O impacto da nova matriz econômica: resposta a Bráulio Borges

28/09/2017

Escrevi este artigo em coautoria com meu colega de profissão “Macroeconometrista X”. No texto abaixo, respondemos a post de Bráulio Borges neste Blog do Ibre, e mostramos por que as críticas à nova matriz econômica (NME) não são exageradas.

HAMLET (a Horácio): Renuncia ainda um tempo à bem-aventurança,

E mantém teu sopro de vida neste mundo de dor,

Pra contar a minha história da NME.

 

Ato I: Intróito a uma resposta

Em texto recente, o economista Bráulio Borges volta ao debate acerca do impacto da nova matriz econômica (NME) sobre o desempenho econômico do Brasil. Resumidamente, Bráulio defende – e para mérito seu, usando dados – que os alegados danos causados pela NME têm sido inflados pelos críticos da política econômica praticada durante o primeiro mandato da presidente Dilma.

Nós discordamos, e apresentamos aqui nossa leitura empírica dos fatos.

Ato II, cena I: Entra Bráulio, o defensor da tese de que a NME está sendo exageradamente criticada

Em sua análise, Bráulio considera dois intervalos de tempos, a saber, antes e depois da NME, e ajusta o intervalo de tempo também a um corte temporal na conjuntura internacional: antes e depois do ciclo de commodities. Isso o leva a um corte de apenas dois períodos -- 1999-2011 e 2012-2017 – com a hipótese subjacente de que há certa coincidência entre os anos de vigência da NME e o fim do super ciclo de commodities.

Em seguida Bráulio considera países emergentes de renda próxima à brasileira e que sejam exportadores de commodities. O grupo de controle que Bráulio escolhe (“por que exatamente esse, ó Bráulio?”) é formado por: África do Sul, Argélia, Angola, Argentina, Azerbaijão, Brunei, Cazaquistão, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Gabão, Guatemala, Guiana, Indonésia, Malásia, Paraguai, Peru, Rússia, Trinidad & Tobago, Turcomenistão, Uruguai e Venezuela.

Quanto o Brasil cresceu abaixo do grupo de controle ao passar do período I para o II, se pergunta Borges?

Em uma primeira aproximação, essa seria a medida do impacto da política econômica de “má qualidade” (segundo críticos, como nós) adotada em Pindorama. Bem, o Brasil desacelerou em 3,3 pontos percentuais (pp) – de 2,1% do período I para -1,2% no período II – enquanto a mediana do grupo de controle, no caso o Chile, desacelerou em 1,2pp – de 3% para 1,7%. Assim, uma primeira estimativa do efeito de nossos anos de heterodoxia teria sido algo como 3,3-1,2 = 2,1pp por ano! Em números, uma perda no nível do produto em 2017 de 13% ou 830 bilhões de reais aproximadamente.

É bastante, mas Bráulio argumenta que esse número não é bom, que há de se considerar outros eventos exógenos à política econômica, além da dinâmica da economia mundial. Bráulio pondera que eventos exógenos (seriam eles também idiossincráticos?) influenciaram adversamente o desempenho de nossa economia: a queda do preço do petróleo, a crise energética e a operação Lava-Jato.

Isolando o impacto desses efeitos, Bráulio conclui que de 40% a 60% da desaceleração pode ser atribuída à bad policy e, portanto, de 60% a 40% a pura e simples má sorte, ou bad luck, ou “Deus não é brasileiro, não senhor”. Se considerarmos o ponto médio do intervalo de Bráulio, 50%, a política econômica explicaria então 1,65pp (3,3 dividido por 2) em termos de perda de crescimento anual, ou 10% no nível do produto em 2017.

Bráulio também argumenta que o PIB é mal medido e que, se considerarmos a evolução da energia elétrica, a diferença entre os dois períodos não seria de 3,3pp, mas sim de 2,3pp (“seria a energia elétrica uma estatística suficiente, ó Borges?”). Assim, após os devidos ajustes (ver a tabela abaixo), no máximo a NME explicaria menos de um terço da desaceleração. Usemos o ponto médio brauliano: 0,55% (1,1/2) de crescimento por ano ou 3% de perda de PIB em 2017 (equivalente a 190 bilhões de reais ou 63 bilhões de reais de perda de receita).

