Trabalho

Quem são os desalentados no Brasil?

4 fev 2026

Desalento no mercado de trabalho brasileiro mostra queda desde 2021 (associada à recuperação econômica); porém desigual, com fortes assimetrias regionais e sociais, o que indica um movimento cíclico e a necessidade de políticas públicas focalizadas.

Introdução

O desalento no mercado de trabalho refere-se à situação de pessoas em idade ativa que gostariam de trabalhar e estariam disponíveis para uma ocupação, compondo a força de trabalho potencial da economia, mas que optaram por não procurar emprego por acreditarem que não encontrariam uma oportunidade adequada. Essa desistência pode estar associada a diferentes fatores, como a percepção de inexistência de vagas na localidade, a falta de experiência ou de qualificação compatível com as exigências do mercado, a discriminação etária ou racial, ou ainda a repetição de tentativas frustradas de inserção, elementos amplamente discutidos na literatura sobre discouraged workers (Blanchard e Diamond, 1994; OECD, 2022). Do ponto de vista estatístico, os desalentados integram a chamada força de trabalho potencial, mas não são classificados como desempregados, uma vez que não realizaram busca ativa por trabalho no período de referência, conforme a metodologia adotada pelo IBGE e alinhada às recomendações da Organização Internacional do Trabalho (OIT) agência das Nações Unidas.

Mais do que um conceito técnico, o desalento expressa uma dimensão subjetiva e social do mercado de trabalho: a erosão das expectativas. Diferentemente do desemprego aberto, que pressupõe procura ativa e expectativa de inserção, o desalento marca o momento em que o indivíduo deixa de acreditar que o esforço de buscar uma vaga produzirá resultados. Trata-se, portanto, de um fenômeno particularmente sensível não apenas ao nível de atividade econômica, mas também à qualidade do crescimento, à capacidade de geração de empregos e à percepção de acessibilidade das oportunidades disponíveis, como ressaltam estudos internacionais sobre participação e subutilização da força de trabalho (Daly, Hobijn e Şahin, 2012).

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As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 

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