Não existem atalhos para o desenvolvimento

28/03/2017

Uma ideia que tem tido papel central nas políticas adotadas no Brasil desde o pós-guerra é a de que existem atalhos para o desenvolvimento. Em particular, o caminho para a elevação da produtividade seria a adoção de incentivos e mecanismos de proteção para setores específicos.

Esse diagnóstico fundamentou a política de substituição de importações entre 1950 e 1980 e, recentemente, as políticas industriais implantadas sob a Nova Matriz Econômica.

A crise atual reflete em boa medida os efeitos desastrosos dessas políticas sobre a produtividade e o equilíbrio macroeconômico. Por isso, parte da agenda de crescimento deve consistir na revisão dessas políticas, como tem sido feito por meio da redução de desonerações tributárias e do crédito subsidiado, assim como através das mudanças da política de conteúdo local que acabam de ser divulgadas.

No entanto, para que a produtividade possa crescer de forma sustentada, será necessário um diagnóstico mais abrangente dos entraves específicos que precisam ser removidos.

Os dados mostram que a produtividade brasileira está distante da produtividade dos países desenvolvidos em praticamente todos os setores. A produtividade dos Estados Unidos é cerca de 14 vezes maior que a do Brasil na agropecuária, 5,7 vezes na indústria e 5,4 nos serviços.

Uma análise mais desagregada de 35 setores mostra que a produtividade brasileira é baixa em quase todas as atividades. Mesmo aquelas mais intensivas em tecnologia e capital humano, como serviços de informação e serviços para empresas, são pouco eficientes, e têm produtividade similar à de serviços tradicionais de países desenvolvidos, como comércio e serviços pessoais. A questão que se coloca então é por que a produtividade brasileira é tão baixa em quase todos os setores.

Uma razão importante é que no Brasil existe uma proporção muito alta de empresas de produtividade muito baixa, mesmo em comparação com outras economias emergentes, como Chile, México e China.

Enquanto nos Estados Unidos as empresas que sobrevivem no mercado por 25 anos crescem em média cinco vezes, no Brasil elas permanecem praticamente do mesmo tamanho.

Em outras palavras, as empresas mais produtivas não expandem sua escala de produção e as menos produtivas não saem do mercado. Isso indica que é preciso examinar quais as distorções que estão dificultando a realocação de fatores das firmas menos produtivas para as mais eficientes.

Em resumo, não existem atalhos para o desenvolvimento. Essa agenda exige uma melhoria abrangente e contínua do ambiente de negócios.

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