Ato III: sai Bráulio, entram os críticos

Em nossa interpretação, a peça produzida por Bráulio tem problemas de natureza empírica e também problemas “teóricos”, como: escolha arbitrária do grupo de controle; hipótese de que o impacto de choques sobre a economia independe da política econômica vigente e uma certa bipolaridade em relação aos dados disponíveis: depressivo com o PIB do IBGE e eufórico com a correlação entre PIB e consumo de energia elétrica.

Ato III, cena I: seria o IBGE o vilão?

Para que a afirmação de Bráulio de que o erro de medida retira 1pp fosse verdadeira, teríamos que acreditar que o IBGE tem sistematicamente medido mal o produto, que esse erro de medida é associado à trajetória da energia elétrica e que o erro de medida ocorre em períodos curtos, ou seja, pode aparecer e desaparecer tão rapidamente como o espectro do rei Hamlet.

Convenhamos, parece muito improvável. Como um erro de medida em nível pode resistir a variações de taxas (que em si já são variações!?)?

Formalmente, a taxa de crescimento do PIB verdadeiro é dada por 

em que  y é o produto per capita, x  é a taxa de crecimento medida pelo IBGE e  é o erro de medida. A hipótese de Bráulio e a evidência de Bráulio a partir dos dados de consumo de energia elétrica é que  > 0. Note que, como o erro de medida é na taxa de crescimento, o erro de medida no nível é proporcional ao nível do PIB, isto é:

em que y'  é o produto no período posterior.

Formalmente, considerando 1998 o ano zero, 1999 o ano 1, 2011 o ano n, 2012 o ano n + 1 , e 2017 o ano N , e empregando a aproximação

segue que a diferença da taxa média de crescimento entre os períodos será dada por:

Para que o erro de medida não desapareça em uma análise de diferenças, é necessário que o erro de medida seja proporcional ao crescimento, isto é, ocorra na taxa e não no nível, seja positivo, e que tenha aumentado exatamente no período de vigência da NME. Ou seja, teria que ter ocorrido que:

Algo teria ocorrido com o IBGE que fez com que a subestimativa da taxa de crescimento da economia brasileira tivesse aumentado exatamente no período da NME? Ou seja, precisaríamos presumir que o IBGE subestima o PIB, que essa subestimativa é multiplicativa e não aditiva, e que esse erro multiplicativo se elevou no período da NME.

Ato III, cena II: ser ou não ser exógenos, eis a questão!

Preço do petróleo é choque exógeno, crise hídrica...vá lá, exógena. Lava-Jato? Dúvida cruel, mas se corrupção é endógena à forma de o governo lidar com um boom de commodities, isto é, com o quanto ele centraliza as decisões econômicas, serão NME e LJ ortogonais?

De todo modo, para lá da nossa dúvida existencial, Bráulio dá um passo largo demais ao supor que o impacto dos choques sobre a economia não é mediado – quer dizer, amplificado ou atenuado -- pela qualidade da política econômica. Por partes agora.

Com relação à crise hídrica é mais do que conhecido que ao menos duas decisões de política econômica agravaram muito o fenômeno exógeno. A primeira foi deixar diversas geradoras descontratadas com a trapalhada da fixação de preços baixos demais no leilão de 2013. Segundo Adriano Pires e Rafael Schechtman em artigo em 31 de outubro daquele ano no Estado de São Paulo:

“Com a intenção de baratear em média 20% da tarifa de eletricidade ao consumidor final, a MP reduziu alguns encargos setoriais incidentes sobre as tarifas e estabeleceu regras para antecipar a renovação das concessões que venceriam no período de 2015 a 2017. As empresas que optassem pela renovação seriam indenizadas pelos seus investimentos ainda não amortizados ou não depreciados, de acordo com cálculos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e passariam a receber uma tarifa pela prestação de serviços de operação e manutenção das usinas, também estabelecida pela Aneel.

