A inversão da curva de juros nos EUA é, tipicamente, um indicador antecedente de períodos recessivos. No Brasil, embora esse fenômeno possa não ter tal poder preditivo, ela é mais um elemento que compõe um cenário bastante difícil para a atividade econômica em 2022.
Análise dos fatores condicionantes da dívida líquida aponta para a necessidade de se retomar maiores taxas de crescimento da economia, pois isso reduziria não apenas o componente ‘r-g’, mas também facilitaria a recomposição de resultados primários superavitários.
Discrepância entre estimativa do PIB do primeiro trimestre do Banco Central e o dado oficial do IBGE chega a R$ 91,3 bilhões. Essa diferença terá substancial impacto, para melhor, nas trajetórias de endividamento público líquido e bruto.
Em abril/21, o pagamento líquido de juros do governo atingiu valores negativos. Esse resultado teve influência direta dos resultados dos swaps cambiais em função da apreciação da taxa de câmbio. Reduz-se o déficit nominal, mas aumenta-se a dívida líquida do setor público.
No que tange à política fiscal no Brasil, muita atenção tem sido dada ao resultado primário e aos níveis de endividamento público como proporção do PIB. Porém, também é necessário avaliar o efeito da taxa de câmbio e da acumulação de ativos financeiros por parte do setor público sobre a estabilidade fiscal. Dessa forma, não menos importante é analisar o montante de juros líquidos pagos pelo governo. Ao final de 2020, o setor público pegou R$ 312,4 bilhões em juros líquidos (4,2% do PIB), contra R$ 367,3 bilhões em 2019 (5,0% do PIB).
A economia brasileira vive um choque de oferta clássico, que se caracteriza, simultaneamente, pela queda da atividade econômica - decorrente do isolamento em função do medo de contaminação pela Covid19 – e aumento da inflação – fruto do choque nos preços dos gêneros alimentícios e, mais recentemente, de energia elétrica e combustíveis. Não à toa, visando conter os efeitos de segunda ordem desses choques sobre as expectativas de inflação, o Comitê de Política Monetária (COPOM) optou por ajuste de 75 bp na taxa básica de juros.
A economia mundial passa por um período de enormes mudanças. É consensual que a pandemia da Covid-19 se trata, simultaneamente, de um choque de oferta e de demanda. O choque de oferta advém da interrupção das cadeias de suprimento globais - com redução drástica da oferta de insumos básicos para os processos produtivos - e da queda da oferta de trabalho em decorrência do isolamento social necessário para a contenção da propagação do vírus.
Há um amplo debate sobre até que nível seria possível reduzir a taxa básica de juros de curto prazo no Brasil nos próximos meses – na medida em que a Selic, determinada pelas decisões do Comitê de Política Monetária (COPOM), alcançou recentemente a marca de 3% a.a. em termos nominais (o menor nível já atingido).
A atual crise econômica brasileira não encontra paralelo na história do país. Depois de dois anos consecutivos, 2015 e 2016, de forte contração do PIB, e outros dois, 2017 e 2018, de baixo crescimento, a economia encontra-se praticamente estagnada e flertando com a volta da recessão neste ano de 2019.
O atual ritmo de recuperação da atividade econômica no Brasil tem se revelado frustrante. O Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (CODACE) da FGV faz a cronologia, em bases trimestrais, dos ciclos de negócios no Brasil desde 1980. Ao longo de quase quatro décadas, o Brasil enfrentou nove períodos de queda do PIB, conforme indicado na tabela 1.
O IBRE elegeu a produtividade como uma das preocupações centrais de sua missão institucional de contribuir para o debate sobre o desenvolvimento do país. Com esse objetivo, o site Observatório da Produtividade - Regis Bonelli reúne uma ampla base de dados, estudos e análises sobre a produtividade, com o objetivo de fornecer informações para uma maior compreensão do tema e contribuir para a formulação de políticas públicas que possam aumentar a produtividade e impulsionar o crescimento. Acesse Observatório da Produtividade - Regis Bonelli.
Fábio Giambiagi é obcecado pelos dados. É com essa obsessão e uma bagagem de quase quatro décadas acompanhando temas fiscais que o autor lançou uma radiografia da política fiscal brasileira no livro “Tudo sobre o déficit público” que é uma boa sugestão de leitura para quem deseja aprender sobre a evolução histórica das contas públicas no Brasil e seus desafios. Leia mais aqui.