Bráulio Borges

Graduado em Economia e mestre em Teoria Econômica pela FEA-USP, recebeu o Prêmio Tesouro Nacional pela sua dissertação de mestrado em Finanças Públicas. Atuou no departamento econômico da Telefónica e foi professor de Macroeconomia na Pós-Graduação da GVLaw. Atualmente é economista-sênior da área de Macroeconomia da LCA e pesquisador-associado do IBRE/FGV.

Ainda sobre o hiato do produto

Os textos abaixo são uma transcrição quase literal de uma troca recente de e-mails que fiz com Samuel Pessoa, a qual foi motivada pelo post de alguns dias atrásDado o elevado interesse de diversos analistas nesse assunto, resolvi compartilhar com os leitores do blog esses e-mails. Faço um alerta de que é um post um pouco mais técnico do que o usual, mas ainda assim compreensível para boa parte dos interessados no assunto.

A diferença entre os efeitos da Lava-Jato no curto prazo e no médio e longo prazo

O objetivo deste post é duplo: i) me contrapor, parcialmente, a alguns pontos colocados em artigo recente de Roberto Castello Branco no blog do IBRE – na medida em que, ao mencionar alguns textos de Samuel Pessoa, ele acabou, indiretamente, criticando alguns argumentos que eu levantei recentemente em um longo debate sobre as causas recentes da desaceleração do crescimento brasileiro; ii) reforçar alguns dos

Hiato do produto: -3% ou -8%? Há muito em jogo nesta questão

Não bastasse a enorme incerteza envolvendo o cenário fiscal e político brasileiro no momento atual, há também uma elevada incerteza envolvendo alguns parâmetros-chave da conjuntura macroeconômica, como a elasticidade da arrecadação em relação à atividade (tema que explorei em meu último post) e o tamanho do hiato do produto – isto é, a diferença entre o PIB efetivo e o PIB potencial.

Arrecadação, atividade e a meta fiscal de 2018

Antes de iniciar esse post, gostaria de prestar uma singela homenagem ao Regis Bonelli (“sem acento no e”, como ele gostava de frisar para os mais desatentos), que nos deixou recentemente. Embora tenha lido vários de seus trabalhos ao longo de minha graduação, mestrado e vida profissional, foi somente nos últimos três anos, desde que passei a fazer parte do time do IBRE, que convivi mais intensamente com ele.

Dívida bruta ou dívida líquida, eis a questão (continuação)

Em meu post anterior neste blog, mostrei que a evidência empírica de estudos recentes indica que a dívida pública líquida parece ser o conceito mais relevante na determinação do risco-país e da probabilidade de default nas economias emergentes. Esses mesmos estudos apontam, ainda, que, quanto mais líquidos os ativos, maior a sua relevância na determinação do risco, sobretudo nas economias com maior endividamento bruto.

Dívida bruta ou dívida líquida, eis a questão

Durante muito tempo – eu arriscaria dizer que até 2010/2011 – o único conceito de endividamento acompanhado pelos analistas aqui no Brasil era o de Dívida Líquida do Setor Público (DLSP). Muito provavelmente isso se explica pelo fato de que há séries históricas desde o começo dos anos 80 para a DLSP (ver figura abaixo), ao passo que para a dívida bruta as séries têm início somente no final dos anos 90.

Chegou ao fim a quarta pior recessão brasileira dos últimos 150 anos

O Comitê de Datação dos Ciclos Econômicos (CODACE), da FGV, apontou que o atual ciclo recessivo brasileiro, iniciado no 2º trimestre de 2014, teve seu “fundo do poço” no 4º trimestre de 2016. Ou seja: foram quase três anos de recessão, com uma queda acumulada do PIB total de 8,6% nesse ínterim, cifra que que vai a quase -11% quando se desconta o crescimento populacional do período (sempre em termos dessazonalizados).

Reforma política e sustentabilidade fiscal

No começo de outubro foi promulgada a Emenda Constitucional 97 (EC 97/2017), mais conhecida como a “reforma política”. As principais novidades foram a vedação das coligações partidárias nas eleições proporcionais e o estabelecimento de uma cláusula de barreira para que os partidos possam acessar o fundo partidário e o tempo gratuito de propaganda no rádio e na televisão.

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