A MP teve adesão compulsória de empresas estatais federais, mas não atraiu a Cesp, a Cemig e a Copel, que consideram a medida lesiva aos seus interesses. Com isso, dos 11,8 GW médios de energia firme, cuja renovação era esperada pelo governo, apenas 7,8 GW médios foram efetivamente renovados. E, ao cancelar o leilão de compra de energia existente do ano de 2012, o governo deixou o suprimento às distribuidoras descoberto em 2,1 GW médios em 2013. O governo realizou novo leilão em junho, sem que houvesse ofertantes. Em maio de 2013 e em abril de 2014, dois outros leilões de energia foram realizados, com resultados aquém do esperado, por culpa da fixação pelo governo de preços-teto abaixo do esperado pelos investidores.

Assim, desde maio de 2014 as distribuidoras convivem com uma exposição involuntária de 1,52 GW médio, e são obrigadas a adquirir essa energia no mercado de curto prazo, a preços elevadíssimos, em virtude da conjuntura de baixa hidrologia. Para piorar, no fim de 2014 se encerram os contratos firmados nos dois primeiros leilões de energia existente, realizados em 2004 e em 2005, elevando em mais 2,8 GW médios a exposição involuntária das distribuidoras, que atingirá 4,32 GW médios a partir de janeiro de 2015, o que equivale ao consumo residencial do Estado de São Paulo”.

(http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,dilma-contra-dilma-no-seto....)

Além de deixar as geradoras descontratadas a política de modicidade tarifária estimulou consumo excessivo pelo consumidor residencial, agravando o quadro. Assim Bráulio precisaria limpar da sua conta qual teria sido o efeito da crise hídrica se não tivesse havido esses dois erros sérios de política econômica.

Com relação à queda do preço do petróleo e seus impactos sobre a Petrobrás, lembremo-nos que houve uma série de decisões que elevaram em muito a exposição do país ao risco de queda do preço. Toda a mudança do marco regulatório do petróleo e o atraso em cinco anos dos leilões do pré-sal saíram caríssimos para o país. Não era necessário ser muito inteligente para perceber o tamanho do risco a que os formuladores de política econômica estavam expondo o país. Em parecer sobre o novo marco regulatório preparado em setembro de 2009 ao senador Jereissati, um de nós escreveu:

“Uma questão intrigante é saber o motivo de o governo ter optado por esse caminho. Parece-me que seria muito mais rentável para o país que nós mantivéssemos o atual marco regulatório e retirássemos a riqueza debaixo da terra e transformássemos em valores aplicados em um fundo. Dado o grau elevado de desenvolvimento que nós já temos no setor, certamente muito da atividade seria feita no Brasil; uma parte seria adquirida fora. A indústria do petróleo não é uma indústria recente no Brasil. Trata-se de uma indústria madura e não de uma indústria infantil. Não se aplicam os argumentos usuais para proteção ou para política industrial. É possível que essa onda de política industrial nos custe mais de 200 bilhões de reais (o que ocorrerá, a partir da simulação da tabela acima, se o câmbio for qualquer coisa acima de 1,56 real por dólares). Além disto, estaremos colocando muito dinheiro público para estimular uma indústria que, possivelmente não existirá em algumas décadas. Vale lembrar o enorme esforço que os EUA farão para encontrar nas próximas décadas um substituto para o petróleo. O risco é enorme. Parece-me que, de fato, o grande objetivo do governo com toda essa alteração é colocar a Petrobrás como uma grande operadora de política industrial”.

Preços de commodities sobem e descem e prever preços futuros de commodities (e câmbio) é muito difícil. Por que os formuladores não tomaram isso em conta, por que acharam que o preço só poderia subir?

