Economia Regional

Economia da Região Sul: três evoluções distintas de PIB nas últimas duas décadas

2 abr 2025

Evolução do PIB da região Sul tem se mantido abaixo da nacional ao longo de quase todo o período 2001-2024, com exceção de Santa Catarina, que cresceu mais que o Brasil nesse período. RGS cresceu 4,2% em 2024, ano das enchentes.

No mês passado, o IBGE divulgou que o PIB brasileiro cresceu 3,4%, em 2024. Em um país de tamanho continental como o Brasil, é pouco provável que esse desempenho seja observado em todas as suas regiões ou estados. Os resultados regionais oficiais para 2024 só serão divulgados em dois anos, tempo necessário para que o IBGE tenha todas as informações estruturais para a completa elaboração do Sistema de Contas Regionais.

A partir deste estudo, como forma de antecipar a tendência do desempenho econômico das regiões, o Núcleo de Contas Nacionais do FGV IBRE inicia a elaboração de análises trimestrais sobre as regiões e algumas Unidades da Federação que tenham dados conjunturais que permitam mensurar a evolução de suas economias. Para iniciar essa análise, optou-se pela região Sul.

Esse texto está estruturado da seguinte forma: (i) principais resultados do estudo; (ii) estrutura do PIB da região Sul; (iii) análise dos dados da evolução real da atividade econômica; (iv) análise dos dados das unidades da federação; (v) estimativas trimestrais para 2023 e 2024.

  1. PRINCIPAIS RESULTADOS BRASIL
  • A evolução do PIB da região Sul tem se mantido abaixo da nacional ao longo de quase todo o período entre 2001 e 2024.
  • Não é apenas uma atividade econômica que explica o desempenho do PIB da região Sul abaixo do Brasil, sendo um padrão disseminado nas três grandes atividades (agropecuária, indústria e serviços), embora com diferentes intensidades.
  • Desde 2017, a evolução do PIB do estado de Santa Catarina tem crescido expressivamente. Na análise do crescimento médio do PIB entre 2001 e 2024, observa-se que o PIB de Santa Catarina cresceu 2,5% ao ano, tendo sido o único estado da região Sul que cresceu mais do que o do Brasil. Por sua vez, o crescimento médio do PIB do Rio Grande do Sul, entre 2001 e 2024 foi de 1,5% ao ano, tendo sido o único estado da região Sul que cresceu à taxa média inferior a 2% ao ano no período.
  • Essas realidades distantes dentro de uma mesma região colaboraram para a modificação da ordem dos estados com a maior geração de valor adicionado na região. O Paraná superou o Rio Grande do Sul pela primeira vez, como estado com maior valor adicionado da região em 2013 e, desde então, esses dois estados tem alternado de posição. Ao mesmo tempo, Santa Catarina teve fortalecido o seu desempenho no PIB da região Sul tendo, entre 2002 e 2022, aumentado em 5,3 p.p. sua participação.
  • Nos anos de 2023 e 2024, em que ainda não estão disponíveis os dados do Sistema de Contas Regionais do IBGE, os autores estimam que o PIB da região Sul tenha crescido mais que o do Brasil. Em 2023 o expressivo crescimento de 6,1% do PIB do Paraná foi o responsável por este resultado enquanto, em 2024, Santa Catarina e o Rio Grande do Sul colaboraram para o melhor desempenho da região Sul em comparação ao país. Apesar de o Rio Grande do Sul ter enfrentado a maior enchente de sua história em maio de 2024, o PIB do estado cresceu 4,2% em 2024.
  • Os resultados apresentados mostram que mesmo dentro de uma região com características semelhantes podem-se observar evoluções distintas da economia. O desempenho do PIB de Santa Catarina, com forte crescimento desde 2017, por exemplo, se contrapõe as dificuldades encontradas pelo Rio Grande do Sul que, embora tenha tido crescimento do PIB em praticamente todo o período entre 2001 e 2024, em geral apresentou taxas menores que as registradas no Brasil e em seus estados vizinhos da região.
  1. ESTRUTURA DA ATIVIDADE ECONÔMICA DA REGIÃO SUL

A Região Sul do Brasil, que compreende os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, representa cerca de 7% do território nacional. Em termos populacionais, segundo o Censo Demográfico do IBGE de 2022, 14,7% da população brasileira vive nessa região que, representa aproximadamente 17% do PIB nacional, de acordo com o Sistema de Contas Regionais do IBGE (SCR).

