Arrefecimento da geração de vagas formais se acentua em fevereiro

Em fevereiro de 2026, o saldo do trabalho formal do Caged caiu para 255.321 vagas, com queda de 42,0% ante fevereiro de 2025 e de 17,0% ante fevereiro de 2024. Todos os setores recuaram. Intermitentes ganham peso e batem recorde em 12 meses.
Nesta edição, analisa-se o desempenho do mercado de trabalho formal em fevereiro de 2026 com base nos dados do Novo CAGED. O mês registrou criação líquida de 255.321 postos de trabalho, resultado de 2.381.767 admissões e 2.126.446 desligamentos, desempenho abaixo das expectativas do mercado, estimada em 270 mil vagas. O saldo confirma a trajetória de desaceleração observada nos últimos meses, situando-se 42,0% abaixo do verificado em fevereiro de 2025 (440.432 vagas). Embora o resultado de 2025 tenha sido impulsionado em parte pelo efeito de calendário, visto que o Carnaval ocorreu em março e elevou o número de dias úteis de fevereiro, a fragilidade do mercado em 2026 é evidenciada pela comparação com fevereiro de 2024 (307.748 vagas), período que compartilhou a mesma sazonalidade de feriados e, ainda assim, apresentou saldo 17,0% superior ao atual.
No acumulado do primeiro bimestre de 2026, o saldo totalizou 370.339 postos formais, provenientes de 4.620.228 admissões e 4.249.889 desligamentos. O resultado representa um recuo de 37,8% em relação ao acumulado de janeiro e fevereiro de 2025 (594.953 vagas) e uma retração de 23,0% frente ao mesmo período de 2024 (480.922 vagas). Além disso, o saldo acumulado em 12 meses atingiu 1.047.024 postos, valor 41,6% inferior ao observado no período anterior e o menor patamar da série desde março de 2021, o que reforça o cenário de arrefecimento do mercado de trabalho.
Gráfico 1 - Admissões, demissões e saldos. Saldo Mensal –2020 a 2026 – Brasil.

Fonte: Elaboração das autoras com base nos microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes declarados até fevereiro de 2026.
Em fevereiro de 2026, conforme apresentado na Tabela 1, todos os setores registraram saldo positivo de empregos formais. O resultado nacional de 255.321 vagas foi impulsionado principalmente pelos Serviços (177.953), seguido pela Indústria (32.027) e pela Construção (31.099). Na comparação com fevereiro de 2025, todos os segmentos exibiram forte retração: Comércio (-87,3%), Agropecuária (-60,2%), Indústria (-54,7%), Serviços (-31,8%) e Construção (-22,2%). Como o desempenho de 2025 foi impactado por fatores sazonais específicos, a trajetória de desaceleração é confirmada ao observar que, mesmo frente a fevereiro de 2024, apenas a Agropecuária registrou crescimento (119,8%), enquanto o Comércio teve uma retração de 69,1%. Essa mudança de dinâmica entre 2025 e 2026 refletiu-se também na composição setorial do saldo, com destaque para o avanço da participação dos Serviços de 59,3% para 69,7% (alta de 10,4 pontos percentuais) e o recuo do Comércio de 11,0% para 2,4% (perda de 8,6 p.p.).
Ao analisar o acumulado do primeiro bimestre (janeiro a fevereiro), a tendência de desaceleração se confirma, com um saldo total 37,8% inferior ao de 2025. O dado mais negativo foi no Comércio, que reverteu o saldo positivo marginal de 2025 para um déficit expressivo de -50.395 postos no acumulado de 2026, o que representa uma queda percentual de -180.082%. A única exceção de estabilidade foi a Construção, que apresentou um crescimento modesto de 3% no bimestre, destoando da trajetória de queda observada nos demais segmentos: Serviços (-30,0%), Indústria (-39,5%) e Agropecuária (-44,5%).
Tabela 1 - Saldo de Fevereiro – Por Setor de Atividade. Brasil.

Fonte: Elaboração das autoras com os microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes até fevereiro/2026. O total inclui os não identificados.
A seguir, será analisado o desempenho do trabalho intermitente no mercado de trabalho brasileiro. Essa modalidade de contrato foi introduzida pela Reforma Trabalhista de 2017 como uma alternativa mais flexível de contratação, voltada não apenas ao atendimento de demandas sazonais das empresas, mas também à incorporação de novas formas de trabalho que vêm ganhando espaço em um mercado cada vez mais dinâmico e heterogêneo. Nesse arranjo, a prestação de serviços ocorre sob convocação, com remuneração proporcional ao período efetivamente trabalhado, preservando-se direitos como FGTS, férias e 13º salário proporcionais. Em um contexto marcado pela maior fragmentação das jornadas, pela expansão de ocupações com horários variáveis e pela necessidade de vínculos formais mais adaptáveis, essa modalidade buscou oferecer um enquadramento jurídico para relações de trabalho que já vinham se transformando.
O Gráfico 2 ilustra a evolução desse tipo de contratação no Brasil, considerando o saldo acumulado em 12 meses móveis entre janeiro de 2022 e fevereiro de 2026: a linha azul representa o saldo absoluto, enquanto as barras indicam sua participação percentual no total de empregos formais. Observa-se uma trajetória de crescimento desde 2023, com aceleração mais intensa nos meses recentes. O pico foi registrado no período entre março de 2025 e fevereiro de 2026, quando o saldo alcançou 111.528 postos, o maior valor desde o início do Novo CAGED, em 2020. No mesmo intervalo, a participação do trabalho intermitente chegou a 10,7% do total de empregos formais, também o maior patamar desde o início de 2021.
Gráfico 2 – Evolução do Saldo Acumulado em 12 meses dos Intermitentes. Jan/22 a Fev/26– Brasil.

Outro movimento relevante no mercado de trabalho formal brasileiro é a manutenção das demissões a pedido em níveis historicamente elevados. Em geral, esse indicador é interpretado como uma proxy do grau de aquecimento do mercado de trabalho, pois tende a refletir maior confiança dos trabalhadores na possibilidade de transição para ocupações mais atrativas. O Gráfico 3 apresenta a evolução mensal dessas saídas voluntárias entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2026, bem como sua participação no total de desligamentos.
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