Governança de qualidade, sabemos da teoria micro e dos estudos de Nick Bloom e co-autores, importa muito. No caso da Petro, o gigantismo da empresa e a incompetência generalizada, como sinalizam os elevadíssimos custos com as obras das refinarias, devem explicar boa parcela da queda do preço das ações. Quanto não sabemos, mas jogar a conta dos problemas da Petrobrás na queda do preço do petróleo nos mercados internacionais sem considerar que inúmeras medidas foram tomadas desde 2003 que elevaram a exposição da empresa ao risco de queda de preço, bem como agravaram problemas de gestão, não é correto.

Resumindo: verticaliza-se a empresa até o limite; horizontaliza-se ao obrigá-la a entrar na área de biocombustíveis e etanol; diluem-se os minoritários; congela-se o preço da gasolina; impõem-se excessivos requerimentos de conteúdo nacional aos fornecedores, mudam o marco regulatório do petróleo; desperdiçam a janela dos preços elevados do produto ao ficarmos cinco anos sem leilões; e o que explica a catástrofe é a queda do preço do petróleo? Haja indulgência!

Similarmente, sugerir que a queda do setor de construção civil deveu-se à operação Lava Jato também soa como colocar peso total no fator que favorece sua tese e zero para outros. O forte ciclo de investimento imobiliário produzido por diversas empresas de capital aberto começou a apresentar problemas em 2011-2012. Um índice composto com as empresas Cirela, MRV, Even, Tecnisa, Ez Tec, Gafisa, PDG, Helbor, Rossi e Direcional cai fortemente a partir de outubro de 2010, acusando queda de 70% em setembro de 2015. Esse ciclo de boom-bust nada teve a ver com a política econômica do senta-a-pua como se não houvesse amanhã? Muito provavelmente, tem a ver. Mas Bráulio desconsidera esse fator. Adicionalmente, houve clara queda do investimento com o programa minha casa minha vida (MCMV), consequência do esgotamento financeiro do Tesouro Nacional (em função da política fiscal de gastar mais e tributar menos!). Os investimentos da Petrobrás e dos estaleiros e da empresa Sete Brasil, sim, devem ter sido afetados pela operação LJ, mas também por excessos passados que levaram ao esgotamento fiscal do Tesouro Nacional, do BNDES e das empresas estatais. O mesmo vale para os investimentos da administração direta que caíram em função do esgotamento fiscal do Estado brasileiro, que, certamente, teve impacto sobre o setor da construção civil.

Adicionalmente a operação LJ é ela mesma consequência das escolhas intervencionistas. Se é verdade que a LJ decorre em parte de melhoras legislativas, como a lei que institui a delação premiada, por outro também é verdade que a opção do governo de estatizar em demasia a política de desenvolvimento econômico, com excessivos requerimentos de conteúdo nacional, mudança do marco regulatório do petróleo, alteração do plano de negócios da Petrobrás, intervenção no setor elétrico, etc, agravaram o problema da corrupção sistêmica.

Ato IV, Cena I:  “Duvida da luz dos astros, de que o sol tenha calor, Duvida até da verdade, mas confia em meu amor minha amostra?!?

Bráulio tem o mérito de trazer o debate para os dados, mas constatamos que há diversos problemas em sua análise empírica.

Ato IV, Cena II: O ouro negro

A tabela abaixo apresenta a lista dos 26 países do grupo de controle de Bráulio, além do Brasil. Na primeira coluna, temos o dado da renda petrolífera como proporção do PIB e, na segunda coluna, a diferença em pontos percentuais entre a taxa de crescimento do PIB nos dois períodos para cada país. Valores negativos significam que o crescimento se acelerou no segundo período, e valores positivos indicam queda do crescimento. Os dados foram ordenados em ordem crescente de queda do crescimento. Há diversos países com maior dependência da produção de petróleo que o Brasil que tiveram desempenho superior em termos de crescimento. Por que oscilações no preço do petróleo afetariam esses países de modo distinto? Nossa resposta: diferentes qualidades na estrutura de governança.

