Quando o mundo encurta a maturidade da dívida, o Brasil encurta a duration

Com juros longos altos, governos mundo afora encurtam o prazo da dívida. O Brasil tem uma saída própria, a LFT, que reduz a duration sem encurtar na mesma proporção a maturidade. O preço é maior exposição à Selic, e a solução de fundo é fiscal.
Em janeiro de 2019, Olivier Blanchard, ex-economista-chefe do FMI, elucidou em seu discurso presidencial na American Economic Association aquele que talvez fosse o alicerce da discussão macroeconômica da época: dívida pública e juros baixos.
Sob a égide de mais de uma década de crescimento e juros excepcionalmente baixos, sua provocação era que o custo fiscal da dívida poderia ser muito menor do que a discussão tradicional sugeria. Em um mundo no qual a taxa de juros segura permanecia abaixo da taxa de crescimento da economia, utilizar política fiscal expansionista para estimular uma atividade persistentemente fraca tornava-se, ao menos, uma recomendação defensável. [1]
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.
[1] Olivier Blanchard, “Public Debt and Low Interest Rates”, Presidential Address da American Economic Association, posteriormente publicado na American Economic Review, v. 109, n. 4, 2019. A conclusão de Blanchard era mais cuidadosa do que dizer que a dívida havia deixado de ser um problema: o argumento era que, sob r<g, seus custos fiscais poderiam ser substancialmente menores, embora permanecessem riscos e custos de bem-estar.










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