Trabalho

Brasil e a redução da jornada: o que dizem os dados globais

25 fev 2026

Com dados globais da base de dados de Gethin e Saez, estimamos modelo país‑ano de horas trabalhadas com produtividade, demografia e efeitos fixos. Brasil está levemente abaixo do esperado, mesmo se controlando por impostos e transferências.

Nos últimos anos, a discussão sobre redução da jornada de trabalho ganhou novo fôlego no Brasil. Depois de uma mobilização intensa nas redes sociais, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou uma Proposta de Emenda Constitucional que extingue a clássica escala 6x1, que estabelece seis dias de trabalho para apenas um de descanso, e reduz a jornada semanal de 44 para 36 horas. Em paralelo, outro projeto que trata do mesmo tema tramita na Câmara, ainda em fase inicial. Mesmo assim, o simples avanço da PEC no Senado já reposicionou o debate público sobre como, quanto e por que trabalhamos.

O governo federal tem sinalizado apoio explícito à ideia de jornadas mais curtas. Ao defender a proposta, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, sintetizou um argumento que vem ganhando espaço: se a produtividade brasileira é baixa, talvez parte do problema esteja justamente em jornadas longas, pouco tempo para descanso e estudo, condições precárias e baixa possibilidade de qualificação. Em outras palavras, reduzir horas de trabalho não seria um “luxo” de países ricos, mas um investimento em bem-estar e, potencialmente, em produtividade futura.

Por trás dessas discussões, porém, está uma questão de fundo que raramente é tratada de maneira sistemática: em que ponto da trajetória de desenvolvimento nos encontramos quando comparados a outros países? Como se comportam, aqui e no mundo, as horas trabalhadas à medida que a produtividade cresce? E de que forma diferenças por sexo, idade e nível de renda ajudam a entender quem ganharia, e quem poderia perder, com uma mudança desse tipo?

Clique aqui para acessar o texto na íntegra.


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.   

Comentários

Romero
O estudo não explica o método para calculo da produtividade. Efeito fixo pais leva em consideração instituições trabalhistas, cultura de jornada longa ou curta, clima, tradição sindical, traços históricos porem são conceitos subjetivos. Quais valores foram atribuídos para essas características? Não foi explicado o fator idiossincrático que entra no cálculo.

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