Adicionalmente, a crítica que se faz à NME é a um tipo de regime de política econômica, não a governantes diretamente. Nada impede que outras economias tenham adotado o mesmo regime fracassado de política econômica. A forma rigorosa de medir o impacto das NME seria comparar o Brasil com países similares, mas que não praticaram políticas parecidas com a NME e que não alteraram seu regime de política econômica (mais sobre isso nos próximos Atos).

Por esse critério a Venezuela, que consta no grupo de Bráulio, não deveria constar. A política econômica praticada pela Venezuela é um caso de NME com esteróides. Não surpreende que tenha levado o país ao caos completo.

Bráulio, se tivesse rodado uma regressão simples da queda do crescimento entre os períodos na dependência do petróleo, (retirando o enorme outlier representado pelo Gabão) teria notado que a queda do crescimento brasileiro foi 2,6pp maior do que o explicado pela nossa dependência do petróleo. C’est trop!
 

 

Ato IV, Cena III: “Há algo de podre no reino da Dinamarca nesse grupo de controle”

Não se escolhe grupo de controle assim, ao “deus-dará-uma-ajuda-para-minha-tese”. É preciso empregar uma metodologia mais sistemática, sob o risco de termos em mãos uma amostra podre como o reino da Dinamarca.

Com esse fim, à semelhança do artigo de João Manoel e Vinícius Carrasco, usamos aqui a metodologia do sintético. A idéia é simples: construir, com base na estrutura de correlações passadas, a combinação linear de países que melhor mimetiza o país sob análise, nesse caso o Brasil. Isso feito, compara-se o desempenho posterior do país sintético, ou Frankenstein, ou  ,ou “o que seria mas não foi”, com o país real. Em suma, é um modo – bem aceito no mundo acadêmico atualmente – de se construir uma espécie de contrafactual para fins de comparação[1].

O ideal nesse caso é usar o maior número de países possível, de modo agnóstico, e deixar o algoritmo nos contar com “quems” o Brasil mais se parecia até a chegada da NME. Como teste de robustez, no entanto, fizemos o cálculo para quatro amostras diferentes: mundo todo, emergentes, exportadores de commodities (países acima da média da distribuição na variável ores and metals exports, do Banco Mundial) e grupo Bráulio.

A tabela abaixo apresenta o desempenho por ano e o impacto sobre o nível em 2017 derivado desse exercício:
 

Espantem-se, leitores, com a coluna Bráulio: mesmo neste grupo, o Brasil Real apanha feio do Brasil Sintético: cresce 2,6pp a menos por ano! Para os outros grupos a formar a base do sintético, a diferença de desempenho entre Brasil Sintético e Brasil Real é ainda maior, e terminamos com uma média de 3,1 pp ao ano, ou de 20% no total, ou de nada menos nada mais que a bagatela de 1,27 trilhão de reais (uns 420 bilhões de reais de arrecadação).

É esse o tamanho do buraco. Não há choque exógeno adverso e idiossincrático - ou seja, afetando Brasil de modo singular - ou erro de medida do IBGE, ou o que queiram vocês que nos leem, que explique o desastre de crescimento produzido no período de vigência da NME.

Ato IV, Cena IV: “quem sou eu, de onde venho, para onde fui? ”

Até aqui avaliamos o impacto da NME a partir de comparações com outros países e com o Frankenstein sintético no mesmo período. Agora comparamos o atual quadriênio da NME com outros do passado, com nossa própria história de altos e baixos.

Com se vê, desastre parecido só no quadriênio 1981-1984, com medalha de prata. O bronze fica para o longínquo 1913-1916.

Mas é pior do que parece à primeira vista. Quando comparamos o desempenho atual da economia com o de outros períodos de tempo, é necessário controlarmos para a influência da dinâmica de crescimento da população. Para tanto, olhamos tanto para evolução do PIB como a do PIB per capita.

