Juro real atipicamente elevado no Brasil: o impulso fiscal pesa, mas não explica o “excesso”

Comparando o Brasil a sete emergentes, Bráulio Borges mostra que o impulso fiscal explica as oscilações do juro real brasileiro, mas não o seu nível: mesmo com política fiscal neutra, o diferencial seguiria cerca de 3 p.p. acima do dos pares.
Mesmo depois de descontados o juro real dos EUA e o prêmio de risco soberano, o juro real ex-post brasileiro ficou, em média, cerca de 3 pontos percentuais acima do observado em economias emergentes comparáveis entre 2001 e 2025. Este texto pergunta quanto desse "excesso" pode ser atribuído à execução da política fiscal, medida pelo impulso fiscal, isto é, pela variação do resultado primário ajustado ao ciclo econômico.
A resposta tem duas partes. A primeira é que, no Brasil, o impulso fiscal de fato pesa sobre o diferencial de juros: cada ponto do PIB potencial de impulso por ano está associado a um diferencial de juros cerca de 1,9 p.p. maior, uma relação estatisticamente robusta que não se observa na média dos demais emergentes. A segunda é que, mesmo com um impulso fiscal zero, o diferencial brasileiro estimado seria de cerca de 3,4 p.p., um patamar que nenhum par alcança. Portanto, a execução da política fiscal – isto é, se ela é expansionista ou contracionista – ajuda a explicar as oscilações do juro brasileiro, mas não o seu nível.
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