O mapa do voto não é (só) o mapa da pobreza

No 1º turno de 2026, Lula venceu em todo o Nordeste, e Flávio Bolsonaro, no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste. A divisão coincide com a pobreza, mas a associação some fora do Nordeste e dentro das regiões. O mapa do voto não é só o da pobreza.
Introdução
O primeiro turno da eleição presidencial de 2026 terminou com ligeira vantagem de Flávio Bolsonaro no resultado nacional. Ele obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de 1,9 ponto percentual, ou cerca de 2,2 milhões de votos. A proximidade dos números nacionais esconde, contudo, uma divisão territorial bastante nítida. Lula ficou à frente em todos os estados do Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro venceu em todos os estados do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste.
Essa divisão costuma ser associada às diferenças de renda e pobreza entre as regiões brasileiras. Resta saber até que ponto os contrastes socioeconômicos ajudam, de fato, a entender essa geografia do voto. Em outras palavras, o mapa do voto é o mapa da pobreza? Este artigo procura discutir essa questão, investigando em que medida estados com diferentes condições de renda, pobreza e desigualdade também apresentaram padrões distintos de votação. A resposta é: só em parte. A divisão coincide com diferenças de pobreza, mas a associação depende do contraste entre o Nordeste e as demais regiões e não se repete dentro delas. Estados com pobreza semelhante, como o Acre e o Maranhão, votaram de forma muito diferente, e o mapa de 2026 reproduz quase integralmente o de 2022. Além disso, entre as duas eleições, a participação de Lula caiu menos nos estados mais desiguais.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.










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