Intenção de compras de Natal é a maior desde 2014

20/12/2019

Apesar de alguns consumidores anteciparem as compras de Natal na Black Friday, o número diminuiu nos últimos anos, de 33,0% em 2017 para 18,2% em 2019[1]. Ou seja, o evento tem contribuído para aumentar as vendas e não reduzir as compras tradicionais de natal. De acordo com as expectativas do varejo brasileiro, a estimativa é arrecadar R$ 35,9 bilhões, 4,8% acima do ano passado, o maior crescimento de vendas dos últimos seis anos para o período do Natal[2].

Para verificar se as expectativas do's empresários estão em linha com a dos consumidores, a FGV IBRE, desde 2007, vem perguntando aos consumidores sobre suas intenções de compra. A prévia dos resultados, em 2019, mostra uma recuperação do ímpeto de compras natalinas na comparação com os últimos quatro anos, mas o nível ainda pode ser considerado baixo em relação a média histórica.

O indicador, calculado pela diferença entre as respostas favoráveis (gastar mais) e desfavoráveis (menos), subiu de 61,1 pontos, em 2018, para 65,5 pontos, em 2019, o maior desde 2014. Com aumento da parcela dos que afirmam que irão gastar mais do que no ano anterior de 8,4% para 9,8% e redução dos que dizem que gastarão menos de 47,2% para 44,4%.

Comparando o Indicador de Intenção de Compras de Natal e as vendas do varejo nos segmentos com maior relação com a data festiva[3], nota-se que o ímpeto para consumir está em linha com o projetado para as vendas em 2019, se considerarmos no cálculo da projeção que a taxa de crescimento do volume de vendas nos dois últimos meses do ano será igual a observada em outubro.

* Dados oficiais até outubro de 2019, supondo as taxas de crescimento de novembro e dezembro desse ano iguais às de 2018, respectivamente. Fonte: FGV IBRE/Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) - IBGE

Contudo existem diferenças entre faixas de renda, as famílias com renda mensal até R$ 2.100 são os mais pessimistas: 56,9% pretendem gastar menos e apenas 5,4% acreditam que irão gastar mais. Contudo, vale ressaltar que essas famílias estão mais otimistas em relação a 2018: 61,1% declararam gastar menos e apenas 2,2% projetam maiores gastos. A cautela pode estar relacionada ao nível de endividamento ainda elevado desses consumidores em relação aos demais. Já para os consumidores com maior poder aquisitivo, com renda familiar acima de R$ 9.600, 11,9% estimam gastar mais (ante 12,6% em 2018) e 57,6% o mesmo montante do ano anterior (57,3% em 2018).

Diferente do registrado em 2018, a melhora das vendas se reflete no aumento das vendas de produtos de maior valor adicionado. Em 2019, a proporção de consumidores que pretende gastar mais de R$ 100 passou de 24,2% para 27,5%. Além disso, 3,4% dos consumidores pretendem gastar mais de R$ 500 em presentes, o maior nível da série histórica.

O preço médio real previsto[5] para os presentes de natal também aumentou 21% entre 2018 e 2019, ao passar de R$86 para R$104. O aumento do ticket médio ocorre para todos os consumidores de forma crescente, isso é, quanto maior a renda maior o valor estimado para o gasto.

Itens mais procurados

Assim como nos anos anteriores, roupas e brinquedos continuam sendo os itens preferidos na lista de natal com 43,0% e 19,6% das citações, respectivamente, um ligeiro aumento em relação ao ano anterior (42,3% e 17,8%). Presentes como perfume, eletroeletrônicos, alimentos, bebidas e eletrodomésticos tiveram maior preferência dentre os consumidores nesse ano, embora que somadas as parcelas esses produtos representem pouco mais de 10% hoje. Itens como lembrancinhas, livros e artigos pessoais, por outro lado, registraram queda de preferência entre 2018 e 2019.

Todos os dados contidos neste relatório são ajustados por sazonalidade, exceto quando expressamente indicado.

Os dados foram obtidos com a previa de resultados da Sondagem do Consumidor até o dia 14 de dezembro de 2019. Informações mais detalhadas sobre a Sondagem do Consumidor estão disponíveis no site www.fgv.br/ibre.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 


[1] Quesito especial Black Friday da Sondagem do Consumidor referente a novembro.

[2] Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

[3] Dados calculados a partir de prévia da Sondagem do Consumidor apurada até o dia 14 de Dezembro

2 Agregação dos segmentos Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, Tecidos, vestuário e calçados, Móveis e eletrodomésticos, Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos de perfumaria e cosméticos da PMC.

 

[5] Considerando-se o ponto médio de cada faixa de presentes.

[6] Valores deflacionados em novembro de 2019 pelo IPCA.

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