Brasil e a redução da jornada: o que dizem os dados globais

Com dados globais da base de dados de Gethin e Saez, estimamos modelo país‑ano de horas trabalhadas com produtividade, demografia e efeitos fixos. Brasil está levemente abaixo do esperado, mesmo se controlando por impostos e transferências.
Nos últimos anos, a discussão sobre redução da jornada de trabalho ganhou novo fôlego no Brasil. Depois de uma mobilização intensa nas redes sociais, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou uma Proposta de Emenda Constitucional que extingue a clássica escala 6x1, que estabelece seis dias de trabalho para apenas um de descanso, e reduz a jornada semanal de 44 para 36 horas. Em paralelo, outro projeto que trata do mesmo tema tramita na Câmara, ainda em fase inicial. Mesmo assim, o simples avanço da PEC no Senado já reposicionou o debate público sobre como, quanto e por que trabalhamos.
O governo federal tem sinalizado apoio explícito à ideia de jornadas mais curtas. Ao defender a proposta, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, sintetizou um argumento que vem ganhando espaço: se a produtividade brasileira é baixa, talvez parte do problema esteja justamente em jornadas longas, pouco tempo para descanso e estudo, condições precárias e baixa possibilidade de qualificação. Em outras palavras, reduzir horas de trabalho não seria um “luxo” de países ricos, mas um investimento em bem-estar e, potencialmente, em produtividade futura.
Por trás dessas discussões, porém, está uma questão de fundo que raramente é tratada de maneira sistemática: em que ponto da trajetória de desenvolvimento nos encontramos quando comparados a outros países? Como se comportam, aqui e no mundo, as horas trabalhadas à medida que a produtividade cresce? E de que forma diferenças por sexo, idade e nível de renda ajudam a entender quem ganharia, e quem poderia perder, com uma mudança desse tipo?
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