PIB da região Sul cresceu 0,7% no 3º trimestre de 2025

PIB da região Sul cresceu 0,7% no terceiro trimestre de 2025, ante o segundo trimestre, ritmo superior ao 0,1% do PIB nacional. Rio Grande do Sul foi o estado que mais contribuiu para o crescimento do PIB sulista foi no 3º trimestre, com 1,6%.
O objetivo deste texto é apresentar como o PIB da região Sul, e de suas três Unidades da Federação - UF (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), evoluiu no 3º trimestre de 2025 e no acumulado dos três primeiros trimestres do ano. Buscou-se detalhar as contribuições dos três grandes setores de atividade econômica (agropecuária, indústria e serviços) para o desempenho do PIB da região e comparar os resultados locais com o divulgado nas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE (CNT) para o Brasil em 4 de dezembro.
INTRODUÇÃO
Este trabalho faz parte da iniciativa experimental do Núcleo de Contas Nacionais do FGV IBRE (NCN), em curso desde o início deste ano, para ampliar a análise da atividade econômica sob o aspecto regional. As estimativas apresentadas foram elaboradas com base em dados conjunturais já disponíveis[1] e com avaliação de aderência aos dados do Sistema de Contas Regionais do IBGE (SCR), disponíveis até o ano de 2023.
O texto está estruturado da seguinte forma: (i) principais resultados; (ii) análise do 3º trimestre em comparação ao 2º; (iii) análise interanual do 3º trimestre; (iv) análise do acumulado no ano até o 3º trimestre e; (iv) conclusão.
1) PRINCIPAIS RESULTADOS
- O PIB da região Sul cresceu 0,7% no 3º trimestre de 2025, em comparação ao 2º trimestre; acima do crescimento de 0,1% do PIB brasileiro.
- O PIB gaúcho foi o que mais cresceu na região (1,6%), seguido do catarinense (0,5%) e do paranaense (0,1%).
- Na análise interanual, o PIB da região no 3º trimestre foi de 2,4%, enquanto o nacional registrou crescimento de 1,8%.
- O valor adicionado das três grandes atividades econômicas cresceu mais na região do que no país, na análise interanual do 3º trimestre, mas o grande destaque foi o desempenho da agropecuária, em que a região apresentou crescimento de 19,2%, enquanto no país foi de 10,1%.
- Na análise da taxa acumulada no ano até o 3º trimestre, nota-se que a desaceleração observada no PIB nacional, também acontece na região Sul, com redução do crescimento em 2025, em relação ao de 2024. Entre os estados da região, apenas o Paraná apresenta taxa superior em 2025 a observada em 2024, o que é explicado pelo bom desempenho agropecuário do estado, que compensou a desaceleração da indústria e dos serviços.
2) ANÁLISE DA SÉRIE COM AJUSTE SAZONAL – 3º TRIMESTRE DE 2025
O PIB da região Sul cresceu 0,7% no 3º trimestre de 2025, em comparação ao 2º trimestre; acima do crescimento de 0,1% do PIB nacional divulgado pelo IBGE. No Gráfico 1, nota-se que o estado que mais contribuiu para o crescimento do PIB sulista foi o Rio Grande do Sul, onde o PIB cresceu 1,6% no 3º trimestre. O PIB do Paraná (0,1%) e de Santa Catarina (0,5%) também cresceram, mas com desempenhos mais modestos.

Fonte: Brasil – IBGE – Contas Nacionais Trimestrais. Região Sul e suas UF – Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.
3) ANÁLISE INTERANUAL – 3º TRIMESTRE DE 2025
O crescimento do PIB da região Sul foi de 2,4% no 3º trimestre, em comparação ao mesmo período de 2024; também acima do 1,8% divulgado pelo IBGE para o PIB nacional. Houve crescimento no valor adicionado das três grandes atividades econômicas na região, sendo o maior deles, o da agropecuária (19,2%). Destaca-se que o desempenho da região Sul foi superior ao nacional não apenas no PIB, como também em todas as atividades analisadas, como pode ser observado no Gráfico 2.

