Trabalho

Indicadores contrafactuais do mercado de trabalho no 4º trimestre de 2025

4 mai 2026

Controlando pela educação e demografia, mercado de trabalho apresentaria desempenho um pouco mais fraco: desemprego seria maior e taxa de participação, nível de ocupação e rendimento seriam bem menores do que o observado nos dados oficiais.

1. Introdução

Nos últimos anos a taxa de desemprego tem caído de forma consistente no Brasil. Conjuntamente com a queda da taxa de desemprego, tem ocorrido um aumento no número de pessoas ocupadas e elevação da remuneração média do trabalho. Parte desta melhora é fruto de mudanças estruturais ocorridas ao longo dos últimos anos.

Neste contexto, o objetivo desta nota é avaliar os efeitos da melhora educacional e da transição demográfica sobre variáveis importantes do mercado de trabalho, como a taxa de desemprego, a taxa de participação, o nível de ocupação e o rendimento do trabalho.

Para tanto, iremos estimar como estariam estas variáveis caso não tivesse ocorrido uma melhora na composição educacional nem o processo de envelhecimento da população observado ao longo dos últimos anos.

2. Heterogeneidades de Escolaridade e Faixa Etária

Antes de apresentarmos os exercícios contrafactuais, é necessário identificarmos alguns padrões relevantes para a análise. Os dados evidenciam uma melhoria na composição educacional tanto da População Economicamente Ativa (PEA) quanto da População em Idade Ativa (PIA), observada pelo aumento do peso relativo dos grupos de pessoas com maior nível de escolaridade ao longo do período analisado.

Verifica-se, ainda, uma relação monotônica entre a escolaridade e variáveis como taxa de participação, nível de ocupação e rendimento do trabalho: quanto maior o grau de instrução, mais elevados tendem a ser os valores dessas variáveis.

Tabela 1: Variáveis selecionadas por grau de instrução

Um resultado adicional merece destaque: diferentemente do padrão descrito acima, não se observa uma relação monotônica entre escolaridade e taxa desemprego. Neste caso, a melhora da composição educacional da força de trabalho não implica, necessariamente, em uma redução da taxa de desemprego. Os dados sugerem uma distribuição em formato de “U invertido”, na qual os grupos com níveis extremos de escolaridade apresentam taxas de desemprego mais baixas do que aqueles situados em níveis intermediários.

A mesma análise pode ser feita sob a ótica dos diferentes grupos etários, tal como apresentado na Tabela 2. No que se refere à estrutura etária, os dados indicam um processo de envelhecimento tanto da PEA quanto da PIA. Isto pode ser observado a partir do ganho de peso relativo dos grupos de pessoas com mais de 40 anos. Observa-se, ainda, que quanto maior a idade do indivíduo, menor tende a ser a taxa de desemprego e maior o rendimento do trabalho.

Tabela 2: Variáveis selecionadas por faixa etária

Já no que diz respeito a relação entre idade e taxa de participação e idade e nível de ocupação podemos observa que há uma distribuição em formato de “U invertido”, em que os grupos extremos (mais velhos e mais novos) possuem taxas mais baixas que os grupos intermediários.

3. Evolução dos Principais Indicadores do Mercado de Trabalho. Dados Efetivos x Contrafactuais[1]

Nesta seção iremos avaliar os efeitos da melhora educacional e da transição demográfica sobre variáveis importantes do mercado de trabalho, como taxa de desemprego, taxa de participação, nível de ocupação e rendimento do trabalho. Para tanto, iremos estimar como estariam estas variáveis caso não tivesse ocorrido uma melhora na composição educacional nem o processo de envelhecimento da população observado ao longo dos últimos anos.[2]

Começaremos a análise pela taxa de desemprego. De acordo com a Figura 1, a trajetória da taxa de desemprego entre 2012 e 2025 registrou oscilações marcantes. Após relativa estabilidade até 2014, o índice passou a subir fortemente, alcançando picos históricos durante a crise econômica 2015-2016 e, sobretudo, durante a pandemia de Covid-19, quando atingiu quase 15% no início de 2021. A partir desse ponto, iniciou-se um movimento de queda gradual, refletindo a recuperação do mercado de trabalho. No quarto trimestre de 2025, o desemprego atingiu 5,1%, o menor nível da série, sinalizando avanços na absorção de mão de obra e maior dinamismo econômico.

Figura 1: Evolução da Taxa de Desemprego

Fonte: Elaboração própria com dados da Pnad Contínua.

Caso não tivesse ocorrido essas mudanças estruturais, o nível atual da taxa de desemprego deveria ser maior do que o oficialmente divulgado. Por exemplo, no quarto trimestre de 2025, a taxa de desemprego contrafactual com base na interação entre escolaridade e idade seria de 6,2%, ou seja, 1,1 ponto percentual acima do valor oficialmente divulgado. Isto indica que parte do baixo desemprego observado hoje no brasil tem relação com uma mudança estrutural ocorrida ao longo dos últimos anos.

Outra importante variável a ser analisada é a taxa de participação, presente na Figura 2. Os dados mostram que entre o primeiro trimestre de 2012 e o quarto trimestre de 2019 a taxa de participação passou de 62,3% para 63,4%. No auge da crise sanitária, no segundo trimestre de 2020, a taxa de participação caiu para 57,1%, o menor nível da série histórica.

Acesse o texto completo no Observatório da Produtividade Regis Bonelli

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 

 

[1] As séries originais e contrafactuais encontram-se ao final do artigo no Anexo 1

[2] Para mais detalhes sobre a metodologia de construção dos indicadores contrafactuais, acesse: https://ibre.fgv.br/sites/ibre.fgv.br/files/arquivos/u65/nota_metodologo...

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