Tecnologia

Uso de IA nos negócios no Brasil

27 jan 2026

Boa parte das empresas já está familiarizada com ferramentas de Inteligência Artificial e as usam com frequência. Entre benefícios e desafios da aplicação, porém, há diferenças importantes entre médias e grandes empresas e os pequenos negócios.

O uso de Inteligência Artificial na sociedade é um caminho sem volta, e o seu crescimento tende a ser exponencial nos próximos anos. No âmbito das empresas, isso não é diferente, e a competitividade dos negócios depende, cada vez mais, do domínio no uso de IA aplicada à gestão dos empreendimentos.

No nível individual, sabe-se que os empreendedores brasileiros já vêm tomando contato massivo com IA, em especial, indiretamente, por meio de uso de aplicativos que incorporam recursos de inteligência artificial, na sua vida pessoal. O uso por meio de GPS nos veículos, do reconhecimento facial nos celulares, uso de assistentes virtuais em casa, aplicativos que melhoram fotos e imagens e uso da IA generativa, são alguns exemplos da incorporação desses recursos[1].

Porém, a aplicação direta no mundo dos negócios, só agora pôde ser identificada nesse grupo. Recente pesquisa realizada pelo Sebrae/FGV IBRE, com a colaboração do Google, com cerca de 5.000 empresas de todos os portes, no Brasil, cujo objetivo foi identificar o uso de IA no negócio, mostra que também nos empreendimentos a IA vem crescendo de forma rápida.

Fonte: “Uso de IA nos negócios” (Pesquisa Sebrae/FGV IBRE, com colaboração do Google, dez/2025)

Notas: MPE= Micro e Pequenas Empresas; MEI=Microempreendedor Individual

Cerca de 99% dos dirigentes de médias e grandes empresas afirmam já possuir algum tipo de familiaridade com ferramentas de IA generativa, tais como ChatGPT, Gemini, entre outras. Essa proporção cai para 96% nas MPE (Micro e Pequenas Empresas) e para 87% entre os MEI (Microempreendedores Individuais). A proporção também cai quando o quesito é mais rigoroso, “Utilizo com frequência”, que chega a 35% das médias e grandes empresas, 15% das MPE e 18% dos MEI (Gráfico 1).

Fonte: “Uso de IA nos negócios” (Pesquisa Sebrae/FGV IBRE, com colaboração do Google, dez/2025)

Notas: MPE= Micro e Pequenas Empresas; MEI=Microempreendedor Individual

A aplicação direta destas ferramentas (ou outras) para apoiar as atividades do negócio também foi tema de pesquisa. No caso das médias e grandes empresas, chega a 63% o percentual de empresas que utiliza essas ferramentas nos negócios, caindo para 46% nas MPE e 42% nos MEI (Gráfico 2). Mais uma vez, o fator porte se mostra determinante para a intensidade de uso de IA generativa (e outras) no negócio. O resultado sugere uma situação de “copo meio cheio, copo meio vazio”:  há um percentual relevante que já incorpora a IA em suas atividades, mas de forma geral, ainda há um espaço grande para o avanço dessas aplicações nos negócios brasileiros.

Fonte: “Uso de IA nos negócios” (Pesquisa  Sebrae/FGV IBRE, com colaboração do Google, dez/2025)

Notas: MPE= Micro e Pequenas Empresas; MEI=Microempreendedor Individual

No que diz respeito às finalidades do uso de IA, verificou-se prioridades também diferentes entre empresas de distintos portes. No caso das médias e grandes empresas, 67% apontam o uso para “Análise de dados”, mostrando que neste porte há uma preocupação em tornar as empresas, de fato, “orientadas para dados” (Gráfico 3).  E em segundo lugar, com 51%, o uso em “Marketing e divulgação”. No caso das empresas de menor porte, a ênfase é muito maior em “Marketing e divulgação”, com 59% nas MPE e 74% entre os MEI, seguido por “Comunicação”, e com o uso para “Análise de dados” caindo para a 3ª colocação (com 30% das MPE e 17% nos MEI). Em parte, isto pode estar associado ao fato de que, nos Pequenos Negócios, em geral, são maiores as dificuldades na captação e manutenção de clientes (característica típica de PN), o que pode estar levando estas empresas a explorarem mais o uso de IA nas esferas onde são maiores as suas dificuldades.

