Nelson Barbosa

Professor Titular da EESP/FGV, Professor Visitante da UnB e Pesquisador do IBRE/FGV. Foi Ministro da Fazenda e do Planejamento (Governo Dilma).

As diferentes fases da política econômica do PT: revisionismo histórico e ideologia

Em anos de eleições o debate político normalmente perde objetividade em prol de generalizações de acordo com a preferência ou inclinação ideológica do autor. A análise da política econômica não é imune a esse tipo de revisionismo e, recentemente, temos assistido a simplificações predominantemente jornalísticas na análise das ações dos governos do PT (Safatle et all 2016).

A fundamental reforma da remuneração dos servidores

Nesta semana apresentei as linhas gerais de uma proposta de reforma da remuneração dos servidores públicos na série de seminários "Reformas para Destravar o Brasil" da EESP/FGV. Esse tema não tem grande destaque no debate econômico como a reforma da Previdência, mas, na verdade, a folha de pagamento de ativos e inativos responde pelo maior gasto primário do Estado Brasileiro, quando consideramos União, Estados e municípios como um todo.

Meirelles pode eliminar um ruído que ele mesmo criou

O governo lançou um pacote de 15 medidas para compensar a suspensão da reforma da previdência. A maioria das iniciativas já está em tramitação, estudo ou elaboração há algum tempo.

Não há nada de errado em relançar coisas importantes, até porque, em política econômica, a maioria dos avanços são incrementais, fruto de estudos e trabalho de várias equipes e administrações.

A PEC do compromisso: flexibilidade com responsabilidade

Tudo indica que a intervenção federal no Rio de Janeiro enterrou de vez as chances de votar a reforma da previdência neste ano. Muito foi concedido para tentar aprovar uma versão desidratada da reforma. Muito mais foi gasto para ganhar votos. Se fizermos o balanço das coisas, a suspensão da proposta do governo provavelmente acabou saindo mais caro do que não fazer nada para os cofres públicos no curto prazo.

Juros pagos pelo setor público: o total caiu em proporção do PIB, mas os pagamentos reais continuaram a subir em 2017

O Banco Central divulgou as estatísticas fiscais de 2017 nessa semana. No ano passado o setor público pagou R$ 400,8 bilhões em juros líquidos (6,1% do PIB), contra R$ 407 bilhões em 2016 (6,5% do PIB). Houve, portanto, uma redução de 0,5 ponto percentual do pagamento de juros pelo governo, como apresentado na figura abaixo.

Inovar-Auto foi mais que proteção temporária, e não é hora de ficar sem política automotiva

O Regime Inovar-Auto acabou no final de 2017. O encerramento já estava previsto no programa e deveria ser sucedido por uma avaliação dos seus resultados e definição de nova política para o setor automotivo. Ao longo do ano passado, houve longas discussões sobre o tema entre governo, empresas e trabalhadores, mas não foi possível chegar a um consenso sobre o rumo a seguir.

A recessão pode não ter sido a maior, mas a retomada é a mais lenta da história

O resultado do PIB do terceiro trimestre indica um crescimento de 1% este ano, puxado pela agropecuária. As projeções do IBRE para 2018 apontam nova expansão, próxima de 3%, só que puxada por serviços e indústria. Essa trajetória encerra a grande recessão de 2014-16, cujas causas e consequências ainda serão objeto de grande debate na literatura econômica e histórica do Brasil.

E a contração fiscal é ... contracionista!

O debate sobre a hipótese da “contração fiscal expansionista” gerou mais calor do que luz nos últimos 20 anos.

Apresentada inicialmente por Alesina e Ardagna (1998), essa proposição estabelece que um ajuste fiscal pode ser expansionista se os impactos negativos das medidas adotadas sobre a demanda pública forem mais do que compensados pelo impacto positivo da melhora das expectativas e da queda da taxa de juro sobre a demanda privada.

Carga tributária, dividendos e amnésia seletiva

O ajuste fiscal necessário para estabilizar o endividamento público requer tanto uma redução do crescimento dos gastos quanto uma recuperação da receita tributária do governo. À exceção de alguns neoliberais de jardim de infância – que são contra qualquer aumento de impostos por achar que o governo é sempre bobo, mau e feio – a maioria dos economistas sabe que é inevitável aumentar a receita tributária para reequilibrar o orçamento público. Os últimos dois grandes ajustes fiscais realizados no  Brasil corroboram essa conclusão.

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