PIB: diferença entre os dados efetivos e as expectativas de mercado

12/07/2019

As expectativas de mercado para o PIB desse ano, segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, vem recuando já há 19 semana consecutivas. Portanto, há quase cinco meses seguidos que os economistas revisam suas projeções de crescimento da atividade econômica para baixo. O último número é 0,82%.

O Gráfico 1 mostra a diferença entre os dados efetivos[1] da taxa real de crescimento do PIB de cada ano com as expectativas de mercado (de acordo com a mediana do boletim Focus) no final do primeiro semestre de cada ano para os últimos vinte anos (1999-2018). Nesse período, em treze anos (99, 00, 02, 04, 05, 06, 07, 08, 09, 11, 13, 16 e 17) os dados efetivos foram subestimados pelas projeções, ou seja, o dado efetivo foi maior do que o esperado. Em seis anos (01, 03, 12, 14, 15 e 18), os dados efetivos foram superestimados pelas projeções, isto é, o dado efetivo foi menor do que o esperado. E em apenas um caso (2011) as projeções no final do primeiro semestre foram iguais ao dado efetivo.   

Nos casos de subestimação, os dados efetivos foram, em média, 0,8 p.p. maiores do que os projetados. Já nos casos de superestimação, os dados efetivos foram, em média, 0,6 p.p. menores do que os projetados. Uma observação importante é que nos últimos cinco anos (2014-18), em três os dados foram superestimados (média de 1,0 p.p) e dois subestimados (média de 0,4 p.p.), ou seja, recentemente, as projeções nesse período do ano estão menores do que os dados efetivos. A Tabela 1 mostra os dados efetivos e as expectativas de mercado no final do primeiro semestre.

Ou seja, se seguirmos a trajetória das últimas dezenove semanas, e a tendência predominante recentemente de superestimação, o PIB de 2019 deverá ser menor ainda do que 0,82%.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 


[1] Os dados efetivos são os definitivos pelo IBGE, e não os números preliminares. Os números preliminares de 2014, 2015 e 2016 foram: 0,1%, -3,8% e -3,6%. Já os números definitivos foram: 0,5%, -3,5% e -3,3%. Os dados de 2017 e 2018 são os preliminares ainda.

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