Bráulio Borges

Graduado em Economia e mestre em Teoria Econômica pela FEA-USP, recebeu o Prêmio Tesouro Nacional pela sua dissertação de mestrado em Finanças Públicas. Atuou no departamento econômico da Telefónica e foi professor de Macroeconomia na Pós-Graduação da GVLaw. Atualmente é economista-sênior da área de Macroeconomia da LCA e pesquisador-associado do IBRE/FGV.

Nada mais “ortodoxo” do que estimular a demanda em uma economia operando muito aquém do pleno-emprego

Em texto recente preparado em conjunto com meus colegas Manoel Pires e Gilberto Borça Jr.,  argumentamos que uma parcela relevante da “culpa” pela retomada atipicamente lenta do PIB brasileiro após a recessão de 2014-2016 reflete uma postura inadequada da política monetária, dadas as restrições colocadas às políticas fiscal e parafiscal desde 2015/16.

Por que a recuperação tem sido a mais lenta de nossa história?

Introdução

A atual crise econômica brasileira não encontra paralelo na história do país. Depois de dois anos consecutivos, 2015 e 2016, de forte contração do PIB, e outros dois, 2017 e 2018, de baixo crescimento, a economia encontra-se praticamente estagnada e flertando com a volta da recessão neste ano de 2019.

Suavizar o ciclo econômico eleva o PIB potencial

Tem gerado bastante polêmica dentre os economistas a sugestão feita por Armínio Fraga de que o objetivo de “suavizar o ciclo econômico” deveria ser incorporado ao mandato explícito do Banco Central do Brasil (BCB), somando-se aos objetivos de manter a inflação “na meta” (e não “baixa”, como muitas vezes apontado por alguns analistas, inclusive pelo atual presidente do BCB...) e de buscar a estabilidade financeira.

Razões técnicas para não reduzir a meta de inflação de 2022

O Conselho Monetário Nacional (CMN) definirá, ainda neste mês de junho, a meta de inflação para 2022. Há um certo consenso de que ela será reduzida novamente, para 3,50% a.a. É o que se infere a partir das projeções de inflação do grupo do Top5 do Focus/BCB e mesmo da inflação implícita na estrutura a termo de juros doméstica.

Crescimento potencial de +0,6% e hiato de -6% não são incompatíveis: a velha confusão entre taxa e nível do PIB potencial

Embora eu já tenha explorado esse tema em meu último post neste blog, achei melhor aprofundar um pouco mais esse assunto, estimulado por um trecho de uma entrevista recente do economista Marcos Lisboa ao Valor Econômico, reproduzido abaixo:

Já que o teto de gastos será modificado, que tal excluir o gasto com o Censo e promover algumas outras melhorias?

A equipe econômica vai enviar, nas próximas semanas, uma PEC para o Congresso propondo algumas alterações pontuais no teto de gastos do governo federal, que foi instituído pela Emenda Constitucional 95 / 2016.

Retomada deve vir pela demanda – e BCB ainda tem bastante espaço para impulsioná-la, sem desrespeitar o sistema de metas de inflação

Como uma autoridade monetária operando sob um regime de metas de inflação deve reagir a choques de oferta? Resposta do Banco Central do Brasil a essa pergunta: “(...) com expectativas de inflação ancoradas, eventuais choques que produzam ajustes de preços relativos devem ter apenas seus efeitos secundários combatidos pela política monetária” (parágrafo 15, ata da 215ª reunião do Copom, em junho de 2018).

Avaliando a política monetária brasileira sob a ótica do Price Level Targeting

Há um amplo debate, que não é tão recente assim, sobre possíveis aprimoramentos no arcabouço de política monetária das economias centrais, à luz daquilo que parece ser uma mudança estrutural (ou ao menos bastante persistente): taxas de juros de equilíbrio muito baixas, próximas de zero em termos nominais – o que reduz bastante a margem de manobra para administrar recessões mais severas e duradouras (mais assemelhadas a depressões).  

Resultado fiscal estrutural brasileiro encerrou 2018 em terreno ligeiramente positivo, pela primeira vez desde 2012

No final do ano passado, preparei uma nota para o Observatório de Política Fiscal (OPF) do FGV IBRE apresentando alguns detalhes metodológicos e estimativas do resultado fiscal estrutural do governo geral brasileiro entre 1995 e o 3º trimestre de 2018.

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