Abertura de vagas formais mostra arrefecimento persistente em novembro de 2025

Em novembro de 2025, o saldo do Caged foi de 85.864 vagas formais, retração de 19,1% ante novembro de 2024. Apenas comércio e serviços ficaram no positivo, e a indústria apresentou retração de 301,3%. No acumulado, somente a agropecuária avançou.
Nesta edição, analisamos o desempenho do mercado de trabalho formal em novembro de 2025, com base nos dados mais recentes do Novo CAGED, conforme ilustrado no Gráfico 1. O saldo de empregos ficou levemente acima das expectativas do mercado, com a criação líquida de 85.864 postos de trabalho — resultado de 1.979.902 admissões e 1.894.038 desligamentos. Esse número representa uma queda de 19,1% em relação a novembro de 2024 (106.133 vagas) e 29,3% inferior ao registrado em novembro de 2023 (121.461 vagas) e é o pior novembro da série do Novo CAGED iniciada em 2020.
No acumulado dos onze primeiros meses de 2025, o saldo somou 1.895.130 postos de trabalho formal, continuando menor do que o reportado no mesmo período de 2024, com queda de 15,1% (em comparação aos 2.233.029 do ano anterior) e pela primeira vez no ano, é também negativo frente a 2023 sendo 0,6% abaixo do acumulado em 2023 (1.906.953 vagas).
Gráfico 1 - Admissões, demissões e saldos. Saldo Mensal –2020 a 2025 – Brasil.

Fonte: Elaboração das autoras com base nos microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes declarados até novembro de 2025.
Em novembro de 2025, conforme mostrado na Tabela 1, apenas serviços (75.131 postos) e comércio (78.249) apresentaram saldo positivo, enquanto agropecuária (-16.566), construção (-23.804) e indústria (-27.135) encerraram o mês no campo negativo. Na comparação com novembro de 2024, serviços (12,2%), agropecuária (13,9%) e construção (22,1%) registraram crescimento, ao passo que comércio (-18,3%) e, sobretudo, indústria (-301,3%) tiveram forte retração; a indústria, em particular, exibiu o pior saldo para um mês de novembro desde o início da série do novo CAGED, em janeiro de 2020.
No acumulado de janeiro a novembro de 2025, apenas a agropecuária manteve expansão frente ao mesmo período de 2024, com alta de 46,5%, enquanto construção (-4,1%), serviços (-12,6%), comércio (-17,6%) e indústria (-33,9%) recuaram. Apesar do melhor desempenho recente, serviços somou 1.038.470 postos no período, o menor saldo desde 2021, e a construção civil, com 192.176 vagas líquidas, também registrou seu pior resultado.
Tabela 1 - Saldo Mensal e Acumulado – Por Setor de Atividade. Brasil.


Fonte: Elaboração das autoras com os microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes até novembro/2025. Considera-se os não identificados.
Os gráficos 2A e 2B ilustram a evolução do saldo acumulado de empregos em 12 meses (2A) e sua variação em relação ao período equivalente do ano anterior (2B), revelando padrões distintos entre os setores ao longo de 2025. Comércio e Indústria apresentaram declínio contínuo nesse saldo ao longo de todo o ano, enquanto agropecuária, construção e serviços registraram crescimento nos últimos meses.
Gráfico 2: Evolução do Saldo por setor de atividade – Brasil.
A – Saldo Acumulado em 12 meses

B – Variação do Saldo Acumulado em 12 meses em relação ao mesmo período do ano anterior

Fonte: Elaboração das autoras com base nos microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes declarados até novembro de 2025.
Entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, comércio acumulou 273.745 postos (22,6% inferior ao ano anterior e menor desde dezembro de 2022–novembro de 2023), enquanto indústria somou 162.168 (queda de 47,8% e pior saldo desde fevereiro de 2023–janeiro de 2024). Já o saldo acumulado em 12 meses da agropecuária, construção e serviços foram respectivamente de 38.374, 101.014 e 764.585.
Ao considerar a variação dessas movimentações em relação ao mesmo período do ano anterior, o cenário revela-se menos positivo. A agropecuária é o único setor com crescimento nos últimos meses: o saldo acumulado entre dezembro de 2024 e novembro de 2025 supera em 787% o do período equivalente de 2023-2024, razão pela qual utiliza eixo secundário direito no gráfico 2B. Nos demais setores, os saldos em 12 meses foram inferiores aos do ano anterior: indústria com queda de 47,8%, construção de 17,9%, comércio de 22,6% e serviços de 22,7%. Cabe destacar a indústria, cuja variação vem declinando mensalmente, negativa desde agosto e cada vez mais intensa.
Sob a perspectiva educacional, a Tabela 2 revela resultados distintos em novembro de 2025. Trabalhadores com ensino fundamental incompleto (-14.637) e fundamental completo ou médio incompleto (-3.036) registraram saldos negativos, enquanto os com ensino médio completo (99.791) e superior completo ou mais (3.746) apresentaram saldos positivos. Comparados a novembro de 2024, fundamental incompleto (+13,5%) e superior completo ou mais (+810,8%) cresceram, ao passo que fundamental completo ou médio incompleto (-180,2%) e médio completo ou superior incompleto (-16,7%) retraíram.
Tabela 2 - Saldo Mensal e Acumulado – Por Nível Educacional. Brasil.

