cresceu 3,6%, com inflação muito baixa em praticamente todos os lugares. Mas é possível que em 2018 surja uma aceleração da inflação – não esperada pela maioria dos analistas – tanto na economia americana quanto na chinesa. Além do risco de uma subida dos juros internacionais maior do que a precificada hoje pelos mercados, há também o risco eleitoral interno. Podemos reproduzir em 2018 o que fizemos em 2014: um processo eleitoral anódino, em que os problemas reais não são discutidos e que, no frigir dos ovos, leve à eleição de um presidente sem delegação para arrumar a casa fiscal. Neste cenário, teríamos que enfrentar novo estelionato eleitoral no primeiro semestre de 2019.

Veja a íntegra desta análise na coluna Ponto de Vista da Conjuntura Econômica de janeiro.

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