 

 

Concentre-se o leitor no meio dos anos 1980: a forte queda do PIB per capita de então, comparável à atual, é toda “explicada” (no sentido trivial de A/B cai se B sobe) pelo forte crescimento populacional do período. O produto mesmo caiu meros 0,3% naquele quadriênio, ante 1,6% de queda no quadriênio terrível terminado em 2017.

Para avaliarmos o tamanho ou a profundidade de recessões é lógico empregarmos o PIB, e não o PIB per capita, visto que em conjunturas macroeconômicas recessivas há elevada ociosidade da oferta de trabalho, não sendo o fator trabalho, portanto, restrição ao crescimento econômico.

O episódio pelo qual passamos, fica claro, é sem dúvida o pior da história econômica do país. Argumentar que um fenômeno dessa dimensão e desse significado histórico é fruto de má sorte beira a insanidade (pobre Hamlet!). Bráulio não chega a esse extremo, é claro, mas exagera perigosamente a importância da má sorte no conjunto da obra. Qual conjunto de choques negativos ocorreu com Dilma que não teria ocorrido nos 120 anos anteriores?

Epílogo:

Os custos do desvio de rota heterodoxo, que se inicia antes mas ganha força total no período que vai de 2011 a 2014, foram tremendos. Pensávamos, talvez ingenuamente, que as teses fracassadas que levaram o país à catastrofe estivessem mortas. Mas não, a luta pela normalidade no campo da política econômica não tem fim. Como diria Hamlet, prontidão é tudo.


[1] A construção dos pesos do sintético é um exercício de maximização de verossimilhança com as seguintes restrições: cada peso precisa estar no intervalo (0,1) e a soma dos pesos é igual 1. O sintético pode ser estimado usando não apenas a variável de interesse, mas outras quaisquer que ajudem a caracterizar a unidade tratada. Aqui estamos usando a especificação mais simples possível.

 

Comentários

José bonifacio
Pq o " macro x" não coloca a cara? Tem medo do quê?
Tiago Moraes
Qual a relevância teórica de você saber o desenho do rosto dele? Sua falta de argumentos se baseia no quê?
Paloma
Põe a cara no sol Querida!
Macroeconometrista X
Meu nome é George Elliot. Veja, caro José Bonifácio, esse não é um blog anônimo. Samuel é de carne e osso. Talvez mais importante, o anonimato pode ser algo indesejável, concordo. Mas isso se dá quando ele é usado para atacar as pessoas. No meu caso, ele é usado para simples proteção, pois trabalho num banco que não me permite debater. Nunca ataquei ninguém. Faço um debate de ideias limpo.
economista popp...
George, atacou, sim. O texto está cheio de adjetivos e ironias. Pena, pois traz bons argumentos. seria melhor ainda se além de abrir pontos de crítica - válidos - fechasse com uma estimativa alternativa de quanto foi bad luck e quanto foi bad policy, desconsiderada a estimativa tabajara de PIB do Bráulio
Julius
Esses adjetivos e ironias enfraquecem o texto. Compreensível o Dudu vacilar nesse ponto, mas o Samuca, com toda a sua experiência no debate público? Vacilou muito!
José Bonifácio
Desculpa George. Não quer aparecer então deixa o Samuel assinar sozinho. Assinar como Macro X não faz sentido. Caro Tiago Moraes, não há relevância nenhuma, nem teórica, nem empírica de conhecer o rosto de ninguém, assim como não há nenhuma relevância em você se levantar como advogado e se meter onde não foi chamado. Foquemos no que realmente importa, que é no debate.
Osvaldo Nobre
Que MiMiMi fuleira desse Bonifácio ... aí vem o outro Tiago, a Paloma, o economista pop e por último o Julius ... poxa bicho, estamos ferrados com esses nutelas ... Vão lavar uma louça, passar um pano na sala, limpar as estantes de livros de vcs, calibrar os pneus das bicicletas, passar um ovo pra comer com pão e um café ... Caraca véi, sejam homens e mulheres reais pelo menos por aqui!!!

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