Distrital misto: aposta do Centrão pode sair pela culatra

O Centrão aposta no voto distrital misto para se livrar dos puxadores de voto. Mas os distritos tendem a virar disputas nacionalizadas entre PT e PL: simulando a reforma com os votos de 2026, o bloco perderia entre 20% e 30% da sua bancada.
Passou a ser um ritual pós-eleitoral no Brasil a discussão sobre a mudança do sistema pelo qual são escolhidos os deputados federais. Neste ano não foi diferente e o impulso para o debate veio logo após o segundo turno, com o presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB) indicando apoio de vários líderes do chamado “Centrão” a uma mudança: sair do atual sistema proporcional de lista aberta para um “distrital misto”, com apoio efusivo de líderes como Gilberto Kassab (PSD-SP) e Aécio Neves (PSDB-MG).
O estudo a seguir busca antecipar os efeitos de tal mudança considerando o que sabemos a partir do histórico de outros países e o conhecimento acumulado na ciência política sobre o tema. As principais conclusões são as seguintes:
1. Apesar de não sabermos ainda os detalhes sobre como seria o sistema proposto, mantendo o pressuposto de que metade dos deputados se elegeria em distritos majoritários e a outra metade por listas partidárias, são poucos os cenários em que os partidos do Centrão teriam vantagem em relação ao atual sistema proporcional.
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