Greve dos caminhoneiros: erros da nova matriz e esgotamento do contrato social

27/06/2018

Com grande velocidade a greve dos caminhoneiros desorganizou a produção e a vida das pessoas. Em menos de uma semana as cidades brasileiras viviam clima de feriado, com longas filas nos poucos postos de gasolina com combustíveis, enquanto diversas atividades produtivas estavam paradas. Produtores de leite não conseguiram escoar a produção e granjeiros viram frangos e porcos morrerem por falta de ração. Somente para ficarmos nos setores com maior impacto midiático.

Já abordei neste espaço que a depressão da economia brasileira – a perda entre 2014 e 2016 de 9% de PIB per capita – resultou do esgotamento de duas agendas da formulação das políticas públicas, que são independentes, mas interagem e se reforçaram.

A primeira agenda é a que chamei no longínquo 2006 de “contrato social da redemocratização”. Trata-se do desejo da sociedade, expresso pelo Congresso Constituinte de 1988 e consubstanciado no texto constitucional, de construir no Brasil um Estado de bem-estar social de padrão europeu continental. Essa escolha social, além de ter sido impressa na Constituição, tem sido referendada em todos os pleitos eleitorais desde então e, consequentemente, reforçada nas legislações que se seguiram à Carta Magna. O contrato social da redemocratização explica a forte elevação do gasto público e, em consequência, da carga tributária.

A segunda agenda da formulação das políticas públicas que explica nossa crise foi o forte intervencionismo. Um conjunto de medidas que posteriormente foi chamado de nova matriz econômica (NME), adotado a partir de 2006, que tinha como objetivo acelerar o crescimento econômico a partir de uma maior intervenção do poder público nos mercados.

Veja a íntegra desta análise na coluna Ponto de Vista da Conjuntura Econômica de junho.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV

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