Desenrola de novo?

O novo Desenrola dá até 90% de desconto e barra apostas online, focando no fator comportamental. É um avanço, mas o alívio é temporário: sem atacar juros altos e causas estruturais, o ciclo do endividamento e seus danos sociais persistirão.
1. Introdução
O Brasil chegou ao dia 4 de maio de 2026, data do lançamento oficial do Novo Desenrola Brasil, em condições de endividamento familiar significativamente piores do que quando o primeiro programa foi anunciado, em julho de 2023. O endividamento total das famílias atingiu 80,2% da renda acumulada em doze meses, segundo a Confederação Nacional do Comércio. A inadimplência no crédito livre chegou a 6,9%, com o cartão de crédito rotativo operando a cerca de 435,9% ao ano. O Banco Central classificou esse movimento como um problema crescente no país. Não se trata de uma deterioração passageira, mas sim o resultado de um ciclo estrutural que o primeiro Desenrola aliviou, mas não interrompeu.
Nos últimos meses, análises publicadas no Blog do IBRE vêm documentando de forma sistemática esse processo. Em "Quem paga o custo do crédito no Brasil?" (Barreto et al., 2026), mostra-se que o principal problema do crédito brasileiro não está na escassez de recursos, mas na forma como o sistema os distribui. Enquanto o setor público amplia sua absorção de liquidez via emissão de títulos e grandes empresas acessam o mercado de capitais, as famílias permanecem fortemente dependentes do crédito bancário tradicional, mais caro, mais sensível ao ciclo monetário e cada vez mais concentrado em modalidades de maior risco.
Em "Novas evidências sobre o peso do crédito nas famílias brasileiras" (Barreto et al., 2026), avança-se nesse diagnóstico ao mostrar que os dados recentes do Banco Central reforçam o caráter estrutural desse arranjo, que amplia desigualdades, distorce a alocação de recursos e concentra seus efeitos contracionistas justamente sobre os agentes mais vulneráveis da economia.
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