No Gráfico 1 é apresentada a distribuição do valor adicionado da região, pelas três grandes atividades econômicas (agropecuária, indústria e serviços), ao longo dos anos a partir das informações do IBGE.

Gráfico 1 - Participação %, anual, das atividades econômicas
no valor adicionado da Região Sul

Fonte: IBGE – Sistema de Contas Regionais. Elaboração própria.

Observa-se que o setor de serviços[1] é a atividade econômica com maior participação no valor adicionado da região, assim como o é na economia brasileira. Em termos de composição, destacam-se as atividades associadas a outros serviços[2] e ao comércio como as de maior participação no valor adicionado do setor.

A indústria[3] é a segunda maior atividade no valor adicionado da região. Embora as indústrias extrativas praticamente inexistam nos estados, a região ainda assim teve uma maior participação da indústria do que a observada no país (25,3%), o que é explicado pela forte presença regional da indústria de transformação.

A atividade agropecuária representou 9,2% do valor adicionado do Sul, em média, entre 2002 e 2022. No Brasil, este percentual foi de 5,7%. Apesar de esta atividade representar pouco menos de 10% do valor adicionado da região Sul, ela é bastante influente na agropecuária nacional. Em torno de 27% do valor adicionado da agropecuária nacional é gerado na Região Sul, sendo mais de 80% concentrado nos estados do Paraná e Rio Grande do Sul. Em publicação no blog do IBRE, sobre o papel da agropecuária no desempenho da economia brasileira de 2023, abordamos a relevância da agropecuária da região para o país. No Gráfico 2 é apresentada a participação do valor adicionado de cada atividade econômica da região Sul em comparação ao Brasil.

Gráfico 2 - Participação do valor adicionado da região Sul, por atividades
econômicas, no valor adicionado do Brasil, Média de 2002 a 2022 - %


Fonte: IBGE – Sistema de Contas Regionais. Elaboração própria.

  1. EVOLUÇÃO REAL DA ATIVIDADE ECONÔMICA

De acordo com dados do Sistema de Contas Regionais do IBGE, o PIB da região Sul cresceu à taxa média de 1,88% ao ano, de 2002 a 2022, sendo o menor crescimento médio anual de PIB entre as cinco regiões do país. O Gráfico 3 mostra os crescimentos de cada região e o do Brasil.

Gráfico 3 - Crescimento médio anual entre 2002 e 2022, por região - %

  Fonte: IBGE – Sistema de Contas Regionais. Elaboração própria.

Na análise da evolução do PIB real, nota-se que a trajetória da região tem se mantido abaixo da nacional em quase todo o período. O Gráfico 4, apresenta a evolução do PIB real por regiões para o período 2001-2024.[4]

Gráfico 4 – Evolução do PIB real por regiões – 2001 = 100

Fonte: IBGE (Brasil e dados regionais de 2021 a 2022).
Pesquisa dos autores (estimativas regionais de 2023 e 2024). Elaboração própria.

As barras cinzas mostram a diferença entre a evolução do PIB do Brasil e o da região Sul. Nota-se que o início do processo de distanciamento entre as duas séries foi em 2005, com acentuação até 2012, ponto de máximo descolamento. Desde 2015, as séries voltaram a se aproximar, tendência observada até 2021.

A partir dos dados da Tabela 1, nota-se que esse descolamento foi disseminado entre as três grandes atividades econômicas, principalmente devido às taxas da agropecuária e da indústria. Já a aproximação posterior deve-se principalmente ao desempenho do setor de serviços. Enquanto o valor adicionado dos serviços na região cresceu à taxa média de 1,0% ao ano, entre 2012 e 2021, no Brasil o crescimento médio do setor foi de apenas 0,4% ao ano no mesmo período. Os valores adicionados dos setores da agropecuária e da indústria também mostraram desempenho melhor na região Sul do que o total brasileiro naquele período.

No que tange a agropecuária a taxa de crescimento média da região foi de 4,0% ao ano, enquanto no país foi de 3,1%. No caso da indústria, embora tenha ocorrido retração no valor adicionado das duas localidades, a da região Sul (média de -0,7%, ao ano) foi menor que a do país (média de -0,9% ao ano). A exceção desse período, em todos os demais anos analisados o crescimento médio no valor adicionado das atividades foi sempre menor na região do que o observado no país.

