Crédito

Novas evidências sobre o peso do crédito nas famílias brasileiras

7 abr 2026

Dados do BC indicam que crédito cresce de forma desigual, com custo e risco concentrados nas famílias que, mais endividadas e com juros altos, reduzem consumo. Crédito se expande, mas famílias seguem dependentes de linhas mais caras e arriscadas.

Introdução

Nos últimos meses, temos chamado atenção para uma característica central do sistema de crédito brasileiro: sua expansão ocorre de forma desigual entre os agentes econômicos, com custos e riscos concentrados sobretudo nas famílias. Em artigo anterior publicado no Blog do IBRE intitulado: “Quem paga o custo de crédito no Brasil?”, mostramos que o problema do crédito no Brasil não está na sua escassez, mas na forma como ele é distribuído.

Os dados mais recentes divulgados pelo Banco Central, em 30 de março, não apenas reforçam esse diagnóstico como permitem avançar na sua compreensão. O crédito continua crescendo no agregado, mas impulsionado principalmente pelo mercado de títulos e pelo financiamento do setor público e de grandes empresas. Ao mesmo tempo, as famílias permanecem fortemente dependentes do crédito bancário tradicional, mais caro, mais sensível ao ciclo monetário e cada vez mais concentrado em modalidades de maior risco.

Essa combinação revela um sistema financeiro segmentado, que opera com diferentes condições de acesso, formação de preços e capacidade de gestão de risco. Mais do que uma diferença de custo, trata-se de um mecanismo que distribui de forma assimétrica os efeitos da política monetária e das condições financeiras na economia.

O resultado é um padrão em que a expansão do crédito convive com restrições relevantes exatamente nos segmentos mais sensíveis da demanda. Quando o custo do financiamento se eleva, o ajuste recai de forma desproporcional sobre as famílias — justamente o principal motor do consumo e, portanto, da atividade econômica.

O argumento central deste artigo é que esse processo não é apenas conjuntural. As novas evidências reforçam que se trata de um traço estrutural do sistema de crédito no Brasil: um arranjo que amplia desigualdades, distorce a alocação de recursos e reduz a eficácia da política monetária, ao concentrar seus efeitos contracionistas nos agentes mais vulneráveis.

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As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 

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