EUA (2026): dobrando a aposta

Em 2025, ataques às instituições e mudanças nas regras do jogo aumentaram incerteza. 2026 terá instabilidade institucional e alta da incerteza antes das eleições legislativas nos EUA. Hiperatividade da administração Trump turva visibilidade prospectiva.
O comportamento errático da administração Trump comprometeu a arquitetura geoeconômica global, ampliando a incerteza. Desde sua posse, o novo governo norte-americano teve inúmeras rusgas e embates com aliados históricos, retirou o país de acordos e de organismos internacionais, mudou as regras do comércio exterior, atacou e invadiu países, tensionando o ambiente geopolítico global e ampliando o isolacionismo americano. A percepção de que as instituições norte-americanas não são capazes de conter os ímpetos de Trump aumentou a incerteza e reduziu a credibilidade do país, tendo impacto, por exemplo, nos preços relativos de ativos americanos. Neste cenário, a arquitetura geoeconômica global está sendo redesenhada, em ambiente particularmente difícil para as decisões de política econômica (gráfico 1)[1].
Gráfico 1: Indicador de Incerteza de Política Econômica (2024-2025)

Fonte: Policy Uncertainty
O governo de Trump se propôs a redesenhar as relações econômicas e comerciais entre os Estados Unidos e o mundo. Honrando compromissos de campanha, o governo colocou em prática diversas medidas que ressuscitaram as agendas Make America Great Again (MAGA) e America First. Uma nova política migratória reduziu fortemente os influxos de trabalhadores e modificou as condições de oferta no mercado de trabalho, com efeitos perceptíveis sobre o seu equilíbrio. Houve importante reparametrização fiscal, com aumento plurianual dos gastos, mudanças em sua composição e incremento da importância das tarifas aduaneiras para os resultados de curto prazo. E, talvez mais relevante, um novo paradigma de relações entre os Estados Unidos e o mundo levou a uma forte expansão das tarifas efetivas de importação, em meio a uma política deliberada de enfraquecimento global do dólar americano.
Há sinais de que o mercado de trabalho americano migrou para um novo equilíbrio, mais frágil. Entre 2024 e 2025, a média mensal de geração de novos postos de trabalho não agrícolas (non-farm payroll) reduziu de 186 mil para 15 mil, já incorporando a mais recente revisão anual das estatísticas. Indicadores alternativos do mercado de trabalho, como aqueles ligados às taxas de rotatividade e contratações, estão em patamares comparáveis aos observados durante a pandemia da Covid-19. Ainda assim, o aumento da taxa de desemprego foi bastante moderado, saindo de 4,1% em 2024 para 4,4% em 2025 (gráfico 2).
Gráfico 2: Taxa de desemprego (%, 2022-2025)

Fonte: BLS
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[1] Este artigo foi originalmente publicado como Destaque BRCG em 13/3/2026. Para acesso direto ao conteúdo, inscreva-se em https://brcg.com.br/destaque-brcg/










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