Evolução do PIB per capita das regiões brasileiras de 2002 a 2023

Regiões Nordeste, com R$ 27.682, e Norte, com R$ 36.679, apresentaram valores inferiores ao da média nacional. Centro-Oeste, com R$ 71.201, Sudeste, com R$ 68.358 e Sul, com R$ 61.275, apresentaram patamares superiores ao da média brasileira.
O Brasil é um país de extensão continental, o que torna relevante a realização da análise regional, uma vez que as realidades vivenciadas em cada local são muito diferentes. Por essa razão, neste trabalho são mostradas as trajetórias de evolução do PIB per capita das cinco regiões brasileiras entre 2002 e 2023, período em que os dados do Sistema de Contas Regionais do IBGE (SCR) estão disponíveis.
O PIB per capita mensura o PIB pela população residente obtendo-se uma estimativa do valor médio gerado por habitante. Apesar de na prática esse resultado ser, em muitos casos, bastante diferente dessa média, tal análise é interessante pela simplicidade de sua mensuração e a possibilidade de compreensão dos diferentes níveis de PIB per capita regionais e como este indicador tem evoluído ao longo do tempo. Mapear essas diferenças ajuda a melhorar a compreensão de como a composição das atividades econômicas e mesmo questões demográficas podem influenciar na evolução da economia de diferentes regiões.
Para a construção das séries, foram considerados os dados de PIB do SCR a preços de 2023 e os dados de população residente divulgados pelo IBGE na pesquisa Estimativa da População referente a 1o de julho de cada ano, enviada ao Tribunal de Contas da União de 2002 a 2021. Para o ano de 2022 foi utilizada a primeira apuração do Censo Demográfico 2022 e, para 2023, a Relação da População dos Municípios enviada ao TCU atualizada para os limites territoriais comunicados ao IBGE entre 1 de agosto de 2022 e 30 de abril de 2023.[1]
No caso brasileiro, o PIB per capita em 2023 foi de R$ 53.887, tendo havido grande variação de nível entre as regiões do país, como apresentado no gráfico 1. As regiões Nordeste, com R$ 27.682, e Norte, com R$ 36.679, apresentaram valores inferiores ao da média nacional, enquanto o Centro-Oeste, com R$ 71.201, o Sudeste, com R$ 68.358 e o Sul, com R$ 61.275, apresentaram patamares superiores ao da média brasileira.

Fonte: IBGE – Sistema de Contas Regionais e Estimativa da população. Elaboração própria.
Destaca-se, pelo exposto no gráfico 1, que o Centro-Oeste ocupava a terceira posição de nível de PIB per capita do país em 2002 e passou a ser a segunda região de maior nível em meados da década de 2000, quando ultrapassou o Sul. No início da década de 2020, a região também ultrapassou o Sudeste e, atualmente, detém o maior PIB per capita do Brasil.
O Centro-Oeste é uma região que tem no agronegócio grande parte do seu crescimento econômico dos últimos anos, que impulsiona muito além da agropecuária, envolvendo a cadeia industrial de alimentos e o setor de serviços para dar suporte à expansão da atividade econômica. Essa movimentação colabora para que a evolução do PIB per capita da região desponte como a maior do país.
Nas regiões Sudeste e Sul, o elevado patamar de PIB per capita é explicado primordialmente pelo fato de serem as regiões que concentram a maior parte da indústria de transformação e serviços de informação e comunicação nacionais, atividades que tendem a gerar maior nível de valor adicionado, o que contribui para níveis mais elevados de PIB per capita. De acordo com dados do SCR, no caso da transformação, em 2023 a produção do Sudeste representou 55,3% da produção do país, enquanto o Sul, 23,2%. Já no caso dos serviços de informação e comunicação, 71,7% estavam localizados no Sudeste, enquanto 13,6% estavam no Sul.
Apesar desse fator estrutural, que contribui para que o Sudeste e o Sul tenham níveis mais elevados de PIB per capita que o Norte e o Nordeste, tem havido redução das diferenças entre as trajetórias dessas regiões. Isto é explicado pelo fato de o PIB per capita ter registrado taxa média anual de crescimento entre 2002 e 2023 maior no Norte e no Nordeste do que as observadas no Sul e Sudeste, como mostra o gráfico 2. Nota-se que os maiores crescimentos foram do Norte, do Centro-Oeste e do Nordeste do país, enquanto o Sudeste e o Sul apresentaram taxas de crescimento abaixo da média nacional.

Fonte: IBGE – Sistema de Contas Regionais e Estimativa da população. Elaboração própria.
Apesar desse movimento de redução da desigualdade do PIB per capita entre as regiões brasileiras, é evidente que o ritmo dessa redução é bastante lento, o que contribui para que as diferenças de níveis de PIB per capita entre as regiões ainda sejam significativas.
Em termos de desempenho, o grande destaque é o Centro-Oeste, que tem apresentado o maior crescimento entre as regiões do país, o que colaborou para que saísse da terceira posição entre as cinco regiões brasileiras para o maior nível do país. Esse resultado é desejável, mas precisa ser avaliado se de fato tem contribuído para a melhora da qualidade de vida média na região, ou se está concentrada apenas para pequena parcela da população.
Este artigo foi publicado na edição de janeiro da Revista Conjuntura Econômica.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.
[1] A definição da população utilizada para o cálculo seguiu o mesmo critério utilizado pelo IBGE na divulgação do Produto Interno Bruto dos Municípios de 2023.










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