Trabalho

Mercado de trabalho: inflação de alimentos e mudança estrutural reduzem sensação de bem-estar

12 mai 2026

Desemprego recorde de 5,6% no 3T25 não elevou sensação de bem-estar devido a mudanças estruturais (educação/idade), concentração em vagas de baixa produtividade e inflação da comida acima do IPCA, que corrói renda real, especialmente dos pobres.

Nos últimos anos a taxa de desemprego tem caído de forma consistente no Brasil, chegando a 5,6% no terceiro trimestre de 2025, uma baixa recorde. Conjuntamente com essa queda, tem ocorrido aumento no número de pessoas ocupadas e elevação da remuneração média do trabalho. Entre o quarto trimestre de 2019 e o terceiro de 2025, o emprego cresceu a um ritmo anual médio de 1,5%, e o rendimento real, a 1,4%.

O emprego formal tem sido o grande responsável pelo aumento da população ocupada (PO), principalmente depois de 2021. Entre o último trimestre de 2019 e o terceiro de 2025, o emprego formal cresceu a uma média anual de 2,2%, comparado a 0,2% para o informal. Já o comportamento da renda foi inverso no mesmo período: cresceu a um ritmo de 0,6% no mercado formal, e a 2,8% no informal.

De qualquer forma, a trajetória dos indicadores do mercado de trabalho nos últimos anos parece muito positiva. Apesar disso, a percepção de bem-estar econômico da população não tem apontado na mesma direção. Esse aparente descompasso entre a evolução dos indicadores do mercado de trabalho e a percepção de bem-estar levanta questões relevantes para a interpretação do atual momento da economia brasileira.

Leia aqui a Carta do IBRE de abril/2026 na íntegra.


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.

Comentários

Eli Moreno
Esse descompasso tem, pelo menos, uma explicação. Se de um lado as estatísticas do IBGE apontam "pleno emprego", a realidade é que "emprego" não tem sido sinônimo de qualidade. O IBGE aponta que, além de um contingente enorme de pessoas que se encontram desempregadas mas desistiram de procurar emprego (desalento), cerca de 14% da força potencial vivem de trabalhos precários, sem renda fixa e sem qualquer segurança social. Essas pessoas, mesmo vivendo de bicos, mesmo trabalhando apenas uma hora na semana da pesquisa e mesmo sem remuneração em dinheiro (podendo ser por alimentação, moradia ou qualquer outro tipo de compensação, segundo metodologia do IBGE), não são consideradas "desempregadas". E se não entram nas estatísticas de desocupação, cria-se a ilusão de que o nível de emprego é excepcional, de "pleno emprego". Essa realidade cria um sentimento de bem-estar na sociedade diferente das estatísticas oficiais. Fazer apologia do "pleno emprego" é ignorar a realidade do povo. Pouco importa o nome oficial que se dê ao desemprego quando a qualidade das ocupações é que transmite o sentimento de que estatística oficial é ilusão.

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