Um breve retrato econômico da Amazônia

06/07/2021

Na Amazônia, administração pública, que inclui a burocracia executiva e as atividades do Legislativo, Judiciário em todos os níveis de governo, assim como saúde, educação pública e a previdência, é atividade com maior participação (25,9%), superior à do Brasil (17,4%).

A Amazônia Legal é uma área que engloba os sete estados da região Norte (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), Mato Grosso (Centro-Oeste) e parte do estado do Maranhão, no Nordeste, reunindo regiões de características similares. Sua área de abrangência corresponde a uma superfície de cerca de 61% do território brasileiro. Sua população, entretanto, corresponde a pouco mais de 12,32% do total de habitantes do Brasil. Nela, vivem em torno de 23 milhões de pessoas,  distribuídas em 775 municípios, daqueles estados, segundo o censo 2010.

Devido ao fato de que várias informações que pretendemos abordar só existem, no nível de desagregação necessária, por estado da federação, utilizaremos apenas os sete estados pertencentes à região Norte, deixando de lado os municípios do estado do Maranhão.

A região Norte brasileira tem um PIB correspondente a 5,5% do PIB brasileiro, segundo o Sistema de Contas Regionais do IBGE, de onde serão retiradas todas as informações econômicas aqui mencionadas. Entre os sete estados da região, Amazonas e  Pará têm a maior participação no PIB brasileiro com  1,4 e 2,3%, respectivamente, como consta da Tabela 1, abaixo

 

Tabela 1 – Participação da Região Norte e de cada estado no PIB do Brasil

               Brasil

100,0

          Norte

5,5

Rondônia

0,6

Acre

0,2

Amazonas

1,4

Roraima

0,2

Pará

2,3

Amapá

0,2

Tocantins

0,5

 

 

 

Na Tabela 2,  verifica-se que a atividade econômica com maior participação no Valor Adicionado da Região é a do setor de serviços com 64,6% de participação, mas substancialmente inferior à do país que tem 73%. Diferentemente, também do Brasil a atividade agropecuária pesa 9,4%, quase o dobro da do país (5,2%). O setor industrial por sua vez, com 26%,  tem proporção pouco maior do que a do Brasil (21,8%).
 

 

Desagregando os setores, verifica-se que o componente de administração pública que inclui a burocracia executiva e as atividades do Legislativo, Judiciário em todos os níveis de governo, assim como saúde, educação públicas e a previdência é a atividade com maior participação na Região (25,9%), superior à do Brasil (17,4%).

Especificando os estados, verifica-se que:

  1. Rondônia, Pará e Tocantins destacam-se na atividade agropecuária, com participação superior à da média da Região Norte;
  2. O estado do Amazonas (2,4%) e Pará e Rondônia (ambos com 1,6%) têm forte participação de produção florestal, bastante superior à desse componente no Brasil (0,5%);
  3. A extrativa mineral é destaque no Pará ( 13,5%), bastante superior a do Brasil (2,7%), graças a produção da Vale;
  4. A indústria de transformação está fortemente presente no Amazonas (25,8%) mais do que o dobro da sua participação no Brasil (12,3%), chamando a atenção da força da Zona Franca de Manaus;
  5. A produção de eletricidade tem preponderância no Pará;
  6. Acre, Roraima e Amapá se destacam na produção de serviços, mas devido a forte presença da administração pública com participações mais do que o dobro superior à do Brasil. Essa é uma característica de grande parte dos municípios brasileiros cuja principal atividade econômica é a administração pública. O Pará e o Amazonas em polo oposto têm participação em torno de 20% pouco inferior à do Brasil (17,4%);
  7. O componente de atividades imobiliárias tem forte presença na região, mas não é diferente da do Brasil, com percentuais elevados de aluguel imputado;
  8. Educação e saúde privadas têm baixa participação (2,3%), metade da do Basil (4,5%);

  9. Os demais componentes da atividade de serviços não chegam a se destacar e as atividades mais fortemente associadas ao turismo (de lazer e outras motivações), que são alojamento e alimentação, transportes, e artes, cultura, etc.,  não se distinguem da participação dessas atividades no Brasil. Ao que informam autoridades do Amazonas, por exemplo, os passageiros de transatlânticos que entram em alguma parte do rio permanecem alojados no navio e ao descerem levam até mesmo suas garrafas de água. Não se alimentam da comida vendida nos locais.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 

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