Construção

MCMV: otimismo será testado ante forte elevação dos custos

30 abr 2026

As empresas que operam com o MCMV – o programa aumentou as faixas de atendimento com a incorporação da faixa 4 – mostram uma percepção bastante positiva da situação atual. Burocracia continua um entrave, mas já há sinais de preocupação com os custos.

Em 2025, todas as pesquisas mostraram o protagonismo do programa Minha Casa Minha Vida como alavancador dos negócios do mercado imobiliário do país. O programa predominou entre os lançamentos e vendas realizados.

Desde seu lançamento em 2009, o programa passou por algumas alterações, muitas relacionadas à curva de aprendizado esperada de um programa dessa dimensão e outras de adaptação a um cenário macroeconômico por vezes desafiador ao comprador de imóveis.

O programa mudou de nome, foi reeditado e recuperou o nome. Em 2025 viu aumentar as faixas de atendimento com a incorporação da faixa 4, voltada para famílias de renda média. Essa última alteração teve como objetivo atender à parcela das famílias imediatamente depois da faixa 3, que, por conta das altas taxas do financiamento fora do programa, estavam com dificuldades de acesso ao crédito habitacional. Mais recursos foram adicionados por meio do Fundo Social e o orçamento do FGTS em 2026 alcançou um patamar recorde, que deve permitir o governo alcançar, ou pelo menos ficar muito próximo da meta de contratação de 3 milhões de unidades entre 2023 e 2026.

A atualização das faixas de renda e valor teto dos imóveis foram as últimas mudanças efetuadas em 2026.[1]

O cenário em 2026 mostra-se menos desafiador para o mercado de média renda ante a perspectiva de queda das taxas de juros e maior oferta de crédito. A guerra no Oriente Médio e seus impactos na inflação podem afetar essas perspectivas, entretanto, ainda se espera um aumento das contratações fora do programa. De todo modo, o MCMV deverá ser novamente o protagonista do mercado.

 A sondagem da construção confirma essa percepção, apontando um grande otimismo das empresas que operam com o MCMV.  A sondagem foi realizada com 742 empresas do setor em março e apontou que 34,5% das empresas de Edificações Residenciais e de Incorporação operam com o programa.

Em linha com o que tem sido levantado nas pesquisas anteriores, o principal problema que as empresas enfrentam é a burocracia, com 41,6% de assinalações. Em relação à pesquisa de setembro do ano passado, houve redução nesse quesito, enquanto cresceram as assinalações em custo da mão de obra e dos materiais.   

Empresas de Edificações Residenciais - Principais dificuldades em relação ao programa MCMV*, % de assinalações

* Comporta mais de uma assinalação

Fonte: FGV IBRE

Um destaque importante em relação à sondagem realizada em setembro foi a recuperação do otimismo as empresas. Vale lembrar que em setembro de 2025, apenas 19,4% disseram que situação estava boa, enquanto 21,7% apontaram uma situação ruim. Elas também indicaram que a carteira de contratos havia diminuído. Na comparação com o grupo de empresas que não operavam com o MCMV não havia diferença significativa: a percepção sobre a situação corrente era igualmente negativa. Apenas em relação às expectativas sobre a demanda dos próximos meses e à tendência dos negócios, havia uma diferença mais clara em favor das empresas do programa.

Em março, enquanto para as empresas fora do programa, o saldo de assinalações entre uma situação de negócios corrente boa e ruim ficou negativo (- 4,1 p.p), para aquelas do MCMV, o saldo pulou para 15,8 p.p.

No que diz respeito às expectativas de demanda para os próximos meses, o saldo é positivo para os dois grupos, mas a diferença é muito significativa: as empresas do programa mostram um otimismo muito superior.

 Empresas de Edificações Residenciais e incorporação- programa MCMV, % de assinalações

Fonte: FGV IBRE

Empresas de Edificações Residenciais e incorporação – demanda prevista: empresas do MCMV x empresas fora do programa, março de 2026, % de assinalações

Fonte: FGV IBRE

O resultado da sondagem mostra, portanto, que em praticamente todos os quesitos analisados, as empresas que operam com o MCMV são mais otimistas em relação à média do mercado.  Mas já há sinais de preocupação com a elevação dos custos.

Em abril os aumentos mais expressivos foram anunciados pelos fornecedores e o INCC já captou parte relevante desses aumentos. Esse novo cenário traz mais desafios especialmente para as empresas do MCMV. Projetos, orçamentos foram realizados dentro de um contexto que começou a mudar e deve ter efeitos duradouros.  Haverá impactos sobre o ritmo de contratações e produção?


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 

 

[1] Faixa 1: até R$ 3.200 de renda (antes R$ 2.850)                                                                                                    

Faixa 2: até R$ 5.000 de renda (antes R$ 4.700)                                                                                                       

Faixa 3: até R$ 9.600 de renda (antes R$ 8.600), com teto do imóvel ampliado de R$ 350 mil para R$ 400 mil                                                                                                                                                       

Faixa 4: até R$ 13.000 de renda (antes R$ 12.000), com teto do imóvel ampliado de R$ 500 mil para R$ 600 mil                                                                                                                    

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