Carta do IBRE: A malfadada agenda do ajuste fiscal

04/10/2018

Faltam cerca de três meses para o início de um novo mandato presidencial. Os desafios são muitos. Saúde, educação, segurança pública – há uma miríade de setores que demandarão a atenção dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A questão da empregabilidade, por seu turno, exige providências rápidas que viabilizem a criação e a melhoria dos postos de trabalho. Como de costume, existe grande expectativa quanto às respostas que serão dadas à população a partir da posse do novo presidente da República.

Embora a agenda esteja repleta de temas instigantes, creio que um em especial atrairá o foco da área econômica: as contas públicas. Ao se colocar uma lupa nos dados fiscais, a urgência no reequilíbrio orçamentário salta aos olhos. Em debate publicado no jornal Valor Econômico de 6/8, pesquisadores do FGV IBRE apresentaram números e apontaram o tamanho do problema a ser enfrentado. 

Em linhas gerais, a dívida bruta do setor público está em cerca de 75% do PIB, enquanto o déficit primário anual reside na faixa de 2% do PIB. Embora o montante devido seja elevado quando comparado ao dos países em desenvolvimento, ainda é perfeitamente administrável. O problema se encontra no fluxo, isto é, no que se espera de resultado primário para os próximos anos. Se nada for feito em termos de mudanças nos programas que existem hoje, as receitas geradas e os custos despendidos levarão a um cenário ainda mais deteriorado. Segundo previsão da equipe do Boletim Macro do IBRE, em 2026 o déficit terá crescido para 3,6% do PIB, o que fará a dívida disparar e se tornar “impagável”. Assim, como um primeiro passo, uma reforma da Previdência viria para estabilizar o fluxo. Grosso modo, eliminaria a tendência de piora do déficit fiscal. Contido no patamar de 2% do PIB, faltaria algo como pelo menos 4% do PIB de melhora no resultado primário anual para que a insolvência saísse do radar.

Leia a integra da Carta do IBRE de outubro no Portal IBRE.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 

 

 

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