Tabela 1 – Taxa de variação média por período, atividade e região - %

 

Brasil

Região Sul

 

PIB

Agropecuária

Indústria¹

Serviços

PIB

Agropecuária

Indústria¹

Serviços

2001-24

2.3

3.4

1.5

2.5

2.0

2.3

1.0

2.4

2001-12

3.8

3.4

3.4

3.8

2.9

1.6

2.4

3.2

2012-21

0.2

3.1

-0.9

0.4

0.8

4.0

-0.7

1.0

2021-24

3.3

3.9

2.2

3.6

2.4

0.0

1.3

3.5

   Fonte: IBGE (Brasil e dados regionais de 2021 a 2022).
Pesquisa dos autores (estimativas regionais de 2023 e 2024). Elaboração própria.

A partir de 2022, novamente, as séries voltaram a se descolar em todas as três grandes atividades econômicas, com crescimento mais baixo no Sul do que no Brasil. Estes resultados mostram que o desempenho do PIB da região foi disseminado nas três grandes atividades, embora com diferentes intensidades.

  1. ANÁLISE POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO

O Sul é uma das regiões com distribuição de valor adicionado mais similar entre os seus estados. Ao longo dos anos, nota-se que esse equilíbrio tem ficado ainda maior com a perda de participação do Rio Grande do Sul e aumento da participação de Santa Catarina no PIB regional. Tal processo levou a uma modificação da ordem dos estados que mais geram valor na região.

O Rio Grande do Sul, que em 2002 respondia por 40,9% do PIB da região, passou para a segunda posição em 2022, com 35,5%. Em 2013, o Paraná superou o Rio Grande do Sul pela primeira vez como estado com maior valor adicionado da região e, desde então, esses dois estados tem alternado de posição. Ao mesmo tempo, Santa Catarina tem fortalecido o seu desempenho no PIB do Sul tendo aumentado em 5,3 p.p. sua participação entre 2002 e 2022. O Gráfico 5 apresenta essas participações.

Gráfico 5 – Participação das UF no PIB da região Sul - %

  Fonte: IBGE – Sistema de Contas Regionais. Elaboração própria.

Pela análise da evolução do PIB real, apresentada no Gráfico 6, observa-se que o Rio Grande do Sul descola da trajetória regional a partir de 2004, ficando consistentemente abaixo de seus vizinhos, Paraná e Santa Catarina.

Gráfico 6 – Evolução do PIB da Região Sul por UF - 2001 = 100

Fonte: IBGE (Dados regionais de 2021 a 2022).
Pesquisa dos autores (estimativas de 2023 e 2024). Elaboração própria.

Desde 2017, a evolução do PIB de Santa Catarina tem crescido expressivamente. Na análise do crescimento médio do PIB entre 2001 e 2024, apresentada no Gráfico 7, observa-se que o PIB de Santa Catarina (2,5% ao ano) foi o único da região que cresceu mais que o do Brasil (2,3% ao ano). Esse fato deve-se ao forte crescimento apresentado pelo Estado entre 2012 e 2021 (1,6% ao ano), em comparação a estagnação da economia brasileira no período (0,2% ao ano).

Gráfico 7 – PIB - Taxa de variação média anual por período e regiões - %

Fonte: IBGE (Dados regionais de 2021 a 2022).
Pesquisa dos autores (estimativas de 2023 e 2024). Elaboração própria.

Ainda de acordo com o Gráfico 7 destaca-se o fraco desempenho da economia gaúcha. O crescimento médio do PIB entre 2001 e 2024 foi de 1,5% ao ano, sendo o único estado analisado que cresceu à taxa média inferior a 2%. O Paraná, embora tenha apresentado crescimento médio acima do nacional apenas na análise a partir de 2012 não apresentou distâncias tão significativas nos períodos anteriores. O Rio Grande do Sul, em contrapartida, à exceção do período entre 2012 e 2021, apresentou o menor crescimento em todos os demais períodos, o que indica realidades distantes mesmo dentro da mesma região.

Na análise por atividades econômicas e localidades, nota-se que o valor adicionado de todas as atividades do Rio Grande do Sul evoluiu abaixo da média da região. Na agropecuária, esse padrão torna-se menos evidente; porém, na indústria e nos serviços, nota-se claro descolamento do Rio Grande do Sul em relação aos demais estados da região.

