Impacto da Importação de Plataformas de Petróleo no Investimento de 2018

16/10/2018

O post da pesquisadora Lia Valls do dia 18/09/2008 alertou para o impacto da importação das plataformas de exploração de petróleo nos índices de volumes da balança comercial. A pergunta relevante do ponto de vista das projeções de PIB é qual será o impacto no investimento computado pelo IBGE.

Apenas para relembrar, houve mudanças no regime REPETRO, que concede tratamento tributário e aduaneiro especial para bens destinados ao setor de petróleo e gás. Como alertou a pesquisadora, pelo antigo regime, era permitido exportar plataformas, mesmo quando não houvesse saída física dos bens do território nacional. Porém, essas plataformas eram “ importadas” na modalidade de “admissão temporária”, sem registros nas importações, e, consequentemente, não eram incluídas no estoque de investimento do país.

Então, podemos concluir que o regime antigo gerou uma subestimação do investimento no Brasil nos últimos anos.

No entanto, isso mudou. Pela lei recente, estas operações são registradas nas importações, e não haverá, portanto, o problema de subestimação para as novas plataformas de petróleo.  O problema surge com relação ao registro das plataformas antigas. Agora elas também estão sendo importadas. Dessa forma, uma parcela significativa do aumento da importação de bens de capital é de plataformas antigas, que já deveriam estar no estoque...

Para dimensionar o problema, a equipe do Boletim do ICOMEX da FGV/IBRE calculou o quantum das importações de bens de capital com e sem plataformas de petróleo. O gráfico abaixo mostra a diferença entre as duas séries desde janeiro de 2018.

Gráfico 1: Volume importado de bens de capital com e sem plataformas (%, em relação ao mesmo mês do ano anterior)

Utilizando esses dados, foi possível calcular o impacto na série de Absorção de Máquinas e Equipamentos e estimar qual seria o impacto no investimento, caso o IBGE decida incorporar plenamente essas informações na metodologia das Contas Nacionais.

Segundo cálculos do Boletim Macro IBRE, o investimento no ano poderá crescer 6%, quase o dobro do valor previsto anteriormente, de 3,4% (desconsiderando o efeito das importações de plataformas). E esse impacto será muito expressivo no terceiro trimestre. Então não podemos comemorar o resultado que será divulgado pelo IBGE em 30 de novembro.

Além disso, se o investimento foi subestimado no passado, e se o PIB continuou o mesmo, a produtividade do capital, que já havia se contraído muito nos últimos anos, deve ter sido ainda pior. O desastre continua.

 

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 

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