Divulgação do PIB impacta trajetória de endividamento público

02/06/2021

Discrepância entre estimativa do PIB do primeiro trimestre do Banco Central e o dado oficial do IBGE chega a R$ 91,3 bilhões. Essa diferença terá substancial impacto, para melhor, nas trajetórias de endividamento público líquido e bruto.

Ontem o IBGE divulgou o resultado do PIB do 1T/2021. A economia cresceu 1,2% no 1T/2021 contra o 4T/2020, livre de influências sazonais. O resultado foi melhor do que apontava a mediana das expectativas de mercado, que previa algo em torno de +0,7%.

Outro dado, também de grande importância, chamou atenção: o PIB nominal. O BCB, ao divulgar suas estatísticas mensais – Crédito, Setor Externo e Fiscal – utiliza uma informação preliminar de PIB nominal mensal[1], a qual é utilizada como referência para calcular alguns indicadores como proporção do PIB (estoque de crédito, dívida líquida do setor público, saldo em transações etc.). Tal informação é recorrentemente ajustada quando a estatística oficial do IBGE é divulgada.

O resultado do 1T/2021 mostrou grande discrepância entre a estimativa de PIB do BCB e o dado oficial do IBGE. Enquanto o PIB acumulado em 12 meses até mar/21 situou-se em R$ 7.561 bilhões, o número divulgado pelo IBGE foi de R$ 7.652 bilhões, ou seja, uma diferença de R$ 91,3 bilhões.

Essa diferença terá impacto nas trajetórias de endividamento público – líquido e bruto – como proporção do PIB. Fazendo uma interpolação linear entre os valores oficiais já conhecidos do PIB, isto é, os do 4T/2020 e 1T/2021, e mantendo o crescimento de abri/21 estimado pelo BCB, tem-se novas trajetórias para as razões DLSP/PIB e DBGG/PIB.


 Fonte: BCB e IBGE. Cálculos dos Autores

Assim, o novo PIB nominal, quando ajustado a partir das próximas divulgações mensais do BCB, mostrará a trajetória pontilhada (em vermelho) dos gráficos. Em outras palavras, ocorrerá uma redução de cerca de 0,7 pp na relação DLSP/PIB, e de pouco mais de 1 pp na razão DBGG/PIB, tomando como base o mês de abril/21. Dessa forma, a DLSP/PIB ficará abaixo de 60%, enquanto a DGBB/PIB deverá situar-se por volta de 85,6%.


[1] Segundo nota metodológica no Sistema Gerador de Séries (SGS) do BCB: o PIB mensal é estimado com base em informações divulgadas da produção da indústria de transformação, do consumo de energia elétrica, da exportação de produtos primários e de índices de preços. Inicialmente se obtém a estimativa do índice em volume a partir das três primeiras séries citadas. Essas estimativas são ajustadas aos dados de volume do PIB trimestral divulgado pelo IBGE, ou à projeção do BCB para o PIB real quando as Contas Nacionais Trimestrais referentes ao período mais recente ainda não foram divulgadas pelo IBGE.  Em seguida, para obter a estimativa do PIB nominal, o índice mensal de volume é inflacionado por uma média ponderada do IGP-DI e do IPCA.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 

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