Bráulio Borges

Graduado em Economia e mestre em Teoria Econômica pela FEA-USP, recebeu o Prêmio Tesouro Nacional pela sua dissertação de mestrado em Finanças Públicas. Atuou no departamento econômico da Telefónica e foi professor de Macroeconomia na Pós-Graduação da GVLaw. Atualmente é economista-sênior da área de Macroeconomia da LCA e pesquisador-associado do IBRE/FGV.

Deve o BC reduzir a Selic? Sim, e não estará desrespeitando o sistema de metas

No começo deste ano, escrevemos um artigo para este blog apontando que uma das causas da retomada atipicamente lenta da atividade brasileira desde o final de 2016 seria uma postura insuficientemente estimulativa da política monetária doméstica nos últimos anos. Ademais, indicamos que, dado o atual balanço de riscos, o Banco Central do Brasil (BCB) deveria aumentar a dose de estímulo monetário.  

Flexibilização recente da LRF para municípios: esculhambação ou modernização?

No final do ano passado, o presidente da República em exercício e presidente da Câmara, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), sancionou a Lei Complementar 164 / 2018, que vinha tramitando desde 2015 (PLS 316/2015) e que foi aprovada no Congresso no começo de dezembro.

A nova lei acrescentou dois parágrafos ao artigo 23 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF, Lei Complementar 101/2000). Abaixo, o artigo supracitado completo, já com os dois novos parágrafos incluídos em dezembro (§ 5º e § 6º, destacados por mim em negrito):

A solução do enigma do deflator: crescimento do PIB em 1997-2015 foi 1 p.p. maior, por ano, do que apontam os dados oficiais

Antes de apresentar, de forma relativamente sucinta, minha reestimação do PIB brasileiro entre 1997 e 2015 à luz daquilo que apresentei nos posts anteriores, bem como alguns exercícios estatísticos/econométricos buscando validar esse recálculo, vou tecer alguns comentários à terceira postagem de Cláudio e Juliana (aqui).

De um modo geral, eles defenderam, com base em algumas comparações com outros países, que essa questão do deflator do PIB brasileiro “It is not an issue and never should have been” (palavras deles).  

O enigma do deflator do PIB: inflação ou crescimento subestimado? (Parte II)

Nesta segunda parte (aqui a primeira), irei tecer alguns comentários mais específicos aos dois primeiros posts de Cláudio e Juliana (aqui e aqui), que avaliaram dois produtos, automóveis e diesel, para então rejeitar minhas colocações sobre o que estaria por detrás do en

O quão estimulativa estaria a política monetária brasileira?

De acordo com o Banco Central do Brasil (BCB), a política monetária doméstica encontra-se, desde o final do 3º trimestre de 2017, em terreno estimulativo. Contudo, a atividade econômica ainda apresentava, em fins de 2018 – isto é, após mais de um ano de impulso monetário –, uma recuperação bastante tímida. Como consequência disso, a ociosidade da economia brasileira – vide a taxa de desemprego e o nível de utilização da capacidade instalada industrial – pouco se alterou nos últimos dois anos, desde que o “fundo do poço” foi atingido (4T/2016).

Orientação da política fiscal em relação ao ciclo e solvência do governo: tudo a ver

Preparei recentemente um texto para o Observatório de Política Fiscal (OPF) do IBRE/FGV apresentando estimativas para o resultado primário estrutural (isto é, líquido de não-recorrências e dos impactos estimados do ciclo econômico) brasileiro no período 1995-2018.

Reservas internacionais e dívida pública: contextualizando o debate

O debate sobre eventuais usos alternativos das reservas internacionais ressurgiu nas manchetes dos jornais nos últimos dias, com o futuro ministro da Fazenda/Economia, Paulo Guedes, sinalizando que poderia vender parte das reservas brasileiras para reduzir a dívida pública bruta (sobretudo caso o R$/US$ se depreciasse, já que isso aumentaria o valor, em R$, das reservas).

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