Cenários

Medindo ancoragem/desancoragem das expectativas

6 mar 2026

Atualmente no Brasil expectativas de inflação estão desancoradas. Estudo mostra que ancoragem das expectativas é elemento chave de boa condução da política monetária, contribuindo para convergência da inflação para a meta, com menor custo social. 

“As expectativas de inflação de longo prazo variam ao longo do tempo. Ou seja, elas não estão perfeitamente ancoradas nas economias reais; além disso, o grau de ancoragem pode mudar, dependendo da evolução econômica e (o mais importante) da condução atual e passada da política monetária” - Bernanke (2007)

Como destacado no editorial do Boletim Macro IBRE de fevereiro, tudo indica que o Banco Central (BC) vai iniciar o ciclo de cortes de juros em março. Um dos aspectos destacados pela autoridade monetária é que as expectativas de inflação, a despeito de seguirem trajetória de declínio para horizontes mais curtos, ainda permanecem acima da meta de inflação. Para horizontes mais longos estão estáveis e permanecem acima da meta. Conforme destacado na ata da reunião do dia 28 de janeiro: “o custo de desinflação sobre o nível de atividade ao longo do tempo é maior em ambientes com expectativas desancoradas. O Comitê avalia que perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária favorecerão a continuidade desse movimento, importante para a convergência da inflação à meta com menor custo. A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado.”

A frase destacada da ata reflete um consenso entre os banqueiros centrais: as expectativas ancoradas tornam a inflação em prazos mais longos menos sensível aos choques inflacionários – que são muito frequentes nas economias. Isso permite que o processo inflacionário seja contido com menor redução da atividade econômica, ou seja, há menor perda de bem-estar para a sociedade. No entanto, como sugere a citação inicial de Bernanke (2007), os bancos centrais não podem considerar que a ancoragem das expectativas esteja garantida. Ela pode depender de como o próprio banco central conduz a política monetária. Evidentemente, ela também pode depender da condução da política fiscal e de outros fatores que podem restringir a atuação da política monetária.

Mas como a literatura define e mensura ancoragem/desancoragem das expectativas? E quais são as principais implicações macroeconômicas de um regime com desancoragem?

Leia o artigo na íntegra neste link.


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva da autora, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 

Deixar Comentário

To prevent automated spam submissions leave this field empty.
Ensino