Fonte: Brasil – IBGE (CNT). Regional: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.
A Tabela 1 mostra as taxas de variação interanuais do PIB e do valor adicionado das três grandes atividades econômicas para a região Sul e suas unidades da federação no 3º trimestre. Nota-se que o PIB de todos os estados sulistas cresceu, sendo, de modo geral, impulsionado pelo desempenho da agropecuária.
Tabela 1 – PIB e valor adicionado setorial - Taxa de variação interanual
3º trimestre de 2025 - %

Fonte: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.
O PIB paranaense cresceu 2,5% no 3º trimestre, em comparação ao mesmo período de 2024. Destaca-se o baixo crescimento do valor adicionado industrial do estado (0,3%), que pouco contribuiu para o desempenho positivo do PIB estadual. Em compensação, a agropecuária, que cresceu 19,6% no valor adicionado, foi a principal atividade a contribuir positivamente para o PIB, quase o dobro da contribuição devida ao setor de serviços, embora tenha peso significativamente menor na economia do estado.
Em Santa Catarina, o crescimento de 1,5% do PIB no 3º trimestre foi o menor entre os estados da região Sul. O desempenho da agropecuária catarinense, significativamente menor que o dos demais estados da região, é um fator que ajuda a explicar este contexto.
O PIB gaúcho cresceu 2,8% no 3º trimestre, o maior entre todos os estados da região. A principal justificativa para esse desempenho é o forte crescimento de 20,8% no valor adicionado da agropecuária[2] e, também, o crescimento industrial (4,4%), bem acima do registrado nos demais estados da região e no país (1,7%).
O Gráfico 3, que apresenta a contribuição das atividades na taxa de variação trimestral interanual do 3º trimestre de 2025, mostra que a agropecuária foi a principal atividade a contribuir para o crescimento do total do valor adicionado tanto da região Sul, como do Paraná e do Rio Grande do Sul, representando mais da metade de seu crescimento nesses locais. Em Santa Catarina esta atividade também teve contribuição positiva, porém o setor de serviços foi a maior contribuição positiva para a economia do estado.

Fonte: Fonte: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.
4) Análise do acumulado no ano até o 3º trimestre de 2025
A análise do acumulado de 2025 até o 3º trimestre é interessante, pois mostra que a tendência de desaceleração da economia esperada para o Brasil, também se observa em praticamente todos os estados do Sul, como ilustrado no Gráfico 4. A exceção foi o Paraná, em que a contribuição positiva da agropecuária foi tão elevada que compensou a desaceleração do crescimento nas demais atividades da economia, resultando em taxa de crescimento do PIB maior no acumulado de 2025 até o 3º trimestre do ano, do que a registrada em 2024.

Fonte: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.
Na região Sul, o menor crescimento do PIB em 2025, considerando a taxa de variação acumulada até o 3º trimestre, está associado ao desempenho mais fraco do valor adicionado da indústria e, principalmente, do setor de serviços. Embora a agropecuária tenha ampliado a sua contribuição no PIB regional, não foi suficiente para compensar as menores contribuições das outras atividades. Este mesmo padrão explica o resultado observado em Santa Catarina.
No Rio Grande do Sul, embora o resultado do 3º trimestre tenha mostrado forte crescimento da agropecuária, os recuos apresentados no valor adicionado da atividade no 1º e 2º trimestre de 2025, contribuíram para que esta fosse a principal responsável pela perda de força da economia gaúcha na análise do acumulado do ano o 3º trimestre. Abaixo é realizada análise específica para a taxa acumulada até o 3º trimestre de 2025 nas três grandes atividades econômicas.
4.1) AGROPECUÁRIA
O valor adicionado da agropecuária cresceu 6,5% na região Sul no acumulado de 2025 até o 3º trimestre do ano, o que gerou contribuição de 0,5 p.p. para o crescimento do PIB sulista no período. Estima-se que Paraná e Santa Catarina tenham apresentado crescimentos elevados de 13,7% e 13,2% respectivamente na atividade, enquanto no Rio Grande do Sul, houve redução de 5,7% na atividade.
No Paraná, cerca de 70% do crescimento do valor adicionado agropecuário deveu-se as lavouras de milho e de soja. Em Santa Catarina, além desses cultivos, o fumo também foi importante para o desempenho positivo da atividade; em conjunto, estas três lavouras responderam por cerca de 70% do crescimento do valor adicionado agropecuário catarinense. No Rio Grande do Sul, a retração deve-se a queda no cultivo de soja, sendo este recuo atenuado pelos bons desempenhos no cultivo de arroz e de fumo.
O Gráfico 5 apresenta as taxas de crescimento do valor adicionado agropecuário, com estimativas das contribuições das atividades de cultivo de soja e milho, que se destacaram no resultado do setor entre os estados da região.

Fonte: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.
INDÚSTRIA[3]
O valor adicionado industrial cresceu 3,0% na região Sul, no acumulado de 2025 até o 3º trimestre, o que gerou contribuição de 0,7 p.p. para o crescimento do PIB sulista no período. Estima-se que crescimento do valor adicionado da atividade nos três estados da região, com destaque para a elevada taxa gaúcha de 3,8%, como mostra o Gráfico 6.

