Hiato do PIB positivo há três anos

Hiato do produto atingiu 3,4% em 2025, sustentando valor positivo desde 2023, com crescimento efetivo (9%) superando o potencial (4%) nos últimos três anos. Produtividade e PTF mostram estagnação, com esta segunda em patamar historicamente alto.
O hiato do produto[1] no quarto trimestre de 2025 foi estimado em 3,4%. Há três anos, desde o primeiro trimestre de 2023, o hiato do produto se tornou positivo, após passar oito anos em terreno negativo (desde o terceiro trimestre de 2014). O Gráfico 1 ilustra essa reversão na trajetória do hiato, evidenciando a ausência de capacidade ociosa na economia nos últimos doze trimestres.

Fonte: informações primárias do IBGE (PIB, FBKF, trabalho), da FGV (NUCI) - elaboração própria.
O CODACE-FGV datou o início do ciclo recessivo no primeiro trimestre de 2014, e este perdurou até 2016. Antes daquele momento, o produto potencial e o efetivo cresciam simultaneamente em média 4% ao ano. De 2016 até 2023, ambos apresentaram crescimento desigual, mas com taxas relativamente próximas: a taxa de crescimento do produto potencial caiu para apenas 0,4% ao ano, enquanto a do efetivo cresceu apenas 0,5%, ambos praticamente estagnados. A partir do segundo trimestre de 2023, o produto efetivo começou a crescer de forma mais robusta, superior ao crescimento do produto potencial. Enquanto o produto potencial cresceu 4% durante os últimos três anos, o produto efetivo cresceu 9%, tornando o hiato do produto positivo – em 2025 o hiato foi de 3,4% nos quatro trimestres.
O Gráfico 2 mostra que a produtividade do trabalho evolui acima da produtividade do capital durante a maior parte do período desde 1995. A produtividade do trabalho e do capital passaram por um período de forte crescimento a partir de 2005, até 2014, quando a produtividade do trabalho passou a ficar estagnada e a do capital decresceu, voltando depois a crescer e a ficar estagnada junto com a produtividade do trabalho.

Fonte: informações primárias do IBGE (PIB, FBKF, trabalho), da FGV (NUCI) - elaboração própria.
O Gráfico 3 mostra que a PTF apresentou vigorosa tendência de crescimento a partir da segunda metade dos anos 90 até 2011, declinou até o final da recessão em 2016, voltando a crescer até 2021 e ficando estagnada a partir daí até o fim do período analisado. Desde então, embora a PTF permaneça em níveis historicamente altos, está estagnada, com leve tendência a crescer; seu nível atual é levemente superior ao registrado no segundo trimestre de 2010, que havia sido seu pico.

Fonte: informações primárias do IBGE - Elaboração própria
O Gráfico 4 abaixo mostra a utilização dos Fatores de Produção – capital e trabalho – em comparação com os seus potenciais: desde 2023 eles estão sendo utilizados acima de seus potenciais, embora tenha havido uma pequena queda no quarto trimestre de 2025.

Fonte: informações primárias do IBGE - Elaboração própria
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.
[1]A partir de 2023, fizemos um aprimoramento em nosso método de cálculo do produto potencial, que envolve o tratamento da variável Produtividade Total dos Fatores (PTF). Essa variável não é mais considerada um resíduo da função de produção, após a estimativa do capital e do trabalho utilizados. Doravante, a reconhecemos como a tendência daquela série obtida pelo resíduo, após aplicação de método de filtragem (HP). Isso resulta em uma série com menos ruído e volatilidade.










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