Samuel Pessoa

Samuel de Abreu Pessoa. Físico e professor de economia, é pesquisador do FGV IBRE e sócio diretor do Julius Baer Family Office.

Sinais de recuperação, mas evolução da pandemia no Brasil preocupa

Há dois meses o FMI divulgou seu cenário para 2020 e 2021. O Fundo trabalha com uma visão otimista de recuperação em ‘V’ das economias. As taxas trimestrais de crescimento (anualizadas) da economia global, a partir do primeiro trimestre de 2020 e até o quarto trimestre de 2021, serão de, respectivamente: -15%, -14%, 23%, 8%, 6%, 4%, 5% e 4%. O ano de 2020 fechará com recuo 3%, e 2021 terá crescimento de 6%.

Resposta a Marcelo Medeiros: como julgar a qualidade dos impostos e por que não descarto nenhum

Domingo passado (7/6), em minha coluna da Folha, escrevi o seguinte sobre o imposto sobre grandes fortunas (IGF):

Há pelo menos três problemas com o IGF. Primeiro, representa bitributação, visto que riqueza é renda acumulada e a renda já foi tributada. Segundo, tem elevadíssimo custo de processamento. Terceiro, incide sobre uma riqueza ilíquida. A pessoa teria que vender o patrimônio para pagar o imposto.

Acompanhamento da China e do mundo pós Covid-19

Como já tratamos neste espaço, em abril o FMI divulgou seu cenário da atividade econômica para 2020 e 2021. Essencialmente fomos informados de que a economia mundial recuaria 3% em 2020 e cresceria 5,8% em 2021. As projeções anteriores, antes da eclosão da fase aguda da crise da Covid-19, eram de crescimento de, respectivamente, 3,3% e 3,4% em 2020 e 2021. Houve, portanto, com relação à projeção anterior à pandemia, queda de 6,3 pontos percentuais (pp) em 2020 e crescimento de 2,4pp em 2021.

China: o que dá para enxergar até o momento

Passamos por uma crise sem precedentes. Não somente na intensidade – ainda não está claro se a queda da atividade econômica no mundo será menor ou maior do que o evento de 2008/2009 –, mas também pela natureza do fenômeno.

A crise não nasceu no setor financeiro. Ela originou-se no setor real, que em função de uma epidemia, teve que ser desligado, e atingiu o setor financeiro posteriormente.

Teremos que conviver com o vírus

Há três estratégias de enfrentamento da pandemia: contenção, mitigação e supressão. Supressão é o que temos feito. Reduz-se a praticamente zero a interação social presencial. Mantêm-se as atividades e serviços públicos essenciais, além daquelas atividades fundamentais à vida doméstica: produção e distribuição de alimentos, de produtos de higiene e limpeza pessoal e de medicamentos.

A mitigação é um caso atenuado de supressão. Um conjunto maior de atividades são mantidas.

A crise econômica produzida pelo Covid-19

Trata-se de uma gripe de elevada letalidade (mas não elevadíssima) e com fácil transmissão. Aparentemente menor em climas quentes e úmidos. O problema é que diversos doentes precisam de recursos hospitalares. Caso contrário a letalidade eleva-se muito. Ou seja, apesar de ser uma gripe, para muitos doentes a prescrição típica para gripe – cama, chá, alimentação leve e um bom livro – não se aplica. A letalidade depende muito da disponibilidade de recursos para tratamento.

O que se passa com o setor externo?

O Banco Central já tem os números fechados para as contas externas de 2019. A economia apresentou um déficit de transações correntes de US$ 50,7 bilhões, ou 2,8% do PIB.

A perplexidade decorre de a economia ter crescido muito pouco – segundo projeções do FGV IBRE, em 2019, a economia cresceu 1,2% – e de haver expressiva ociosidade, o que parece não combinar com um déficit externo daquela magnitude.

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