Fonte: Brasil – IBGE (CNT). Regional: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.
Destaca-se o desempenho da transformação, tendo sido a atividade que mais contribuiu para o crescimento do valor adicionado industrial do Sul ao longo de 2025, padrão observado em todos os estados da região, porém diverso do nacional, onde as indústrias extrativas foram as que mais impulsionaram o crescimento industrial.
A partir da análise da Pesquisa Industrial Mensal Regional do IBGE (PIM-RG) e da Pesquisa Industrial Anual do IBGE (PIA) é possível estimar quais segmentos mais tem contribuído para o bom desempenho da transformação dos estados sulistas no ano. No Paraná, os principais segmentos são o de fabricação de químicos, máquinas, equipamentos, aparelhos, materiais elétricos e veículos automotores. Em Santa Catarina, são os de fabricação de produtos alimentícios e de metal. Já no Rio Grande do Sul, estima-se que os segmentos de fabricação de máquinas, equipamentos e alimentícios responderam por quase a totalidade do crescimento da transformação gaúcha.
SERVIÇOS[4]
O valor adicionado do setor de serviços cresceu 1,6% na região Sul, no acumulado de 2025 até o 3º trimestre do ano, o que gerou contribuição de 0,9 p.p. para o crescimento do PIB sulista no período.
Houve crescimento em todos os estados da região, embora o comportamento da atividade de outros serviços[5] tenha sido discrepante entre eles. Esta foi a atividade que mais contribuiu para o crescimento do setor de serviços paranaense e colaborou para o bom desempenho catarinense. Porém, no caso gaúcho, estima-se que a atividade tenha contribuído para o baixo crescimento dos serviços estadual. Com base em dados da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE (PMS), avalia-se que contribuição negativa da atividade de outros serviços gaúcha esteja associada, principalmente, ao desempenho dos serviços prestados as empresas, no início do ano, mas que pela intensidade, afetou o desempenho desta atividade no ano de 2025.

Fonte: Brasil – IBGE (CNT). Regional: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.
A atividade de comércio é outra que tem se destacado no desempenho dos serviços da região em 2025. Neste caso, observa-se que houve contribuição positiva em todos os estados da região, inclusive com representatividade superior a que a atividade gerou na economia nacional. Ressalta-se a elevada contribuição gerada nos serviços catarinenses, que contribuiu para que fosse o estado em que o setor tivesse o melhor desempenho na região.
6) CONCLUSÃO
O crescimento do PIB da região Sul (0,7%) acima do nacional (0,1%) no 3º trimestre de 2025, em comparação ao 2º, deve-se principalmente ao forte crescimento gaúcho (1,6%). Além dele, os desempenhos positivos em Santa Catarina (0,5%) e no Paraná (0,1%), também contribuíram para o bom desempenho regional da atividade econômica.
Pela análise apresentada, nota-se que grande parte do crescimento da economia sulista em 2025, está associada ao bom desempenho do valor adicionado da agropecuária. Mesmo o Rio Grande do Sul, que apresentou queda nesta atividade no início do ano pela redução no cultivo de soja, já apresenta estabilidade no resultado acumulado até o 3º trimestre de 2025, na comparação com 2024, devido ao bom desempenho em outras lavouras como a de arroz e fumo, por exemplo.
No entanto, cabe notar que não é apenas a agropecuária que tem crescido nos estados sulistas. Apesar de desempenho mais modesto, a indústria e os serviços também têm crescido ao longo de 2025 nos três estados, o que contribuiu para que o desempenho dessas atividades na região, fosse mais elevada que a observada no Brasil.
No setor de serviços, a dinâmica tem sido bastante similar nos três estados, com redução das taxas de crescimento registradas nos primeiros trimestres do ano, na análise interanual, embora permaneçam sendo positivas. Destaca-se que apenas o Rio Grande do Sul não apresentou crescimento em todas as atividades de serviços investigadas, devido a retração em outros serviços.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.
Notas de Rodapé:
[1] Baseada em adaptações na metodologia das CNT. Para isto foram utilizadas diversas fontes de dados, sendo a maioria do IBGE, como a LSPA, a PIM-PF, a PMC, a PMS, a PNAD Contínua, entre outras.
[2] De acordo com o boletim Indicadores do Agronegócio do RS, o bom desempenho de fumo e de carne, com destino para as exportações, ajudam a explicar esse resultado. Para maiores informações, acessar: https://www.estado.rs.gov.br/upload/arquivos/202511/indicadores-do-agron...
[3] A indústria é composta por indústrias extrativas, indústria de transformação, eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos, e construção.
[4] O setor de serviços é composto por comércio, transportes, informação e comunicação, atividades financeiras, atividades imobiliárias, administração pública e outros serviços.
[5] Os outros serviços contemplam alojamento, alimentação, atividades profissionais, científicas e técnicas, administrativas e serviços complementares, educação privada, saúde privada, artes, cultura, esporte, recreação, serviços domésticos e outras atividades de serviços.










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