Fonte: Elaboração das autoras com os microdados do Novo CAGED. Ajustes declarados até novembro/2025. Considera-se os não identificados.
No acumulado de janeiro a novembro de 2025, apenas o ensino fundamental incompleto expandiu (+12,2%), impulsionado pelo pico de fevereiro (+195% ante fevereiro de 2024); excluindo esse mês, o saldo recua 12,7% em relação a 2024. Os demais grupos contraíram: fundamental completo ou médio incompleto (-16,7%), médio completo ou superior incompleto (-15,0%) e superior completo ou mais (-24,5%). Apesar do forte crescimento em novembro comparado ao ano anterior, o grupo de superior completo ou mais segue com o pior desempenho anual. Assim, o saldo de emprego formal em 2025 concentrou-se em trabalhadores de menor escolaridade, com retração entre os de maior qualificação.
De acordo com o Gráfico 3, o saldo mensal total registrou queda de 19,1%, impulsionada pela categoria Geral, que concentra a maioria dos vínculos celetistas e recuou 34,2%, enquanto Intermitente cresceu 148,0% e Outros, que inclui empregados rurais, contratos a termo, programa Verde e Amarelo, domésticos e casos não identificados, expandiu 84,1%; Temporário caiu 18,7% e Aprendiz registrou retração de 56,8%. No acumulado anual, a trajetória seguiu padrão similar, embora com magnitudes distintas: Geral reduziu 18,0% e liderou a retração total de 15,1%, contrastando com o avanço das modalidades não típicas, como Aprendiz com 20,1%, Intermitente com 23,0% e Outros com 14,7%. Temporário sofreu a maior retração proporcional de 54,0%.
Gráfico 3 – Saldo Mensal e Acumulado por Tipo de Vínculo. Janeiro a novembro. Período: 2024-2025 – Brasil.
A - Mensal

B- Acumulado

Fonte: Elaboração das autoras com os microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes até outubro/2025. O total inclui os não identificados.
A categoria Geral inclui os contratados pela CLT, incluindo empregados públicos da administração direta e indireta. Já a última categoria reúne empregados rurais, contratados a termo, trabalhadores do programa Verde e Amarelo, empregados domésticos e casos não identificados.
A Tabela 3 segmenta o saldo de empregos formais entre setores e regiões, tanto no recorte mensal quanto no acumulado do ano. Em novembro de 2025, o saldo total de 85.864 vagas resulta de combinações bastante distintas: o Nordeste e o Sudeste concentram os maiores saldos positivos (35.645 e 43.334), impulsionados principalmente por comércio e serviços, enquanto o Centro-Oeste registra saldo negativo na maioria dos setores, levando a uma perda líquida de 10.819 postos; o Norte e o Sul apresentam resultados intermediários, com composição setorial mista, combinando ganhos em comércio e serviços com retração em indústria, construção e agropecuária. A variação percentual frente a novembro de 2024 evidencia que a melhora do saldo está concentrada no Nordeste, onde a maioria dos setores avança e o saldo regional cresce 40,2%, ao passo que Norte, Sudeste, Sul e Centro-Oeste exibem deterioração generalizada, com quedas entre 18,4% a 53,8%.
No acumulado de janeiro a novembro de 2025, a heterogeneidade regional–setorial se aprofundou: o Sudeste segue como principal região de geração de empregos (835.140), mas com forte recuo em relação a 2024 (-21,3%), o que explica a maior parte da queda no saldo nacional. Nordeste (407.113) e Centro-Oeste (209.634) mostram relativa resiliência, com leves altas de 5,1% e 5,2%, enquanto Norte (-13,3%) e Sul (-21,6%) retraem.
Tabela 3 – Saldo Mensal e Acumulado – Por Setor de Atividade e Regiões. 2025. Brasil.

Fonte: Elaboração das autoras com os microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes até novembro/2025. No total tem os não identificados.
Em novembro de 2025, o mercado de trabalho formal registrou saldo de 85.864 vagas, o pior resultado para o mês desde o início da série do novo CAGED e queda de 19,1% ante novembro de 2024 (106.133 vagas). Apenas comércio (78.249) e serviços (75.131) apresentaram saldos positivos, enquanto agropecuária (-16.566), construção (-23.804) e indústria (-27.135) fecharam com perdas, sendo a indústria a de maior retração relativa (-301,3%). Pela escolaridade, fundamental incompleto (-14.637) e fundamental completo/médio incompleto (-3.036) recuaram, contrastando com ganhos em médio completo (99.791) e superior (3.746).
O acumulado de janeiro a novembro atingiu 1.895.130 vagas, 15,1% inferior a 2024 (2.233.029), com apenas agropecuária em expansão (+46,5%); demais setores contraíram: indústria (-33,9%), comércio (-17,6%), serviços (-12,6%) e construção (-4,1%). Pelo saldo acumulado em 12 meses, agropecuária segue crescendo, enquanto indústria registra pior retração (-47,8%). No recorte educacional, apenas fundamental incompleto avançou no ano (+12,2%), com superior completo ou mais apresentando maior declínio (-24,5%). Por vínculo, modalidades não típicas como aprendiz (20,1%), intermitente (23,0%) e outros (14,7%) avançaram no acumulado anual. Regionalmente, Sul (-21,6%) e Sudeste (-21,3%) lideram perdas enquanto Nordeste (+5,1%) e Centro-Oeste (+5,2%) resistem; Nordeste também se destacou positivamente no resultado mensal (+40,2% ante 2024). Em síntese, embora o mercado de trabalho formal ainda registre geração líquida de postos, observa-se um enfraquecimento duradouro ao longo dos últimos meses.
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