Gilberto Borça Jr.

Economista da Área de Planejamento e Pesquisa Econômica (APP) do BNDES.

Pagamento líquido de juros em abril/21 foi o mais baixo da série histórica desde 2002

Em abril/21, o pagamento líquido de juros do governo atingiu valores negativos. Esse resultado teve influência direta dos resultados dos swaps cambiais em função da apreciação da taxa de câmbio. Reduz-se o déficit nominal, mas aumenta-se a dívida líquida do setor público.

Pagamento líquido de juros, ajuste financeiro e custo de carregamento da carteira do setor público

No que tange à política fiscal no Brasil, muita atenção tem sido dada ao resultado primário e aos níveis de endividamento público como proporção do PIB. Porém, também é necessário avaliar o efeito da taxa de câmbio e da acumulação de ativos financeiros por parte do setor público sobre a estabilidade fiscal. Dessa forma, não menos importante é analisar o montante de juros líquidos pagos pelo governo. Ao final de 2020, o setor público pegou R$ 312,4 bilhões em juros líquidos (4,2% do PIB), contra R$ 367,3 bilhões em 2019 (5,0% do PIB).

Inflação brasileira e seus efeitos distributivos

A economia brasileira vive um choque de oferta clássico, que se caracteriza, simultaneamente, pela queda da atividade econômica -  decorrente do isolamento em função do medo de contaminação pela Covid19 – e aumento da inflação – fruto do choque nos preços dos gêneros alimentícios e, mais recentemente, de energia elétrica e combustíveis. Não à toa, visando conter os efeitos de segunda ordem desses choques sobre as expectativas de inflação, o Comitê de Política Monetária (COPOM) optou por ajuste de 75 bp na taxa básica de juros.

Política macroeconômica pós-Covid 19

A economia mundial passa por um período de enormes mudanças. É consensual que a pandemia da Covid-19 se trata, simultaneamente, de um choque de oferta e de demanda. O choque de oferta advém da interrupção das cadeias de suprimento globais - com redução drástica da oferta de insumos básicos para os processos produtivos - e da queda da oferta de trabalho em decorrência do isolamento social necessário para a contenção da propagação do vírus.

Por que a recuperação tem sido a mais lenta de nossa história?

Introdução

A atual crise econômica brasileira não encontra paralelo na história do país. Depois de dois anos consecutivos, 2015 e 2016, de forte contração do PIB, e outros dois, 2017 e 2018, de baixo crescimento, a economia encontra-se praticamente estagnada e flertando com a volta da recessão neste ano de 2019.

A recuperação do PIB brasileiro em recessões: uma visão comparativa

1- Introdução

O atual ritmo de recuperação da atividade econômica no Brasil tem se revelado frustrante. O Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (CODACE) da FGV faz a cronologia, em bases trimestrais, dos ciclos de negócios no Brasil desde 1980. Ao longo de quase quatro décadas, o Brasil enfrentou nove períodos de queda do PIB, conforme indicado na tabela 1.

Deve o BC reduzir a Selic? Sim, e não estará desrespeitando o sistema de metas

No começo deste ano, escrevemos um artigo para este blog apontando que uma das causas da retomada atipicamente lenta da atividade brasileira desde o final de 2016 seria uma postura insuficientemente estimulativa da política monetária doméstica nos últimos anos. Ademais, indicamos que, dado o atual balanço de riscos, o Banco Central do Brasil (BCB) deveria aumentar a dose de estímulo monetário.  

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