O Gráfico 8 mostra a evolução da agropecuária por estados. Apesar das oscilações decorrentes de características da lavoura, nota-se forte redução do valor adicionado da atividade no Rio Grande do Sul em 2022, ficando abaixo da série de Santa Catarina. Neste ano, ocorreu forte estiagem que comprometeu a produção de lavouras gaúchas importantes, como a de soja (-54,3%) e de milho (-31,7%), segundo dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE (LSPA). Apesar da recuperação em 2023 e 2024, a evolução do valor adicionado da agropecuária do Rio Grande do Sul ainda segue abaixo da trajetória do Paraná e de Santa Catarina.

Gráfico 8 – Evolução do valor adicionado da agropecuária da Região Sul por UF - 2001 = 100

Fonte: IBGE (Dados regionais de 2021 a 2022).
Pesquisa dos autores (estimativas de 2023 e 2024). Elaboração própria.

No Gráfico 9 são apresentadas as evoluções do valor adicionado da indústria[5] por estados da região Sul. Enquanto o Paraná apresentou crescimento acima da média regional, principalmente entre 2009 e 2012, o Rio Grande do Sul descola desta média desde 2004, padrão que se acentua a partir de 2016.

Gráfico 9 – Evolução do valor adicionado da indústria
da Região Sul por UF – 2001 = 100

Fonte: IBGE (Dados regionais de 2021 a 2022).
Pesquisa dos autores (estimativas de 2023 e 2024). Elaboração própria.

No caso do Paraná, destaca-se o setor de fabricação de automóveis que, entre 2009 e 2012, mais que dobrou a produção, segundo dados da Pesquisa da Indústria Mensal do IBGE (PIM-PF). Além desse componente, também se destacaram positivamente ao longo do tempo os segmentos de fabricação de bebidas, de máquinas e equipamentos, de celulose e produtos de papéis, entre outros.

A redução no valor adicionado da indústria do Rio Grande do Sul foi disseminada. Dados da PIM-PF mostram que a produção industrial do estado apresentou, entre 2003 e 2024, recuos em diversas atividades, sendo os mais significativos em fabricação de produtos do fumo (-25,2%), preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-54,9%), fabricação de produtos de borracha e de material plástico (-28,2%) e metalurgia (-24,4%).

Em Santa Catarina, desde 2016, observa-se acentuada elevação da trajetória da indústria. Esse é o único estado da região que alcançou o maior nível da série industrial em 2024; o Paraná e o Rio Grande do Sul ainda não recuperaram os patamares que atingiram em 2013. Com base em dados da PIM-PF, destacam-se diversos setores com crescimento entre 2016 e 2024, sendo os maiores destaques o da metalurgia (86,4%), de fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (36,7%) e fabricação de automóveis (23,2%).

No setor de serviços[6], conforme apresentado no Gráfico 10, Santa Catarina é o grande destaque em evolução de valor adicionado, principalmente a partir de 2017. A Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE (PMS) mostra que, entre 2016 e 2024, o estado foi o terceiro do país que mais cresceu em volume de serviços (29,9%), ficando atrás apenas de Mato Grosso (38,6%) e Amazonas (37,6%). Todos os segmentos de serviços do estado cresceram no período, com maiores destaques no setor de transporte, comércio e informação e comunicação.

Gráfico 10 – Evolução do valor adicionado dos serviços da Região Sul por UF - 2001 = 100

Fonte: IBGE (Dados regionais de 2021 a 2022).
Pesquisa dos autores (estimativas de 2023 e 2024). Elaboração própria.

O setor de serviços do Paraná evoluiu conforme a média da região em praticamente toda a série. A análise do período entre 2016 e 2024 mostra que os maiores crescimentos do setor foram observados nos transportes, informação e comunicação e outros serviços.

O Rio Grande do Sul, mais uma vez, foi o estado com desempenho mais fraco da região, na análise dos serviços. Os destaques positivos entre 2016 e 2024 foram os setores de comércio, informação e comunicação e outros serviços. Chama atenção que os transportes e a administração pública apresentaram relativa estagnação no período.

Após a análise estrutural da economia da região Sul e seus estados, conclui-se que o Rio Grande do Sul tem apresentado desafios nas três atividades econômicas, o que tem se refletido no desempenho mais fraco de sua economia. O estado de Santa Catarina tem crescido fortemente, principalmente a partir de 2016, o que tem contribuído para o ganho de participação no PIB da região Sul, ao longo dos anos. O Paraná, principal estado gerador de PIB na região atualmente, tem se destacado, principalmente, pelo fortalecimento da sua indústria.

