Mercado de trabalho: inflação de alimentos e mudança estrutural reduzem sensação de bem-estar

Desemprego recorde de 5,6% no 3T25 não elevou sensação de bem-estar devido a mudanças estruturais (educação/idade), concentração em vagas de baixa produtividade e inflação da comida acima do IPCA, que corrói renda real, especialmente dos pobres.
Nos últimos anos a taxa de desemprego tem caído de forma consistente no Brasil, chegando a 5,6% no terceiro trimestre de 2025, uma baixa recorde. Conjuntamente com essa queda, tem ocorrido aumento no número de pessoas ocupadas e elevação da remuneração média do trabalho. Entre o quarto trimestre de 2019 e o terceiro de 2025, o emprego cresceu a um ritmo anual médio de 1,5%, e o rendimento real, a 1,4%.
O emprego formal tem sido o grande responsável pelo aumento da população ocupada (PO), principalmente depois de 2021. Entre o último trimestre de 2019 e o terceiro de 2025, o emprego formal cresceu a uma média anual de 2,2%, comparado a 0,2% para o informal. Já o comportamento da renda foi inverso no mesmo período: cresceu a um ritmo de 0,6% no mercado formal, e a 2,8% no informal.
De qualquer forma, a trajetória dos indicadores do mercado de trabalho nos últimos anos parece muito positiva. Apesar disso, a percepção de bem-estar econômico da população não tem apontado na mesma direção. Esse aparente descompasso entre a evolução dos indicadores do mercado de trabalho e a percepção de bem-estar levanta questões relevantes para a interpretação do atual momento da economia brasileira.
Leia aqui a Carta do IBRE de abril/2026 na íntegra.
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