Nelson Barbosa

Professor Titular da EESP/FGV, Professor Visitante da UnB e Pesquisador do IBRE/FGV. Foi Ministro da Fazenda e do Planejamento (Governo Dilma).

Reforma do IRPF: observações sobre a proposta do Partido dos Trabalhadores

No último final de semana o Partido dos Trabalhadores (PT) realizou sua convenção e nomeou Lula candidato à Presidência da República. O PT também apresentou as linhas básicas de seu programa de governo, com algumas propostas mais detalhadas do que outras, como é normal em campanhas eleitorais.

O problema que a eleição não resolverá

A maioria dos economistas têm apontado o grande problema fiscal a ser enfrentado pelo próximo governo, pois o reequilíbrio do orçamento requer medidas estruturais, de recuperação de receita e redução do crescimento de gastos obrigatórios. Não vou repetir os números, já bem detalhados por vários analistas e disponíveis na página do Observatório Fiscal organizado por Manoel Pires no IBRE.

A atabalhoada suavização dos preços dos combustíveis no Brasil

A greve dos caminhoneiros, com suspeita de locaute por parte das transportadoras, parou o Brasil nos últimos dias. A solução do problema ainda não está clara, mas o governo federal já sinalizou que reduzirá a tributação indireta sobre gasolina e diesel, além de assumir o custo da suavização dos reajustes de preços via recriação de uma espécie de “conta diesel”, que rapidamente pode incorporar outros derivados e se transformar em “conta petróleo”.

As diferentes fases da política econômica do PT: revisionismo histórico e ideologia

Em anos de eleições o debate político normalmente perde objetividade em prol de generalizações de acordo com a preferência ou inclinação ideológica do autor. A análise da política econômica não é imune a esse tipo de revisionismo e, recentemente, temos assistido a simplificações predominantemente jornalísticas na análise das ações dos governos do PT (Safatle et all 2016).

A fundamental reforma da remuneração dos servidores

Nesta semana apresentei as linhas gerais de uma proposta de reforma da remuneração dos servidores públicos na série de seminários "Reformas para Destravar o Brasil" da EESP/FGV. Esse tema não tem grande destaque no debate econômico como a reforma da Previdência, mas, na verdade, a folha de pagamento de ativos e inativos responde pelo maior gasto primário do Estado Brasileiro, quando consideramos União, Estados e municípios como um todo.

Meirelles pode eliminar um ruído que ele mesmo criou

O governo lançou um pacote de 15 medidas para compensar a suspensão da reforma da previdência. A maioria das iniciativas já está em tramitação, estudo ou elaboração há algum tempo.

Não há nada de errado em relançar coisas importantes, até porque, em política econômica, a maioria dos avanços são incrementais, fruto de estudos e trabalho de várias equipes e administrações.

A PEC do compromisso: flexibilidade com responsabilidade

Tudo indica que a intervenção federal no Rio de Janeiro enterrou de vez as chances de votar a reforma da previdência neste ano. Muito foi concedido para tentar aprovar uma versão desidratada da reforma. Muito mais foi gasto para ganhar votos. Se fizermos o balanço das coisas, a suspensão da proposta do governo provavelmente acabou saindo mais caro do que não fazer nada para os cofres públicos no curto prazo.

Juros pagos pelo setor público: o total caiu em proporção do PIB, mas os pagamentos reais continuaram a subir em 2017

O Banco Central divulgou as estatísticas fiscais de 2017 nessa semana. No ano passado o setor público pagou R$ 400,8 bilhões em juros líquidos (6,1% do PIB), contra R$ 407 bilhões em 2016 (6,5% do PIB). Houve, portanto, uma redução de 0,5 ponto percentual do pagamento de juros pelo governo, como apresentado na figura abaixo.

Inovar-Auto foi mais que proteção temporária, e não é hora de ficar sem política automotiva

O Regime Inovar-Auto acabou no final de 2017. O encerramento já estava previsto no programa e deveria ser sucedido por uma avaliação dos seus resultados e definição de nova política para o setor automotivo. Ao longo do ano passado, houve longas discussões sobre o tema entre governo, empresas e trabalhadores, mas não foi possível chegar a um consenso sobre o rumo a seguir.

A recessão pode não ter sido a maior, mas a retomada é a mais lenta da história

O resultado do PIB do terceiro trimestre indica um crescimento de 1% este ano, puxado pela agropecuária. As projeções do IBRE para 2018 apontam nova expansão, próxima de 3%, só que puxada por serviços e indústria. Essa trajetória encerra a grande recessão de 2014-16, cujas causas e consequências ainda serão objeto de grande debate na literatura econômica e histórica do Brasil.

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