Bráulio Borges

Graduado em Economia e mestre em Teoria Econômica pela FEA-USP, recebeu o Prêmio Tesouro Nacional pela sua dissertação de mestrado em Finanças Públicas. Atuou no departamento econômico da Telefónica e foi professor de Macroeconomia na Pós-Graduação da GVLaw. Atualmente é economista-sênior da área de Macroeconomia da LCA e pesquisador-associado do IBRE/FGV.

Dívida bruta ou dívida líquida, eis a questão

Durante muito tempo – eu arriscaria dizer que até 2010/2011 – o único conceito de endividamento acompanhado pelos analistas aqui no Brasil era o de Dívida Líquida do Setor Público (DLSP). Muito provavelmente isso se explica pelo fato de que há séries históricas desde o começo dos anos 80 para a DLSP (ver figura abaixo), ao passo que para a dívida bruta as séries têm início somente no final dos anos 90.

Chegou ao fim a quarta pior recessão brasileira dos últimos 150 anos

O Comitê de Datação dos Ciclos Econômicos (CODACE), da FGV, apontou que o atual ciclo recessivo brasileiro, iniciado no 2º trimestre de 2014, teve seu “fundo do poço” no 4º trimestre de 2016. Ou seja: foram quase três anos de recessão, com uma queda acumulada do PIB total de 8,6% nesse ínterim, cifra que que vai a quase -11% quando se desconta o crescimento populacional do período (sempre em termos dessazonalizados).

Reforma política e sustentabilidade fiscal

No começo de outubro foi promulgada a Emenda Constitucional 97 (EC 97/2017), mais conhecida como a “reforma política”. As principais novidades foram a vedação das coligações partidárias nas eleições proporcionais e o estabelecimento de uma cláusula de barreira para que os partidos possam acessar o fundo partidário e o tempo gratuito de propaganda no rádio e na televisão.

O impacto da NME: Tréplica (parte I)

Antes de iniciar a tréplica aos textos do Macroecometrista X e do Samuel Pessoa, vale relembrar algumas das conclusões que apontei em meu primeiro post: admitindo que o PIB brasileiro venha sofrendo problemas de mensuração, a NME explicaria cerca de 30% da desaceleração do crescimento (considerando o limite superior das minhas contas) em 2012-2017 vs 1999-2011. Trata-se de 1 pp a menos de crescimento por ano, acumulando cerca de 6% do PIB nesse período, o que daria algo como R$ 400 bilhões considerando a projeção para o PIB em 2017.

O BC teve que correr atrás... Mas antes tarde do que nunca

Com uma variação do IPCA nos 12 meses terminados em agosto deste ano em +2,5% e a chance cada vez maior de que esse índice encerre 2017 com alta inferior ao piso do centro da meta, que é de 3%, reemergiu o debate sobre a postura da política monetária doméstica. Teria sido o BC conservador demais no ciclo de aperto, bem como no timing da distensão monetária? Ou boa parte da forte desinflação inesperada observada nos últimos meses seria reflexo de choques pontuais, sobretudo nos alimentos, sobre os quais a política monetária tem pouca influência?

Impacto dos erros (reais) da Nova Matriz tem sido muito exagerado

O IBRE/FGV lançou, em meados de 2016, o livro “A crise de crescimento do Brasil”, no qual diversos pesquisadores tentaram avaliar as razões por detrás da desaceleração do crescimento do PIB brasileiro de 2012 em diante. Como os capítulos foram entregues ainda no final de 2015, na prática as informações lá utilizadas iam até 2014, com algumas projeções para 2015.

Qual o tamanho do hiato do produto brasileiro no momento atual?

A resposta à pergunta do título deste post é crucial, em vários aspectos. Em primeiro lugar, por condicionar a dinâmica inflacionária e, consequentemente, a política monetária. Em segundo lugar, por permitir dimensionar o espaço existente para uma recuperação cíclica não-inflacionária da economia. E, em terceiro lugar, por permitir avaliar quanto do resultado fiscal corrente se deve a fatores mais conjunturais/cíclicos (dada a forte relação existente entre as receitas recorrentes governamentais e o nível de atividade).

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