Fonte: “Uso de IA nos negócios” (Pesquisa  Sebrae/FGV IBRE, com colaboração do Google, dez/2025)

Notas: MPE= Micro e Pequenas Empresas; MEI=Microempreendedor Individual

Após capturar a familiaridade e a finalidade da Inteligência Artificial nos negócios, buscou-se compreender os principais benefícios percebidos e seus maiores desafios.

Mais uma vez, é possível perceber diferenças por portes de empresas. Entre os benefícios, o “Aumento de produtividade” é destacadamente o mais importante entre as médias e grandes empresas, com 42%, seguido pela “Economia de tempo” (25%). E isto parece estar associado ao fato de que, entre as empresas deste porte, ser este item um dos principais para determinar a competitividade do negócio. No caso das MPE, o maior benefício é a “Economia de tempo”, com 34%, seguido pelo empate entre “Aumento de produtividade” e “Geração de novas ideias”, ambos com 22%. Para os MEI, a “Geração de novas ideias” lidera o ranking dos benefícios com 41%, seguido pela “Economia de tempo” (24%) e “Aumento de produtividade” (13%).  O nível quase “nanico” destes negócios, parece levá-los a buscar a IA para o desenvolvimento de suas maiores vantagens competitivas (flexibilidade e adaptação).

Com relação às dificuldades para usar IA no negócio, mais uma vez, é possível verificar diferentes padrões entre empresas de portes distintos. No caso das médias e grandes empresas, a “Preocupação com a segurança/privacidade dos dados” é majoritariamente a principal, com 35% das respostas, enquanto as outras sete dificuldades são citadas em menor percentual. Em parte, essa preocupação se justifica, pois são empresas que, muitas vezes, lidam com um número grande de clientes e/ou cujo vazamento de informações poderia causar muitos prejuízos ao negócio.

No caso das MPE, aparece em 1ª colocação o item “Nenhuma dificuldade”, até de forma surpreendente, com 30% das respostas. Em parte, pode estar associado ao menor rigor deste segmento no trato de dados individuais sigilosos. O que pode ensejar a necessidade de maior conscientização, nestas empresas, sobre os riscos ao negócio, dos aspectos associados à legislação sobre dados no país.

No caso dos MEI, “não sabe como aplicar no meu negócio” lidera o ranking das respostas desse grupo de empresas (23%), sugerindo um maior desconhecimento e despreparo para uso de IA, e conferindo ao grupo um potencial grande de expansão.

Os resultados refletem as desigualdades no acesso e conhecimento das ferramentas de IA entre as empresas de diferentes portes. Enquanto grandes empresas dispõem de recursos financeiros, infraestrutura tecnológica e equipes especializadas, pequenas empresas e MEIs enfrentam barreiras significativas que vão desde os custos elevados de implementação até o desconhecimento sobre as aplicações, como mostrou o quesito. Essa disparidade pode limitar a competitividade das empresas e ampliar o risco de concentração de inovação em poucas mãos, reforçando as assimetrias de mercado e dificultando a democratização do acesso. Tais fatores tornam essenciais a existência de políticas e iniciativas que busquem minimizar essas disparidades, para que os pequenos negócios também possam aproveitar os benefícios da IA.

Fonte: “Uso de IA nos negócios” (Pesquisa Sebrae/FGV IBRE, com colaboração do Google, dez/2025)

Notas: MPE= Micro e Pequenas Empresas; MEI=Microempreendedor Individual

Dessa forma, é possível concluir que o uso de IA vem se difundindo massivamente também entre os negócios brasileiros, mas que existem diferenças grandes, em termos de intensidade de uso, finalidade, benefícios e dificuldades, dependendo do porte das empresas. De uma forma geral, as médias e grandes empresas se mostram mais atuantes no uso de IA, mais focadas nos benefícios advindos dos ganhos de produtividade e na questão do sigilo de dados, ao passo que as menores, um pouco atrás nestes quesitos, veem mais os benefícios da economia de tempo e geração de novas ideias. Além disso, justamente porque usam menos IA, têm um maior potencial de expansão no uso dessas ferramentas, desde que mais bem preparadas e conscientizadas sobre os seus benefícios potenciais e os riscos associados à gestão de dados.


 As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 

 

[1] Ver em SEBRAE. Transformação digital nos pequenos negócios. 2025. Disponível em: https://datasebrae.com.br/transformacao-digital/. Acesso em: [27/11/2025].

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