Mercado de Trabalho

Aumento de emprego, perda de renda

28 mar 2022

Em 2021, o mercado de trabalho teve forte recuperação do emprego, com nível acima do pré pandemia, e massa de rendimentos do trabalho teve duas quedas consecutivas nos últimos dois trimestres do ano. Neste movimento da renda do trabalho, composição perdeu importância.

Em 2021, o mercado de trabalho mostrou forte recuperação do emprego, com nível acima do pré pandemia. No entanto, a massa de rendimentos do trabalho, mesmo tendo iniciado trajetória de alta a partir do terceiro trimestre de 2020, teve duas quedas consecutivas nos últimos dois trimestres de 2021, como mostra o gráfico abaixo. Assim, o indicador está ainda mais de 8% abaixo do nível do último trimestre de 2019.

Gráfico 1: Massa de rendimentos do trabalho em relação ao nível médio de 2014

Fonte: PNADC (IBGE). Elaboração: FGV IBRE

A massa de rendimentos do trabalho pode ser decomposta em três componentes: renda por hora trabalhada, jornada média e número de trabalhadores ocupados (com renda). A multiplicação dessas três componentes resulta na própria massa. Da mesma forma, a variação desse indicador agregado pode ser aproximadamente decomposta pela soma das variações dessas mesmas variáveis.

O gráficos abaixo mostram a decomposição da massa de rendimentos do trabalho, tanto trimestralmente (com ajuste sazonal) quanto anualmente. Evidencia-se comportamento oposto entre a renda por hora trabalhada e o nível de emprego, com a primeira crescendo no início da pandemia, mas caindo rapidamente durante a recuperação do número de empregados. Já a jornada média, após uma forte queda no segundo trimestre de 2020, se recuperou rapidamente, e hoje está em nível pouco acima do de 2019.

Gráficos 2: Decomposição da Massa de Rendimentos

Fonte: PNADC (IBGE). Elaboração: FGV IBRE

Assim, percebe-se que o comportamento do rendimento médio foi determinante para a determinação dos movimentos da massa. As flutuações da média de renda podem ser compreendidas como alterações nos grupos de trabalhadores empregados (efeito composição), ou na renda que cada um desses passou a receber (efeito nível).

No entanto, a composição setorial está relativamente próxima do período pré pandemia, apesar de ter mudado fortemente durante a crise sanitária, com maior participação de setores formais. Entre as únicas mudanças, como mostra o gráfico abaixo, serviços formais perderam espaço (-1,4p.p.) para agropecuária informal (0,6p.p.) e indústria informal (0,5p.p.). Desse modo, observa-se que houve maior participação de setores de bens, fora da formalidade.


Leia aqui o artigo completo no Boletim Macro Ibre de março de 2022 na sua versão digital.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 

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