Fim do descolamento entre a economia e a política

31/07/2018

O governo Temer era a ponte para o futuro. A forte turbulência no segundo semestre de 2015 – fruto da frustração com a capacidade da presidente Dilma, auxiliada pelo ministro Joaquim Levy, de aprovar medidas no Congresso Nacional que solucionassem o desequilíbrio fiscal estrutural – foi “devolvida” com o movimento do impedimento da presidente no primeiro semestre de 2016. Isto é, a aguda piora dos indicadores econômico-financeiros reverteu-se com o processo de destituição da presidente.

A perspectiva de troca de guarda no Planalto e, consequentemente, de arrefecimento da crise política sinalizava que nossos problemas estruturais seriam enfrentados. O governo Temer seria uma ponte que arrumaria o fiscal com a aprovação da reforma da Previdência, a medida mais importante nesta área, e legaria condições de governabilidade bem melhores para seu sucessor ou sucessora. Evidentemente, se tudo desse muito certo e o país estivesse bem em 2018, Temer seria candidato natural à continuidade.

O choque político de 17 de maio de 2017 – a divulgação da gravação no Palácio do Jaburu, em condições heterodoxas, da conversa entre o presidente Temer e o empresário Joesley Batista – transformou a ponte para o futuro em uma pinguela.

Desapareceram as condições políticas para a aprovação da reforma da Previdência. Nesse momento, passamos a vivenciar situação de estranho descolamento da política em relação à economia. A política parou de andar. Não obstante, e diferentemente do que ocorrera no segundo semestre de 2015, o mercado não se assustou com a evolução da dívida pública e com a paralisia decisória do Congresso Nacional.

Leia na íntegra na coluna Ponto de Vista, da Revista Conjuntura Econômica.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 

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