Além dos dados oficiais do Sistema de Contas Regionais do IBGE que contém informações até 2022, foram utilizadas estimativas para 2023 e 2024 realizadas pelos autores. Abaixo está apresentada a dinâmica trimestral dessa análise, com foco nos anos de 2023 e 2024, período em que a série anual do IBGE não está disponível.

  1. Estimativas de PIB para 2023-2024 e análise trimestral

Estima-se que o PIB da região Sul tenha crescido mais que o do Brasil nos anos de 2023 e 2024, como mostra o Gráfico 11. Em 2023, o expressivo crescimento de 6,1% do PIB do Paraná foi o responsável por este resultado, enquanto em 2024, Santa Catarina e o Rio Grande do Sul colaboraram para o melhor desempenho da região Sul em comparação ao país.

O forte crescimento estimado de 4,2% para o PIB do Rio Grande do Sul em 2024 surpreende tendo em vista que o estado foi atingido, entre abril e maio daquele ano, pela tragédia das enchentes[7].

Gráfico 11 – Taxa de crescimento estimada para o PIB por regiões e anos

Fonte: Estimativa e elaboração própria.

A Tabela 2 apresenta a taxa de variação trimestral contra o trimestre imediatamente anterior. Na análise do resultado mais recente, o do 4º trimestre de 2024, nota-se que o crescimento do PIB da região Sul (0,9%) e de todos os seus estados, foi maior que o do Brasil (0,2%). Esse forte crescimento regional deve-se, principalmente, aos crescimentos observados nos valores adicionados da agropecuária e do setor de serviços.[8]

Tabela 2 – PIB - Taxa de crescimento trimestral contra trimestre
imediatamente anterior na série com ajuste sazonal - %

 

Brasil

Região Sul

Paraná

Santa Catarina

Rio Grande do Sul

1T2023

1.4

4.1

10.9

1.6

-2.0

2T2023

0.7

-0.8

-2.6

0.2

2.4

3T2023

0.1

-0.8

-2.8

0.5

-0.4

4T2023

0.4

0.2

0.8

0.3

-0.3

1T2024

1.0

4.0

2.2

2.3

5.7

2T2024

1.3

-1.0

1.2

1.2

-2.9

3T2024

0.7

1.6

1.9

1.5

0.8

4T2024

0.2

0.9

1.3

0.7

0.8

              Fonte: Estimativa e elaboração própria.

Na análise trimestral desde 2023, observa-se que o PIB do Brasil apresentou crescimento nos oito trimestres analisados. Na região Sul, apenas o PIB de Santa Catarina obteve o mesmo padrão. No Paraná, houve retrações em dois trimestres de 2023, o que é explicado pela agropecuária. No Rio Grande do Sul, foi observada retração em três trimestres de 2023, principalmente pelo fraco desempenho da indústria. Em 2024, o PIB gaúcho retraiu no 2º trimestre (-2,9%), devido a tragédia das enchentes no estado, com retrações na agropecuária (-2,2%), nos serviços (-3,2%) e estagnação da indústria. No terceiro e quarto trimestres a economia gaúcha voltou a crescer registrando 0,8% de crescimento do PIB em cada trimestre.

Os resultados apresentados mostram que, mesmo dentro de uma região com características semelhantes, pode-se ter evoluções muito diferentes da economia. O desempenho do PIB de Santa Catarina, com forte crescimento desde 2017, por exemplo, se contrapõe as dificuldades encontradas pelo Rio Grande do Sul que, embora tenha crescimento do PIB em praticamente todo o período entre 2001 e 2024, em geral apresentou taxas menores que as registradas no Brasil e em seus estados vizinhos.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 


[1] O setor de serviços é composto por comércio, transportes, informação e comunicação, atividades financeiras, atividades imobiliárias, administração pública e outros serviços.

[2] A atividade de outros serviços compreende os setores de alojamento, alimentação fora da residência, atividades profissionais, educação privada, saúde privada, entre outras.

[3] Composta por indústrias extrativas, indústria de transformação, eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos, e construção.

[4] Em todo o trabalho os dados regionais de 2023 e 2024 são estimativas dos autores, enquanto o dado do Brasil é o oficial divulgado nas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE.

[5] Composta por indústrias extrativas, de transformação, eletricidade, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos e construção.

[6] Composto por comércio, transportes, informação e comunicação, atividades financeiras, atividades imobiliárias, outros serviços e administração pública.

[8] A pesquisa realizada pelos autores estimou a evolução trimestral do PIB dos estados e da região para uma série iniciada em 2001, possibilitando a análise dessazonalizada desta seção.

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